ONU profundamente preocupada com ataques crescentes na Venezuela

Desde 8 de janeiro, pelo menos três locais foram alvejados pela operação policial que confiscou equipamentos, intimidou os trabalhadores e interditou os escritórios.
Porta-voz do Escritório de Direitos Humanos disse que violência a entidades da sociedade civil, defensores de direitos humanos e jornalistas tem aumentado na Venezuela. Incidente de 12 de janeiro de 2021 foi o segundo em dois meses contra uma ONG humanitária.

As Nações Unidas expressaram preocupação com o aumento de ataques a civis na Venezuela.

O último ocorreu na terça-feira no estado de Zulia, quando integrantes da contrainteligência militar e da polícia regional realizaram uma batida na ONG humanitária Azul Positivo.

Advogados e famílias

A porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Marta Hurtado, falou sobre ataques crescentes a jornalistas, defensores de direitos humanos e organizações da sociedade civil.

Segundo ela, documentos foram apreendidos e seis funcionários da ONG foram presos. Cinco seguem detidos e nenhum foi autorizado a se comunicar com suas famílias ou advogados.

Ela contou que esta é a segunda vez, em dois meses, que uma entidade humanitária é vasculhada por forças de segurança e tem seus empregados questionados a respeito de financiamento recebido do exterior.

A porta-voz afirmou que os países não podem impor restrições à habilidade das ONGs de receberem auxílio doméstico, estrangeiro e de fontes internacionais.

Criminosos

Para Marta Hurtado é ainda mais preocupante que essas batidas tenham sido acompanhadas de declarações de funcionários públicos na Venezuela pedindo que as entidades de sociedade civil e os funcionários sejam declarados criminosos.

Desde 8 de janeiro, pelo menos três locais foram alvejados pela operação policial que confiscou equipamentos, intimidou os trabalhadores e interditou os escritórios. Estas batidas ocorreram após jornalistas terem sido assediados moralmente e intimidados.

As autoridades venezuelanas também emitiram comunicados deslegitimando a mídia.

Democracia e jornalistas

Com isso, muitos jornalistas com medo começaram a praticar autocensura para escapar da violência no país.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU pediu às autoridades da Venezuela que parem de perseguir as pessoas que estão trabalhando honestamente estejam elas no setor humanitário, de direitos humanos ou na imprensa.

A porta-voz concluiu lembrando que uma sociedade civil diversa, livre e ativa é fundamental para qualquer democracia e tem que ser protegida e não estigmatizada.

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