Apostar em eleições limpas e democráticas em 2022 é improvável e incerto | Por Aemulus Máximus

Cartaz da campanha do Repórteres sem Fronteiras (RSF) mostra o extremista Jair Bolsonaro nu, coberto com uma placa com os números de mortos e contagiados pelo coronavírus.
Cartaz da campanha do Repórteres sem Fronteiras (RSF) mostra o extremista Jair Bolsonaro nu, coberto com uma placa com os números de mortos e contagiados pelo coronavírus.

As eleições presidenciais de 2018 não foram eleições limpas e democráticas. Vou listar apenas três dos muitos fatores:  Lula da Silva, o principal candidato das oposições, foi alijado do processo, através de uma fraude jurídica que o condenou e encarcerou, comprovada e fartamente documentada pelo jornalismo investigativo Vaza Jato, e confirmado pelo STF; a coerção política-militar sobre o mesmo STF, declarada espontaneamente pelo general Villas Boas em seu livro de memórias; e a fraude de campanha com os disparos em massa de fake news (mentiras e desinformação) nos aplicativos de mensagem, propaganda eleitoral falsa, cujo processo foi pa rar no TSE e este, impotente e/ou conivente, não impugnou a eleição corrompida.

O desgoverno Bolsonaro já faz dois anos e dois meses. O Congresso Nacional é partícipe da tragédia brasileira, pois sequer analisou algum dos inúmeros pedidos de impeachment de Bolsonaro, por graves crimes de responsabilidade.

A tragédia bacional se manifesta em crise econômica e crise sanitária (pandemia descontrolada), desemprego, fome, doença e morte. O brasileiro vai passivo ao matadouro, para a sua própria destruição.

O fraudulento esquema de manipulação eleitoral continua intacto: gabinete do ódio funcionando plenamente; os robôs de internet, nas redes sociais, alimentando o sistema de controle social através dos algoritmos, e uma falsa imagem transmitida, de que o desgoverno Bolsonaro conta com apoio de até um terço dos eleitores.

No Estado Nacional, ocorreu o aparelhamento das instituições, que servem para manutenção do poder miliciano-militar instaurado.

País continental, com interesses regionais, o que resta de oposição empoderada, em Estados e municípios, estes opositores agem mais como mantenedor do estado de coisas, para conservarem o seu naco de poder.

Daí que adiar a luta contra o fascismo e pela democracia, para um futuro incerto – eleições de 2022 – é temerário. Só alimenta a fome voraz do fascismo. O caminho eleitoral se apresenta limitado, viciado. A experiência nacional e mundial aponta para o clamor das ruas. Mas… como, numa pandemia?

As forças democráticas precisam se alinhar, criar e recriar, inovar. Repito: como?

Uma velha cantiga do cancioneiro popular afirma:

Vem, vamos embora

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer.

*Aemulus Máximus, cientista social e defensor dos direitos humanos.

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