Mensagens entre procuradores da República membros da força-tarefa do Caso Jato evidenciam atividade criminosa em ataques à ministros do STF e STJ

Mensagens apreendias pela PF, durante a Operação Spoofing, revelam indício de atividade criminosa promovida por membros da força-tarefa do Caso Jato em Curitiba. Ao longo dos anos da investigação federal, vazamentos seletivos foram usados para atacar ministros do STF e do STJ.
Mensagens apreendias pela PF, durante a Operação Spoofing, revelam indício de atividade criminosa promovida por membros da força-tarefa do Caso Jato em Curitiba. Ao longo dos anos da investigação federal, vazamentos seletivos foram usados para atacar ministros do STF e do STJ.

Procuradores da República, membros da força-tarefa do Caso Jato em Curitiba, buscaram atacar os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e enfraquecer Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça, para retirá-lo da relatoria dos processos do Caso Lava Jato. Evidencias da possível atividade criminosa dos membros do Ministério Público Federal (MPF) foram reveladas através das mensagens apreendias pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Spoofing, deflagrada em 3 de julho de 2019.

É o que indica a defesa do ex-presidente Lula nos novos diálogos enviados ao STF. As mensagens entre procuradores foram apreendidas no curso da chamada “operação spoofing”. A ConJur manteve eventuais erros de digitação e ortografia presentes nas mensagens.

“Toffoli e Gilmar todo mundo quer pegar. Mas é difícil fazer algo”, afirmou Deltan Dallagnol, então coordenador da “lava jato”, em 13 de julho de 2016. O ministro Alexandre de Moraes também era alvo do MPF.

“Acho que podemos alimentar os movimentos para direcionarem atenção para Alexandre de Moraes. Se pegar sem a nossa cara, melhor, pq fico penando [pensando] em possível efeito contrário em nós querermos colcoar [colocar] o STF contra a parede. Até postei hj sobre o Alexandre de Moraes, e se quiser postar o que quiser manda ver, mas acho que a estratégia de usarmos os movimentos será melhor, se funcionar”, prossegue o procurador.

Segundo indica Dallagnol na própria conversa, os “movimentos” parceiros do MPF eram jornais. “Aquela informação do Andrey eu passei pro Antagonista, anonimizada”, diz.

Para a defesa de Lula, a “‘lava jato de Curitiba’ engendrou iniciativas contra ministros dos tribunais superiores para colocar o STJ e o STF ‘contra a parede’. Os procuradores da ‘lava jato’ atuavam, deliberadamente, para constranger magistrados — inclusive por meio de vazamentos planejados de delações premiadas que eles próprios sabiam que não tinham materialidade”, dizem os advogados do petista.

A defesa de Lula é feita por Cristiano Zanin, Valeska Martins, Maria de Lourdes Lopes e Eliakin Tatsuo.

Delações

Outro trecho destaca um diálogo mantido em 28 de novembro de 2016 pelo procurador Deltan Dallagnol e o ex-procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima.

Segundo os advogados do ex-presidente, os dois planejaram o vazamento de um trecho da delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral, mesmo que os membros da “lava jato” achassem o conteúdo vazio.

“Na mesma linha, os procuradores planejaram focar em algumas delações premiadas com o objetivo de atingir indevidamente ministros desse Supremo Tribunal Federal”, apontam os advogados.

“O caráter ilegítimo e reprovável dessa atuação advém não apenas da cristalina vedação do texto constitucional para que os procuradores da República promovam qualquer ato de persecução penal contra ministros dos tribunais superiores, mas, ainda, da intenção deliberada e reconhecida de usar de meios espúrios para constranger e tentar impedir que tais autoridades pudessem efetivamente rever as decisões tomadas pelo ex-juiz Sergio Moro”, conclui a defesa de Lula.

Rcl 43.007

*Com informações do site Consultor Jurídico (ConJur).

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