Parlamentares cobram definição do Desgoverno Bolsonaro sobre vacina contra a Covid-19 no Brasil

Joseildo Ramos (PT-BA), deputado federal.
Joseildo Ramos (PT-BA), deputado federal. Durante a sessão deliberativa virtual da Câmara, deputados se revezaram para comentar as falhas na política de imunização do Desgoverno Bolsonaro.

O início da campanha de vacinação contra a Covid 19 no Reino Unido levou os parlamentares de oposição a cobrar, durante a sessão virtual desta terça-feira (08/12/2020), uma política de imunização do governo brasileiro. A disputa pelos rumos da vacinação entre o presidente da República,  Jair Bolsonaro, e o governador de São Paulo,  João Dória, também foi alvo de críticas.

Para a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), o presidente da República prefere “fazer vitrines com seus trajes” a detalhar um plano de imunização da população brasileira, apesar dos 170 mil mortos. Bolsonaro inaugurou, nesta segunda-feira, uma exposição dos trajes usados na posse presidencial.

“Enquanto estamos observando, de forma até invejosa, os britânicos serem vacinados, nós não sabemos se em meados de 2021 teremos metade da população brasileira imunizada”, disse.

Para a líder do PCdoB, Perpétua Almeida (PCdoB-AC), a exposição demonstra que o governo está mais preocupado com “futilidades” do que com a vacinação do brasileiro.

O deputado Jorge Solla (PT-BA) também afirmou que o governo federal não tem um plano adequado. “Esta Casa não pode aceitar esta proposta ridícula do Ministério da Saúde que propõe levar todo o ano de 2021 para alcançar menos de 50% da população brasileira com a vacinação”, condenou.

Já o deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o Ministério da Saúde está um passo atrás na corrida pela vacina porque privilegiou a cloroquina. Para o deputado Joseildo Ramos (PT-BA), ingerências do governo federal na Anvisa podem adiar ainda mais a vacinação do brasileiro.

Bolsonaro versus Dória

A disputa entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o governo de São Paulo em torno da vacina foi alvo de críticas do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS). “Nós precisamos tomar um norte, um rumo, uma direção. A vacina, não importa se é chinesa, se é americana, se é russa, se é inglesa. Não importa. Ela tem que vir para o Brasil para atender o povo brasileiro.”, condenou.

Na avaliação do deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP), tanto o governo federal quanto o governo de São Paulo erraram na disputa. “Infelizmente, dentro dessa disputa, o governo federal agiu de maneira irresponsável durante toda essa pandemia, e também o governo de São Paulo tenta tirar proveito político e se cacifar. Mas isso só acontece porque existe um vácuo de gestão política dessa grave crise que o Brasil está vivendo”, disse.

O deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) saiu em defesa do presidente Jair Bolsonaro e criticou João Dória por afirmar que vai imunizar a população ainda que a vacina não tenha autorização da Anvisa. “Esse sujeito [Dória], de forma irresponsável — por que não dizer um verdadeiro maluco? —, está querendo submeter a população do Estado de São Paulo a uma campanha fictícia, a uma campanha fantasiosa”, criticou.

Disputa

Em reunião com os governadores nesta terça-feira, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford deverá ganhar aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim de fevereiro. Essa vacina é produzida em cooperação com a Fiocruz.

Em outra frente, o governador de São Paulo, João Dória, anunciou o início da vacinação contra a Covid-19 no dia 25 de janeiro no estado, com a aplicação da Coronavac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e produzida pelo Instituto Butantan. A vacina ainda não tem a aprovação da Anvisa.

Já os ingleses optaram por oferecer à população a partir desta semana a vacina produzida pela farmacêutica norte-americana Pfizer e pela empresa alemã BioNTec. A Rússia também já iniciou a vacinação com um imunizante chamado Sputinik.

*Com informações da Agência Câmara.

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Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).