Índia nega ter proibido exportação de vacina contra Covid-19

Índia prevê vacinar 300 milhões de pessoas até agosto de 2021. Secretário da Saúde afirma que governo não proibiu exportações de vacinas, e fabricante do imunizante de Oxford volta atrás em declaração.
Índia prevê vacinar 300 milhões de pessoas até agosto de 2021. Secretário da Saúde afirma que governo não proibiu exportações de vacinas, e fabricante do imunizante de Oxford volta atrás em declaração.

A Índia negou nesta terça-feira (05/01/2020) que tenha proibido a exportação de vacinas para a covid-19, e também o presidente da empresa fabricante da vacina de Oxford declarou que não existe tal proibição.

“O governo não proibiu a exportação de qualquer vacina para covid-19. Isso deve ficar absolutamente claro”, disse o secretário da Saúde, Rajesh Bhushan,segundo informou o jornal Hindustan Times, de Nova Déli.

Pouco antes, o presidente da empresa Serum Institute, Adar Poonawalla, afirmara que exportações de vacinas são permitidas para todos os países.

Ele contradisse assim declaração que havia dado na segunda-feira, quando afirmara que o governo indiano não iria permitir a exportação da vacina de Oxford, que na Índia é produzida pelo Instituto Serum.

A empresa é a maior produtora de vacinas do mundo e foi contratada pela AstraZeneca para produzir 1 bilhão de doses do imunizante para países em desenvolvimento, incluindo a própria Índia.

A fala de Poonawalla acabou sendo encarada inicialmente como um revés para o plano do governo brasileiro de importar 2 milhões de doses da Índia, para apressar a vacinação no país sul-americano.

Adar Poonawalla agora diz que exportações de vacinas são permitidas para todos os países
A importação excepcional dessas doses havia sido anunciada no sábado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ao longo do primeiro semestre, essa vacina será produzida no Brasil a partir do insumo farmacêutico importado da empresa chinesa WuXi Biologics, parceira da AstraZeneca.

Ainda nesta terça-feira, o Itamaraty afirmou que está confirmada a importação pelo Brasil da carga de 2 milhões de doses. “Está confirmada a importação de 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca/Oxford produzidas na Índia, com data provável de entrega a partir de meados do corrente mês de janeiro”, informou o ministério à TV Globo.

Vacinação na Índia

A licença de uso emergencial à vacina de Oxford/AstraZeneca pelo governo indiano foi concedida no sábado, com a condição de que toda a produção do imunizante pelo Instituto Serum fosse inicialmente destinada ao governo do país. “Recebemos uma licença restrita apenas para dar e fornecer [a vacina] ao governo da Índia porque eles querem priorizar os segmentos mais vulneráveis e necessitados”, disse Poonawalla.

O presidente do Instituto Serum afirmou à agência de notícias Reuters que as exportações poderiam começar a ser feitas depois de a empresa entregar 100 milhões de doses para o governo indiano. Ele espera que a restrição seja amenizada em março ou abril.

O plano de imunização da Índia prevê vacinar 300 milhões de pessoas até agosto, incluindo agentes de saúde, policiais e pessoas mais vulneráveis devido à sua idade ou outras doenças.

A decisão do governo indiano deve atrasar também a entrega de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca para o Covax Facility, um consórcio liderado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para comprar e distribuir imunizantes a países de renda baixa e média. O Instituto Serum já se comprometeu a fornecer 200 milhões de doses para o consórcio, cuja entrega agora deverá aguardar a liberação do governo indiano.

Esse imunizante também já foi aprovado para uso pelo Reino Unido, que começou a aplicá-lo em sua população nesta segunda-feira.

Campanha no Brasil

A vacina de Oxford/AstraZeneca é a priorizada no momento pelo governo brasileiro para a imunização contra a covid-19. Segundo o acordo assinado entre Fiocruz e Oxford/AstraZeneca, as primeiras 100 milhões de doses destinadas aos brasileiros serão produzidas a partir do princípio ativo importado do parceiro da AstraZeneca na China, que então será preparado, envasado e rotulado no Brasil.

Durante o segundo semestre de 2021, a Fiocruz terá o controle total da tecnologia e passará a produzir também o princípio ativo no país. A meta é entregar 210 milhões de doses no ano que vem ao SUS. A Fiocruz afirma que pretende fazer o pedido para autorização de uso do imunizante nos próximos dias.

O Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, também importou doses de uma vacina contra covid-19 produzida em parceria com a empresa chinesa Sinovac. O governo paulista diz que seu estoque já chega a 10,8 milhões de doses, e as autoridades paulistas preveem que a imunização no estado comece em 25 de janeiro, mas ainda não solicitaram o registro à Anvisa.

*Com informações do DW.

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