CPI do Transporte Público pode quebrar sigilo bancário do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Feira de Santana; Oposição quer investigar Governo Municipal

Fernando Torres, Alberto Nery, Silvio Dias e Josse Paulo (Paulão). Debate sobre CPI do Transporte Público promete mobilizar forças políticas antagônicas.
Fernando Torres, Alberto Nery, Silvio Dias e Josse Paulo (Paulão). Debate sobre CPI do Transporte Público promete mobilizar forças políticas antagônicas.

As greves lideradas no início de 2021 pelo ex-vereador Alberto Nery (PT), presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Feira de Santana, provocou tensão no Governo Colbert Martins. Mas, a reação ocorreu na Câmara Municipal, com o violento e intimidador discurso do presidente do Legislativo, vereador Fernando Torres (PSD), que qualificou o líder sindical de “bandido”.

Em uma inversão dialética, Fernando Torres transferiu para Alerto Nery a baixa qualidade no serviço de transporte público de Feira de Santana, quando, de fato, as falhas na política de mobilidade urbana são decorrentes de erros da gestão municipal que se acumularam ao longo das duas últimas décadas.

Sobre a atuação de Alberto Nery no comando do Sindicato dos Rodoviários, o presidente da Câmara prometeu aprovar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e quebrar o sigilo bancário da instituição. Em reação do discurso do governista, a Oposição promete investigar o Governo Municipal.

O Jornal Grande Bahia (JGB), apresenta a seguir, trechos do debate entre governistas e oposicionistas.

Voto em Rui Costa

Na quarta-feira (03/02/2021), Fernando Torres retomou a discussão iniciada na terça-feira (2) sobre a criação da CPI do Transporte Público afirmando que o presidente do sindicato é membro do Partido dos Trabalhadores e fez a seguinte ressalva “mas não se trata, da minha parte, de briga partidária”, explicando, na sequência que o PSD mantém forte aliança com o Governo do Estado, comandado pelo petista Rui Costa, “a quem admiro, gosto bastante e de quem fui secretário em 2017, ao assumir a pasta de Desenvolvimento Urbano da Bahia”.

Sobre o governador Rui Costa, disse, também que terá seu voto a qualquer cargo que venha a disputar, “porque é homem de bem”. No entanto,  mantém firme a denúncia de que Nery faz “negociações” com as empresas que operam o transporte público coletivo em Feira de Santana: “Vou repetir: considero o ex-vereador Alberto Nery um bandido”.

Proposta de CPI, 1ª da nova legislatura

Divergindo de Fernando Torres, o vereador Sílvio Dias (PT) anunciou na terça-feira (02) que vai apresentar proposta de CPI “pela importância de analisar e identificar os responsáveis pelo caos no serviço de transporte público”. Segundo ele, o centro das investigações não deve ser o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários, mas a administração municipal.

“Muitos problemas foram causados pela  incompetência e omissão do Governo, o que resultou na criação de linhas que não atendem à necessidade da população, na circulação de ônibus sem horários fixos, no aumento da tarifa e no crescimento do transporte alternativo e clandestino”, diz o vereador petista. Se aprovada a CPI, a investigação seria “detalhada” sobre a implantação do Sistema Integrado de Transporte (SIT) concluiu Silvio Dias.

Vereador diz que empresas do transporte coletivo operam com “desequilíbrio financeiro”

O alegado “desequilíbrio financeiro” que motivou as empresas de transporte coletivo Rosa e São João a ingressarem uma ação na Justiça, pedindo indenização à Prefeitura de Feira de Santana, será alvo nesta terça (2) de um requerimento na Câmara Municipal.

O vereador Paulão do Caldeirão (PSC), autor da proposta, diz que o objetivo é buscar esclarecimentos das operadoras, licitadas pela Prefeitura, e iniciar a uma apuração de possíveis irregularidades que resultariam na circulação de “ônibus sucateados e superlotados”. Segundo ele, as empresas devem ser investigadas para “evitar a aplicação de golpes, solucionar problemas na prestação do serviço e colocar esses bandidos na cadeia”.

O vereador e radialista considera lamentável “que forasteiros venham à Feira de Santana para fraudar a Prefeitura”. Entende, no entanto, que não é oportuno, no momento, criar uma CPI, como propõe o seu colega Sílvio Dias (PT).

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