Reta final do CachoeiraDoc tem novos filmes liberados e encerramento com Tiganá Santana e Lande Onawale

Cena do curta 'Obatala film' de Sebastian Wiedemann.
Cena do curta 'Obatala film' de Sebastian Wiedemann.

O Festival de Documentários de Cachoeira (IX CachoeiraDoc), que nesta edição online homenageia a professora e líder religiosa Makota Valdina, abriu dois novos programas com 19 filmes gratuitos no site www.cachoeiradoc.com.br. O evento, que segue até o dia 20 de dezembro, será encerrado num ato poético com a presença do cantor, músico e compositor Tiganá Santana ao lado do poeta, contista e compositor Lande Onawale. O encontro musical será transmitido no domingo, às 16h, pelo Facebook e YouTube (CachoeiraDoc).

Os dois possuíam relação específica e especial com Makota Valdina, por isso, vão compartilhar um momento de conversa filosófica sobre o pensamento de Valdina Pinto, além das repercussões na sociedade e nas próprias obras dos artistas. O pensamento negro contemporâneo tem, na postura intelectual de Makota, uma importante referência, já que ela foi uma conhecedora do candomblé angola-congo, mas também, a partir desta matriz religiosa e suas cosmogonias, ela projetou-se como uma notável líder e intérprete de dilemas políticos, sociais e existenciais do nosso tempo.  A estilista Alice Pinto, sobrinha de Makota, participará com leituras de poemas da homenageada.

Tiganá Santana defendeu sua tese de doutorado no mesmo dia da passagem de Valdina Pinto (Makota Zimewanga ou Makota Valdina, como ficou conhecida): um estudo sobre a cosmologia bântu-kongo, a partir do congolês Bunseki Fu-Kiau. Essa abordagem faz ressoar as pesquisas da intelectual baiana e sua relação com o filósofo africano. Já Lande Onawale partilhou muita vivência religiosa e política com Makota.

Programa 3

Intitulado “E, de repente, o tempo voltou a se mover”, este programa traz nove filmes organizados em três sessões sob a curadoria de Fabio Rodrigues, Patrícia Mourão e Rayane Lessa. Esta mostra apresenta “filmes que descongelam o tempo ao trazer à tona uma memória esquecida, apagada ou silenciada nas fotografias e arquivos. Aqui, a memória latente reacende a brasa no coração do arquivo. Em grande parte das obras desta constelação, o gesto é de retornar para avançar, resgatar-se entre ou para além das imagens e documentos”, como aponta o trio.

Fazem parte do Programa 3: “NC5 contra a lei do impedimento” (Rio de Janeiro, 2019, 24 min.), de Lucio Branco; “Um de vermelho e um de amarelo” (Minas Gerais, 2020, 14 min.), de Frad, GM, Lipe; “Vander” (Bahia, 2019, 2 min.), de Barbara Carmo; “Cinema contemporâneo” (Pernambuco, 2019, 5 min.) de Felipe André Silva; “Formatura” (São Paulo, 2020, 8 min.), de Caio Franco; “Quando Era Primavera” (Goiás, 2019, 13 min.), de Lara Damiane; “Entre o céu e o subsolo” (Bahia, 2019, 43 min.), de Felipe da Silva Borges; “Não fique triste, menino” (Ceará, 2018, 8 min.), de Clébson Francisco; “O Bem Virá” (Pernambuco, 2020, 75 min.), de Uilma Queiroz.

Programa 4

Evelyn Sacramento, Kênia Freitas e Ramayana Lira assinam a curadoria do programa cujo título é “Toda articulação política é ficção científica”. Esta junção de filmes “desafia a pensar nos confins das imagens e dos sons e de nós mesmos. Especula um Brasil que não existe e, não existindo, permanece e se reinventa. Hiperficcionalizando e abrindo a ideia do documentário como registro do real para também tratar do hiper, do intra e do sub, que atravessam as nossas realidades”, como escrevem as curadoras na apresentação do Programa 4.

Desta constelação, fazem parte as seguintes obras: “Obatala film” (Minas Gerais, 2019, 7 min.), de Sebastian Wiedemann; “POPXOP” (Minas Gerais, 2019, 102 min.), de Natalino Maxakali e Ana Estrela; “A Cristalização de Brasília” (Distrito Federal, 2019, 7 min.), de Guerreiro do Divino Amor; “Reduto” (Bahia, 2020, 13 min.), de Michel Santos; “Invasão Espacial” (Distrito Federal, 2019, 15 min.), de Thiago Foresti; “VAZÃO” (Pernambuco, 2019, 9 min.), de Cecilia Assy e Marcia Rezende; “Lembrar daquilo que esqueci” (Espírito Santo, 2020, 20 min.), de Castiel Vitorino Brasileiro; “Rua Augusta, 1029” (São Paulo, 2019, 11 min.), de Mirrah Iañez; “Relatos Tecnopobres” (Goiás, 2019, 13 min.), de João Batista Gabriel Carvalho Silva; “Veias de Fogo” (Ceará, 2020, 18 min.), de coletivo Carnaval no Inferno.

Retorno para a programação

Dos quatro filmes que compõem a homenagem à Makota Valdina, dois voltam à programação nos últimos dias de CachoeiraDoc, 19 e 20 de dezembro, sábado e domingo: “Aleluia, o Canto Infinito do Tincoã” (Bahia, 2020, 70 min.), de Tenille Bezerra, e “Kalunga – memórias de um mar sem fim” (Bahia, 2020, 14 min.), de Renata Semanyangue.

Já “Pattaki” (Bahia, 2019, 21 min.), de Everlane Moraes, e “Retrato da Mestra Makota Valdina” (Minas Gerais, 2019, 92 min.), de César Guimarães e Pedro Aspahan, estão disponíveis desde o início desta edição do festival, 4 de dezembro, e poderão ser assistidos até o último dia.

Além disso, o filme que ocupou a sessão de abertura, “Acervo ZUMVI – O Levante da Memória” (Bahia, 2020, 36 min.), de Iris de Oliveira, também voltará ao site do CachoeiraDoc nos dias 19 e 20 dezembro. O doc aborda a trajetória do ZUMVI Arquivo Fotográfico, sua luta por preservação e o trabalho de Lázaro Roberto, o “Lente Negra”, referência em fotografia documental na Bahia.

Neste último fim de semana de festival, também voltam à programação os filmes que estiveram organizados nos Programas 1 e 2, respectivamente, as mostras “Nós nunca nascemos, nós nunca morremos. Nós transicionamos” e “Nem todo trajeto é reto”. Assim, os 42 filmes que integram a programação online do IX CachoeiraDoc estarão em cartaz para o público.

IX CACHOEIRADOC: 4 a 20 de dezembro de 2020

52 filmes gratuitos: 42 online e 10 presenciais

Transmissão gratuita das atividades pelo YouTube e Facebook: CachoeiraDoc

Encerramento: encontro entre o poeta, escritor e compositor Lande Onawale e o cantor, músico e compositor Tiganá Santana – 20 de dezembro, domingo, às 16h.

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