Mil dias depois de morte de Marielle Franco, investigação não foi concluída; Polícia Civil diz que elucidação do caso é prioridade da atual gestão

Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco) era vereadora do Município do Rio de Janeiro pelo PSOL e presidente da Comissão da Mulher da Câmara Municipal. No dia 14 março de 2018, ela foi assassinada em um atentado ao carro onde estava, 13 tiros atingiram o veículo, matando, também, o motorista Anderson Pedro Gomes.
Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco) era vereadora do Município do Rio de Janeiro pelo PSOL e presidente da Comissão da Mulher da Câmara Municipal. No dia 14 março de 2018, ela foi assassinada em um atentado ao carro onde estava, 13 tiros atingiram o veículo, matando, também, o motorista Anderson Pedro Gomes.

Os assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes completam hoje (08/12/2020) mil dias, sem que a polícia tenha concluído suas investigações. Os dois foram mortos depois de terem seu carro atingido por disparos na noite de 14 de março de 2018, em uma rua do centro do Rio de Janeiro.

A Polícia Civil prendeu dois suspeitos de terem atirado contra as vítimas. Os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz foram presos em março de 2019. Até agora, no entanto, as investigações não conseguiram identificar se houve um mandante, quem seria essa pessoa e quais seriam suas motivações.

Por meio de nota, a Polícia Civil informou que as investigações da Delegacia de Homicídios da Capital continuam. A nota diz ainda que a elucidação dos assassinatos de Marielle Franco e de Anderson Gomes “é uma das prioridades da atual gestão”.

Deputados lembram mil dias do assassinato da vereadora Marielle Franco

A vice-líder do Psol, deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS), foi à tribuna lembrar nesta terça-feira (8) os mil dias passados desde o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, mortos em uma emboscada no Rio de Janeiro em março de 2018. Vestindo uma camiseta com os dizeres “Quem mandou matar Marielle”, a deputada lembrou que o mandante do crime ainda não foi revelado, assim como os motivos que levaram ao assassinato.

“São mil dias sem a companheira Marielle Franco e sem o Anderson Gomes. São mil dias sem justiça em nosso País, são mil dias de impunidade, sem que Estado brasileiro responda quem mandou matar a nossa companheira, amiga, vereadora, mulher negra, combativa, generosa, dona de um sorriso do tamanho do mundo”, disse Melchionna.

A deputada também criticou as notícias falsas espalhadas contra a vereadora Marielle Franco e cobrou a punição dos culpados. Dois ex-policiais militares suspeitos de executar o crime estão presos, mas ainda não foram julgados. Os acusados são ligados a milícias no Rio de Janeiro.

Raphael Sebba

Melchionna lembrou ainda as ameaças de morte dirigidas recentemente a outras parlamentares como Talíria Petrone e as vereadoras Duda Salabert, de Belo Horizonte, e Carol Dartora, de Curitiba. E destacou que punir os envolvidos no assassinato de Marielle Franco significa salvar a vida de outras vítimas da violência política.

Repercussão

O pronunciamento da deputada repercutiu entre os parlamentares de oposição. O deputado José Guimarães (PT-CE) afirmou que o assassinato da vereadora Marielle é um crime político que está impune. “Estamos irmanados nesta luta para esclarecer e identificar quem são os mandantes deste absurdo crime”, disse.

A líder do PCdoB, deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), também se aliou ao Psol. “Nossa solidariedade a todas as vítimas como Marielle Franco, uma mulher da política vítima exatamente de um assassinato político”, disse.

Para a deputada Érika Kokay (PT-DF), o assassinato de Marielle é uma tentativa de calar as ideias de um grupo. “São mil marielles que nascem todos os dias com ânsia de construirmos uma sociedade mais justa”, afirmou.

O deputado André Figueiredo (PDT-CE) também cobrou o esclarecimento do crime. “Queremos, é claro, que a morte de Marielle Franco possa ser esclarecida, para que a democracia não tenha uma página tão obscura dentro do nosso cenário já de tantas dificuldades”, avaliou.

A deputada Joenia Wapichana (Rede-RR) afirmou que Parlamento agir no combate à violência.

Sobre Carlos Augusto 9505 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).