Corte de 39 bilhões das merendas escolares gera crise de nutrição durante pandemia

Crianças da escola na vila de Koroko Foumasa, na Côte d'Ivoire.
Crianças da escola na vila de Koroko Foumasa, na Côte d'Ivoire.

Segundo o estudo “Covid-19, perdendo mais que as aulas”, numa tradução livre, mais de 370 mil crianças foram afetadas. Muitas delas dependem da merenda escolar para sobreviver. O relatório foi compilado com o apoio do Instituto Innocenti, do Unicef, e do Programa Mundial de Alimentos, PMA.

Transmissão

Desde o fechamento das escolas, em março passado, mais de 39 bilhões de merendas deixaram de ser distribuídas em todo o globo. A chefe do Unicef, Henrietta Fore, disse que apesar das provas contundentes de que as escolas não são um centro de transmissão da Covid-19, milhões de crianças continuam fora das salas de aula. E para os alunos que só comem no colégio, o fechamento representa mais do que perder o ensino, as crianças deixam de receber a nutrição para crescerem.

Fore afirmou que à medida em que se espera a vacina e se discute a reabertura das instituições de ensino, é preciso priorizar a merenda escolar. Ela defende mais investimento na higienização com fornecimento de sabão e água limpa em cada escola ao redor do mundo.

Êxodo escolar

Um motivo de preocupação para o Unicef é o êxodo escolar. Com a pandemia, 24 milhões de alunos correm o risco de desistir da educação, o que causaria um retrocesso no aumento do número de matrículas, obtido nas últimas décadas.

O diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos, David Beasley, disse que a perda da merenda escolar prejudica o futuro de milhões de crianças pobres pelo mundo. E o risco é para uma geração inteira.

Durante a pandemia, houve uma redução de 39% na cobertura de serviços de merenda escolar incluindo programas de micronutrientes em países de rendas baixa e média.

Além disso, os projetos de combate à má nutrição infantil também foram prejudicados. Como fechamento do ano passado, em alguns países, toda a merenda escolar foi suspensa.

Adolescentes com anemia

Antes da pandemia, em 68 nações, pelo menos a metade das crianças entre 13 e 17 anos indicavam sentir fome.

Dados de 17 países indicam que dois terços dos adolescentes entre 15 e 19 anos estão abaixo do peso. E mais da metade das adolescentes no sul da Ásia sofrem com anemia.

Nas áreas mais afetadas pelo vírus ebola, em 2014, no oeste da África, a insegurança alimentar aumentou em países que já sofriam altos níveis de subnutrição. E esta mesma tendência ocorreu em muitas nações durante a crise da Covid-19 incluindo a África Subsaariana e o sul da Ásia.

As refeições escolares são vitais para garantir a nutrição, o crescimento e o desenvolvimento da criança além de ser um forte incentivo para os alunos, especialmente crianças nos países mais pobres e em comunidades mais marginalizadas.

E no caso de meninas, estar fora da escola é um risco de ser vítima de casamentos forçados e de outros tipos de violência de gênero.

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