Milionário lucro da Neoenergia, controladora da Coelba, é resultado de baixo investimento, serviço ruim e empréstimo financeiro subsidiado; Lucro sobe 61% no 4º trimestre de 2020

Neoenergia é a empresa controladora da Coelba. Lucro elevado é resultado do baixo investimento e péssimo serviço prestado.
Neoenergia é a empresa controladora da Coelba. Lucro elevado é resultado do baixo investimento e péssimo serviço prestado.

Os resultados dos últimos meses do ano de 2020 indicam recuperação para a Neoenergia. O lucro líquido entre outubro e dezembro alcançou R$ 996 milhões, com alta de 61% na comparação anual. Enquanto, a receita operacional líquida do quarto trimestre teve aumento de 39%, atingindo R$ 10 bilhões, assim como o Ebitda, que também cresceu 39%, para R$ 2,1 bilhões.

Observa-se que o elevado lucro da Neoenergia é resultado do péssimo serviço prestado aos consumidores, no caso da Bahia, através da empresa monopolista Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA).

O baixo investimento da concessionária no sistema de distribuição de energia resulta em correte elétrica com elevada variação de tensão e interrupções semanais no fornecimento da energia, falhas que provocam a redução do tempo de uso dos aparelhos elétricos e causam prejuízos econômicos as atividades dos consumidores.

Investimentos no rebaixamento das redes de alta tensão não ocorrem e prejudica a expansão de atividades produtivas da Bahia, a exemplo do agronegócio situado no oeste do estado.

Empresários são obrigados a investir em subestações e linhas de transmissões e, depois, são, também, obrigados a doarem os equipamentos para a Coelba, em um exemplo de anticapitalismo e de roubo da economia popular.

A empresa toma empréstimos de bancos públicos, ou seja, de fundos públicos, com juros subsidiados, para executar os poucos investimentos que realiza, em mais uma atitude anticapitalista, haja vista que é listada na Bolsa de Valores.

A Neoenergia não paga por comunicados públicos e envia pedidos aos veículos de comunicação para que divulguem os cortes de energia que realiza para manutenção, quando são obrigados a pagar pelo anúncio dos mesmos, para não serem processadas pelos consumidores.

Na outra ponta, o governador do estado fica em lamurias, ao invés de acabar com o monopólio e colocar uma empresa para concorrer com a COELBA, além de estar deixando de usar o poder do Estado para fiscalizar as atividades da concessionária.

A empresa e o lucro

A Neoenergia (B3: NEOE3) é a holding do Grupo Iberdrola, maior grupo privado do setor elétrico brasileiro em número de clientes, com mais de 14 milhões de unidades consumidoras atendidas por suas distribuidoras Elektro (São Paulo e Mato Grosso do Sul), Coelba (Bahia), Celpe (Pernambuco) e Cosern (Rio Grande do Norte).

Somente no quarto trimestre do ano de 2020, o volume de energia injetada foi de 18 mil GWh, aumento de 1,29% em relação a igual período de 2019.

Em 2020, a Neoenergia registrou lucro líquido de R$ 2,8 bilhões, alta de 26% na comparação com o ano anterior. A receita operacional líquida da companhia para o ano ficou em R$ 31,1 bilhões, aumento de 13% em relação a 2019, enquanto o Ebtida (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anual teve um crescimento de 14%, ficando em R$ 6,49 bilhões.

De acordo com a companhia, disciplina de custos e eficiência ajudaram a manter o crescimento em meio à crise causada pela pandemia.

Ainda assim, o volume de energia total injetada pela empresa ao longo do ano teve uma queda de 1,5%, para 66.857 gigawatts hora (GWh), devido aos impactos das medidas de restrição à mobilidade e desaceleração da economia causadas pela crise sanitária, com efeitos principalmente no segundo trimestre do ano. O índice leva em consideração a energia fornecida a clientes próprios e a concessionárias de fronteira, além de consumidores do mercado livre e perdas.

*Com informações do Valor Econômico.

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Carlos Augusto
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Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).