FMI aponta prioridades para recuperação econômica no pós-pandemia

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Sede do FMI em Washington, nos Estados Unidos.
Recomendações do FMI incluem vigilância cuidadosa sobre os riscos dos altos níveis de endividamento, que devem aumentar de forma significativa em 2021. Ações incluem prudência em políticas econômicas e instituições, solidez no investimento em pessoas e foco na ação climática. Mundo está na iminência de enfrentar baixa da produção de US$ 11 trilhões em 2021. Chefe do FMI pede reestruturação imediata em países com dívida pública insustentável.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, FMI, apontou três necessidades para o momento de recuperação da pandemia.

Falando ao Conselho de Direção do órgão, Kristalina Georgieva citou como prioridades a prudência em políticas econômicas e nas instituições, a solidez no investimento em pessoas e a concentração na questão da mudança climática.

Pobreza

A chefe do FMI lembrou que a pandemia ceifou mais de 1 milhão de vidas. Ela enfatizou a “calamidade econômica” com a iminente contração da economia mundial em 4,4% este ano, a baixa da produção de US$ 11 trilhões em 2021, o desespero com as perturbações e o primeiro aumento da pobreza em décadas.

Em relação a políticas prudentes, Kristalina Georgieva defendeu estruturas sólidas de médio prazo para políticas monetárias, fiscais e financeiras. Estas podem ajudar a criar confiança e a resiliência necessárias para o futuro quando aplicadas com reformas para impulsionar o comércio, a competitividade e a produtividade.

As recomendações incluem vigilância cuidadosa sobre os riscos dos altos níveis de endividamento, que devem aumentar de forma significativa em 2021. Em economias avançadas as dívidas poderão representar 125% do Produto Interno Bruto, PIB. Nos mercados emergentes a proporção deve chegar a 65% e nos países de baixa renda 50%.

Georgieva lembrou que o Fundo tem apoiado o alívio da dívida em economias menos desenvolvidas e, tal como o Banco Mundial, a extensão pelo grupo das maiores economias mundiais, G20, da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida. Mas realçou que esta deve ser reestruturada sem demora onde é insustentável.

Sistemas de saúde

Como segundo imperativo, a chefe do FMI apontou que as pessoas devem estar no centro das políticas e que a pandemia expôs a importância de sistemas de saúde fortes.

A chefe do Fundo realçou ainda que o aumento da desigualdade e a rápida mudança tecnológica exigem fortes sistemas de educação e treinamento para abrir mais as oportunidades e reduzir disparidades.

Uma das questões é a igualdade de gênero que “pode ser uma virada de jogo global. ” Para os países com maiores lacunas de gênero, abordar o problema poderia aumentar o PIB em uma média de 35%.

Outra proposta é investir nos jovens que carecem de acesso à saúde, educação e também à internet que abre “as portas para a economia digital, essencial à para o crescimento e o desenvolvimento no futuro”.

Digitalização

Um dos exemplos é a projeção apontando que a expansão do acesso à internet na África Subsaariana em 10% da população impulsionaria o PIB real per capita em até 4 pontos percentuais. Outra vantagem da digitalização é a inclusão financeira que apoiaria o combate à pobreza.

Por último, Georgieva enfatizou o foco na ação climática destacando os danos diretos de cerca de US$ 1,3 trilhão após desastres climáticos na última década.

A chefe do FMI citou uma pesquisa da instituição revelando que a combinação certa do investimento verde e da subida de custos de carbono apoiariam a meta de zero emissões até 2050 e a criação de milhões de novos empregos.

Georgieva considera o momento de recuperação “uma oportunidade histórica de construir um mundo mais verde, próspero e com mais empregos”.

Empréstimos

O FMI já destinou mais de US$ 100 bilhões em empréstimos e disse contar com mais recursos substanciais da capacidade total de US$ 1 trilhão para apoiar os países nesta fase de crise.

A meta é continuar dando atenção especial às necessidades urgentes dos mercados emergentes e países de baixa renda. De acordo com a diretora-gerente a ênfase será dada aos Estados pequenos e frágeis para o pagamento de pessoal médico, proteção dos mais vulneráveis e apoio à economia.

*Com informações da ONU News,

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