Membros da direção da OAB Bahia podem sofrer representação no MPF e no Conselho Federal da Ordem por manter ativo registro profissional de agentes de organizações criminosas

Membros da Seção Bahia da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Bahia) podem ser acionados no MPF.
Membros da Seção Bahia da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Bahia) podem ser acionados no MPF.

Grupo de juristas prepara representação contra membros da direção da Seção Bahia da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Bahia) em decorrência de possível negligência e omissão ao manter ativo registro profissional de agentes de organizações criminosas, que se tornaram delatores e cuja atuação corrompeu parte do Sistema Judicial do Brasil, através de graves condutas que violam o código de ética da profissão, diz fonte do Jornal Grande Bahia (JGB).

A fonte revela, também, que as justificativas apresentadas pela OAB Bahia, em reportagens veiculadas pela mídia, são intelectualmente infantis, haja vista que existem documentos públicos que confirmam a condição de criminoso confesso destes advogados, citando como exemplo o Capo Júlio César Cavalcanti Ferreira (OAB Bahia nº 32.881), delator da Caso Faroeste.

Segundo a fonte, são diversos advogados que atuaram e continuam a atuar criminosamente sob o manto protetor da Seção da OAB Bahia, atitude que reposiciona a intuição para um misto de abrigo da Ordem dos Advogados Decentes conjugado com a Ordem dos Criminosos Adjacentes.

“É trágico que em muitos casos se quer exista abertura de processo disciplinar no âmbito da OAB Bahia”, lamentou a fonte, que, após o relato encaminhou o seguinte texto.

 A OAB e a o aguardo de informações do STJ

Tem-se observado a passividade da OAB em relação aos advogados envolvidos na operação Faroeste, é certo que para alguns deles haverá todo um processo penal a responder pela frente, onde deve ser resguardado o direito à ampla defesa.

Mas o que dizer de um delator confesso, cujos fatos estampam as capas de jornais e as mais diversas peças processuais e decisões publicadas neste periódico e na mídia do país inteiro.

Há pelo menos um réu confesso, delator e ainda advogado Julio Cesar Cavalcanti Ferreira, OAB-BA 32.881, líder de operações de venda de sentenças e decisões judiciais que tinha uma atuação digna de polvo e seus tentáculos, liderando e gerenciando a atuação de vários grupos concorrentes de venda de decisões judiciais e capaz de abocanhar qualquer causa de quem detivesse dinheiro para lhe pagar.

Ora, sem o Julio molusco e seus tentáculos, a engrenagem da venda de decisões judiciais jamais teria sucesso, jamais teria viabilidade. Atuava com liderança e chefia de quem era essencial ao esquema ilícito.

O rol de falcatruas parece infinito.

Era capaz de atuar pagando propina para nomeação de juízes encomendados para julgar processos de seu interesse; tinha uma rede de advogados próximos que lhe permitiam atuar para assegurar decisão favorável e até mesmo mudar de lado se houvesse qualquer chance de inadimplência ou melhor pagamento; detinha senha de servidores que lhe permitiam acesso direto ao sistema do Tribunal de Justiça; elaborava os votos e decisões que lhe eram convenientes; intermediava e cooptava a atuação das mais diferentes organizações criminosas, um verdadeiro líder coringa que articula e manobra os grupos com a finalidade de atingir seus objetivos nefastos.

Tudo isto é narrado nas peças processuais e decisões judiciais que vieram a público, aliás, fatos nunca negados pelo verdadeiro Al Capone (Alphonse Gabriel Capone, 1899 – 1947, mafioso estadunidense de origem italiana), ao contrário, foram declarados em delação premiada ratificada e até consolidados e reafirmados com a desfaçatez de um requerimento de pedido de perdão judicial.

Quer ver-se livre depois de delatar um esquema em que foi peça decisiva de funcionamento e ligação entre os diversos grupos ou organizações criminosas, capaz de derrubar um Secretário de Estado e fazer tremer as bases dos poderes públicos.

Imagine o leitor que se houvesse hoje um perdão judicial, o dublê de advogado (a classe não merece que se atribua a ele a designação de advogado) estaria livre para continuar advogando. Basta um olhar atento para constatar que o Julio nunca deixou de operar o esquema, mesmo após a delação.

Mas a OAB queda-se inerte, com todas as provas que estão aí a seu alcance, noticiadas nos mais diversos meios de comunicação, em peças processuais com citação de confissão de um marginal confesso, fecha os olhos e prefere pôr a culpa no STJ que não teria liberado a delação.

Ora, até quando a OAB-BA não dará a resposta à sociedade!

Sobre Carlos Augusto 9462 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).