Líder político do PSOL, Guilherme Boulos defende unidade do campo progressista nas Eleições 2022 e diz que país caminha para ‘tempestade perfeita’

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"O Brasil caminha para uma tempestade perfeita. É hora de pôr interesses do país à frente dos individuais", diz Guilherme Boulos.  Apontado pela "Time" como um dos 100 líderes emergentes no mundo, Guilherme Boulos defende esquerda unida para 2022. Segundo ele, é preciso ter "responsabilidade histórica" em momento que não é de normalidade.
"O Brasil caminha para uma tempestade perfeita. É hora de pôr interesses do país à frente dos individuais", diz Guilherme Boulos.  Apontado pela "Time" como um dos 100 líderes emergentes no mundo, Guilherme Boulos defende esquerda unida para 2022. Segundo ele, é preciso ter "responsabilidade histórica" em momento que não é de normalidade.

A chegada ao segundo turno na eleição para a prefeitura de São Paulo, em 2020, consolidou Guilherme Boulos (Psol) como uma liderança nacional da esquerda. Sua projeção foi reconhecida internacionalmente na semana passada, ao ser incluído na lista de 100 líderes emergentes do mundo feita pela revista Time, dos Estados Unidos.

Boulos e a cantora Anitta foram os únicos brasileiros selecionados. Para se fazer ouvir, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) não chegou a ter que rebolar, mas precisou aprender a sorrir. Ou melhor, permitir a si mesmo ser mais espontâneo.

Em 2018, quando participou da eleição presidencial com menos de 1% dos votos válidos, recebeu críticas dentro da própria esquerda pela sisudez de sua fala. Chegou a ser comparado ao raivoso Luiz Inácio Lula da Silva de 1989, ano em que o petista tentou pela primeira vez chegar à presidência, derrotado por Fernando Collor.

Na entrevista a seguir, Boulos reconhece que a extrema direita “deu um banho” em todo o espectro político no uso das redes sociais em 2018. A disparidade de forças serviu de alerta a ele e seu partido, que recorreram a uma equipe especializada para pensar em estratégias bem-humoradas e leves de abordar os temas densos que a esquerda traz para o debate.

“Ficou evidente que se a gente não buscasse se apropriar e dialogar com essas ferramentas de diálogo de rede, humor, ironia, estávamos fadados a uma derrota de longo prazo. Nós tivemos essa compreensão, e sem nunca apelar para fake news”, comenta.

Deu resultado. Na eleição em São Paulo, Boulos desbancou candidaturas com maior investimento e capital político para chegar ao segundo turno. No caminho, deixou para trás o candidato Celso Russomano (PRB), apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Apesar do espaço conquistado, o psolista se recusa a apresentar-se como pré-candidato a presidente em 2022. No início de fevereiro, Fernando Haddad (PT) recebeu orientação de Lula para “colocar o bloco na rua”, nas palavras do petista. Boulos criticou o movimento na ocasião, por entender que a prioridade da esquerda deveria ser a criação de um programa comum, antes de pensar em nomes.

“O Ciro Gomes lançou a candidatura dele em 2018. Agora, o PT sinalizou o lançamento do Haddad. Se eu e o Flávio Dino ou a Manuela D’Ávila, pelo PCdoB, decidirmos fazer o mesmo, chegamos a 2022 com quatro candidaturas do nosso campo. Quem ganha com isso? Do meu ponto de vista, o Bolsonaro. Esse peso eu não vou carregar, e irei trabalhar que a esquerda chegue unida em 2022”, afirma.

Sobre as Eleições 2022, Guilherme Boulos declarou:

  • Eu sou militante do Psol, e não do PT. Eu construo meu caminho próprio ao lado dos meus companheiros em vista do modelo de esquerda e de país em que eu acredito. Trata-se de ter responsabilidade histórica. Não estamos em um momento de normalidade, em que cada um coloca seus projetos em cima da mesa, como se a democracia brasileira estivesse a plenos pulmões. Nós temos Bolsonaro presidente do Brasil, mais de 240 mil mortos na pandemia, um governo que acabou de liberar até 60 armas para frequentadores de clubes de tiros, a fim de formar milícias privadas para intervir caso ele perca em 2022.
  • O país está há cinco anos em uma profunda instabilidade institucional, onde as garantias individuais e as liberdades foram atropeladas inúmeras vezes. Nossa democracia está profundamente fragilizada. Em um momento como este, é preciso ter juízo. É papel da esquerda e de quem tem uma visão solidária e generosa de mundo colocar os interesses do país e nosso povo à frente de interesses individuais. Eu poderia lançar minha candidatura. Talvez, para mim, fosse mais vantajoso politicamente. Viajar o país e dialogar com as pessoas é algo que eu faço sempre, independente de ano eleitoral.
  • O Ciro Gomes lançou a candidatura dele em 2018. Agora, o PT sinalizou o lançamento do Haddad. Se eu e o Flávio Dino ou a Manuela D’Ávila, pelo PCdoB, decidirmos fazer o mesmo, chegamos a 2022 com quatro candidaturas do nosso campo. Quem ganha com isso? Do meu ponto de vista, o Bolsonaro. Esse peso eu não vou carregar, e irei trabalhar para que a esquerda chegue unida em 2022. Estou defendendo e dialogando com várias lideranças a construção de uma mesa de unidade e discuto um programa comum, que possa chegar eventualmente a uma candidatura única, por meio de prévias ou qualquer outra forma que gere consenso. Agora, se isso não for possível, cada um vai tomar seu rumo. Mas a tentativa deve ser feita.

*Com informações do DW.

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