Governo Bolsonaro é o pior que o Brasil já teve, diz Wanderlei Alves líder dos caminhoneiros que deixou profissão após 27 anos

Wanderlei Dedeco foi uma das lideranças da greve de caminhoneiros de 2018.
Wanderlei Dedeco foi uma das lideranças da greve de caminhoneiros de 2018.

O ex-líder dos caminhoneiros na greve da categoria, Wanderlei Alves, conhecido como Dedeco, deixou a profissão após 27 anos passados na boleia, como ele mesmo diz, do caminhão. Segundo ele, uma forte pneumonia atrelada com a queda na demanda e do preço do frete durante a pandemia, somados ao aparelhamento da categoria pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após as greves de 2018, fizeram com que ele tivesse que vender seus três caminhões e mudasse de ramo.

“Esse é o pior governo que o Brasil já teve em toda sua história. O Bolsonaro é incompetente. Ele sempre foi”, afirma ao BBC Brasil.

“Como deputado, ele sempre foi baixo clero e o povo não conhecia. O que lançaram nas redes sociais não foi o Bolsonaro, foi um personagem. O Bolsonaro de verdade está sendo apresentado agora. Não vale nada e nunca prestou”, conclui ele.

O ex-motorista, hoje com 46 anos, abriu uma lanchonete em Curitiba, no Paraná. Em 2018, porém, ele foi uma das lideranças da mobilização que abalou a economia do país.

Na avaliação de Dedeco, pouco melhorou para a categoria desde então. “Veja o preço do óleo diesel hoje, chega a estar R$ 4,40, R$ 4,50. Na época que nós fizemos paralisação, nós paramos porque o diesel estava R$ 3,30. O caminhoneiro, lá em 2015, no governo Dilma, parou porque o diesel estava R$ 2,80. Hoje, o diesel já está quase R$ 5 em alguns lugares. E o caminhoneiro está lambendo esse governo”, ressalta.

‘Apaixonados por Bolsonaro’

Ele afirma que, diferente de 2018, a chamada por parte da categoria para uma nova greve na próxima segunda-feira (01/02/2021) não deve acontecer. Para ele, boa parte dos caminhoneiros segue “muito apaixonada ainda” por Bolsonaro.

“A greve de 2018 foi uma greve planejada e bem trabalhada no sigilo, nos bastidores, durante seis meses para acontecer”, lembra.

Dedeco ainda avalia que além do apoio da população, em 2018, houve também ajuda do setor rural — o que hoje não acontece, segundo ele.

“Isso não tem mais, porque o setor rural hoje está todo do lado do governo. Ruralista rico gosta de governo ruim porque governo ruim faz o dólar subir e quem vende em dólar se dá bem. Então o agronegócio gosta do Bolsonaro, porque aí eles vendem a soja deles a R$ 5, R$ 6 o dólar”, diz.

Para ele, a greve não acontecerá pois a pressão já “surte efeito”, como o fato de os motoristas de caminhão terem sido incluídos na última sexta-feira (22) entre as categorias prioritárias para vacinação contra a Covid-19 e de o governo ter zerado o imposto de importação para pneus usados no transporte de cargas.

Paralisação pode ser maior

Há, no entanto, quem discorde de Dedeco. A paralisação nacional dos caminhoneiros marcada para o dia 1º de fevereiro vem ganhando novas adesões e, segundo o presidente da Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci, essa paralisação poderá ser maior do que a realizada em 2018, devido ao grau crescente de insatisfação da categoria, principalmente em relação ao preço do diesel e às promessas não cumpridas após a histórica greve no governo Temer.

“Eu creio que a greve pode ser igual a 2018. A população está aderindo bem, os pequenos produtores da agricultura familiar também. Se não for igual, eu creio que vai ser bem mais forte do que 2018”, alerta.

*Com informações do Yahoo Notícias e BBC Brasil.

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Sobre Carlos Augusto 9606 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).