Governo Bolsonaro anuncia compra de 100 milhões de doses da Coronavac

Ministro Eduardo Pazuello afirmou que governo ainda negocia compra de mais doses de outros fabricantes. Aquisição prevê entrega de 46 milhões de doses até abril. Vacina garantiu proteção total contra mortes e casos graves e moderados de covid-19 que necessitem de internação hospitalar.
Ministro Eduardo Pazuello afirmou que governo ainda negocia compra de mais doses de outros fabricantes. Aquisição prevê entrega de 46 milhões de doses até abril. Vacina garantiu proteção total contra mortes e casos graves e moderados de covid-19 que necessitem de internação hospitalar.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta quinta-feira (07/01/2021) que o governo federal assinou contrato com o Instituto Butantan, de São Paulo, para a aquisição de 100 milhões de doses da vacina Coronavac, das quais 46 milhões devem ser entregues até abril.

O anúncio veio algumas horas depois de o governo paulista anunciar que o imunizante, desenvolvido em parceria com a chinesa Sinovac, apresentou eficácia de 78% nos testes de fase 3 feitos no Brasil. A vacina garantiu proteção total contra mortes por covid-19 e casos graves e moderados da doença que necessitem de internação hospitalar.

O pedido de registro emergencial da Coronavac deve ser enviado nesta sexta-feira (08/01) à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que tem dez dias para responder.

Em nota, o Instituto Butantan afirmou que recebeu a minuta do contrato do Ministério da Saúde e o enviou para o departamento jurídico do órgão, com o objetivo de formalizar a compra com rapidez.

As vacinas compradas pelo governo federal serão distribuídas aos estados e municípios, no âmbito do Plano Nacional de Imunização (PNI). Cada dose da Coronavac custou 58,20 reais. “Todas as vacinas serão a partir desse momento incorporadas ao Plano Nacional de Imunização, distribuídas de forma equitativa e proporcional a todos os estados, da mesmo forma que a [vacina] da AstraZeneca”, disse Pazuello.

Total de doses compradas

A Coronavac é a segunda vacina com compra confirmada pelo governo federal, que já havia fechado acordo para a aquisição do imunizante produzido pela farmacêutica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, em parceria com a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz).

As primeiras 2 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca devem ser importadas prontas da Índia ainda em janeiro, com previsão de início da vacinação em 20 de janeiro “no melhor cenário”, disse Pazuello.

A Fiocruz, que no primeiro semestre produzirá o imunizante em território nacional a partir do princípio ativo importado da China, planeja entregar ao governo federal seu primeiro lote, de 1 milhão de doses, na semana de 8 a 12 de fevereiro. A partir do final de fevereiro, a projeção é entregar 3,5 milhões de doses por semana.

Durante o segundo semestre de 2021, a Fiocruz terá o controle total da tecnologia e passará a produzir também o princípio ativo. A meta é entregar 210 milhões de doses no total neste ano.

Tanto a Coronavac como a vacina de Oxford/AstraZeneca devem ser ministradas em duas doses para atingir a eficácia máxima. Somados os dois contratos, o governo federal garantiu 312 milhões de doses, suficientes para vacinar 156 milhões de pessoas, ou 73% da população brasileira.

Na entrevista coletiva desta quinta-feira, Pazuello afirmou que a pasta ainda negocia a aquisição de vacinas de outros fabricantes. O governo também espera obter mais 42,5 milhões de doses por meio do consórcio Covax Facilty, liderado pela Organização Mundial de Saúde.

Disputa política

A Coronavac está no centro de uma disputa política entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Dória.

Em outubro, Pazuello havia anunciado um acordo para a compra de 46 milhões doses da Coronavac, logo depois revogado por Bolsonaro, que anunciou no Twitter que a vacina chinesa não seria comprada pelo governo federal.

Em 10 de novembro, Bolsonaro comemorou uma decisão da Anvisa que suspendeu temporariamente os estudos clínicos da Coronavac após a morte de um participante dos testes, que depois se mostrou não relacionada à vacina. “Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”, afirmou o presidente.

No dia seguinte, Bolsonaro indicou para assumir um assento na Anvisa o tenente-coronel Jorge Luiz Kormann, que não tem formação em saúde e, em seu perfil no Twitter, já havia manifestado críticas à Coronavac e à Organização Mundial de Saúde. Sua indicação ainda precisa ser referendada pelo Senado.

O governo paulista tem um cronograma de vacinação pronto, independente do governo federal, com início em 25 de janeiro, e um estoque de 10,8 milhões de doses da Coronavac. Outras 35 milhões de doses devem ser entregues até a primeira quinzena de fevereiro ao estado.

*Com informações do DW.

Redação do Jornal Grande Bahia
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