França volta às aulas, mas vários países europeus prolongam férias de fim de ano

Alunos higienizam as mãos ao entrar em uma escola de Estrasburgo, no nordeste da França.
Alunos higienizam as mãos ao entrar em uma escola de Estrasburgo, no nordeste da França.

Após o recesso escolar de fim de ano, alunos franceses voltam às aulas nesta segunda-feira (04/01/2021). A decisão causa polêmica: diante do aumento da propagação da nova variante de coronavírus, vários países europeus resolveram prolongar as férias.

O governo francês foi inflexível sobre a questão. “Como previsto”, crianças e adolescentes voltam às aulas nesta segunda-feira, anunciou no domingo (3) o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, prometendo um “protocolo sanitário reforçado”.

A grande preocupação é com a circulação da nova variante de coronavírus originária do Reino Unido, mais contagiosa e que se propagaria entre as faixas etárias mais jovens. É o que afirma o diretor-geral da agência de Saúde da França, Jérôme Salomon. Em entrevista ao Journal du Dimanche, ele pediu vigilância máxima especialmente às famílias que viajaram durante as férias de fim de ano, o que pode, segundo ele, “mudar o mapa da situação epidemiológica” no país.

Interrogado sobre as declarações do diretor-geral da agência de Saúde da França, o ministro da Educação indicou que “todos estão atentos e permanecem vigilantes” sobre a possibilidade de um novo aumento de casos da doença. “Somos sempre capazes de ajustes, no futuro, se necessário”, mas, “podemos perfeitamente organizar a volta às aulas”, martelou.

Segundo ele, o objetivo é que 100% dos alunos do Ensino Médio voltem às aulas presenciais em 20 de janeiro. “Tudo será feito para que essa meta seja cumprida”, reiterou.

Blanquer não exclui, no entanto, que medidas “diferenciadas” sejam tomadas se acordo com a situação sanitária de diferentes regiões da França. “Se as coisas se agravarem em algumas localidades, poderemos impor restrições específicas. Mas, atualmente, isso não é considerado”, disse.

O ministro também expressou sua vontade de que os professores possam ser vacinados o mais rápido possível, “no mais tardar em março, mas, se conseguirmos fazer isso antes, seria melhor”.

Férias prolongadas

A decisão da volta às aulas na França destoa de vários países europeus. Em regiões da Grã-Bretanha, as autoridades preferiram adiar a reabertura das escolas. Grécia, Polônia, Irlanda, Holanda, Áustria e Alemanha adotaram a mesma medida preventiva e preferiram adiar o fim das férias.

Apesar de causar polêmica, vários especialistas defendem a volta às aulas na França, como Robert Cohen, pediatra infectologista e presidente do Conselho Nacional de Pediatria do país. Segundo ele, a França “não está na mesma situação que o Reino Unido e a Alemanha”.

“Acabamos de sair de um lockdown. Temos números que ainda não são animadores, mas estamos em um platô e em fase decrescente. A vida sem escola, sabemos que custa caro. Por isso é preciso voltar às aulas e, sim, esse é um bom momento”, defendeu, em entrevista à Franceinfo.

O especialista afirma que os médicos franceses estão em contato com as autoridades sanitárias no Reino Unido, com quem compartilham informações. “Essa variante do vírus é mais transmissível entre adultos e crianças. Isso é uma verdade. Mas ela não é mais perigosa”, salienta.

Segundo ele, a quantidade de crianças hospitalizadas não aumentou devido à nova linhagem de coronavírus. “Estamos preocupados e mantemos a vigilância, mas não é o caso de fechar as escolas”, diz. “O mais coerente é de manter os cuidados, reforçar as medidas de higiene, multiplicar os testes e adaptar as medidas nas escolas à circulação do vírus”, conclui.

*Com informações da RFI.

Redação do Jornal Grande Bahia
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