Em novembro, Bahia teve o maior no de trabalhadores em seis meses, mas taxa de desocupação chegou a 19,8%, também a mais alta desde maio

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Tabelas informam índice de ocupação na Bahia em 2020.
Tabelas informam índice de ocupação na Bahia em 2020.

Em novembro, o número de pessoas trabalhando (população ocupada) na Bahia mostrou seu terceiro crescimento estatisticamente significativo consecutivo. Passou de 5,099 milhões em outubro para 5,174 milhões de pessoas de 14 anos ou mais de idade no mês passado (+1,5%), o que representou mais 76 mil trabalhadores.

Assim, o estado teve, em novembro, sua maior população ocupada desde maio, quando se iniciou a PNAD COVID19 e havia 5,125 milhões de trabalhadores na Bahia. Nesses seis meses, o número de ocupados cresceu 1,0%, com um saldo positivo de mais 50 mil pessoas trabalhando.

Com o maior número de trabalhadores, o nível da ocupação (percentual de pessoas de 14 anos ou mais de idade que estão trabalhando) também seguiu em alta no estado e chegou, em novembro, a seu maior patamar desde o início da PNAD COVID19, 43,1%, superando o indicador de maio (42,9%).

O avanço da ocupação na Bahia, entre outubro e novembro, ocorreu com mais força entre os empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada. Eles chegaram a 881 mil pessoas, 50 mil a mais que no mês anterior (+6,0%) e 212 mil a mais que em maio (31,7%).

O grupo dos empregados com carteira assinada também aumentou frente a outubro (mais 11 mil pessoas trabalhando nessa condição, ou +0,8%) e chegou a 1,454 milhão, 6,3% a mais que em maio (quando eram 1,367 milhão).

De outubro para novembro, o número de trabalhadores por conta própria na Bahia permaneceu estável, em 1,574 milhão, ainda menor que o de maio (1,780 milhão). Já o total de trabalhadores auxiliares familiares teve discreto crescimento (mais 6 mil pessoas, ou + 5,9%) e chegou ao maior patamar desde maio (109 mil pessoas).

Por conta desses movimentos, a taxa de informalidade seguiu mostrando tendência de alta na Bahia pelo terceiro mês consecutivo, ficando em 47,3% em novembro.

Isso significa que 2,450 milhões de trabalhadores baianos eram informais no mês passado (empregados do setor privado ou trabalhadores domésticos sem carteira assinada; empregadores ou trabalhadores por conta própria que não contribuíam para o INSS; ou trabalhadores não remunerados em ajuda a morador do domicílio ou parente). Em outubro, esse número era de 2,396 milhões, e o aumento absoluto de um mês para o outro no estado (+54 mil informais) foi o maior do país.

Em novembro, 8 das 12 atividades econômicas têm saldo positivo de trabalhadores na Bahia tanto frente a outubro quanto frente a maio

A alta na população ocupada, de outubro para novembro, foi de crescimentos em 8 dos 12 grupos de atividades pesquisadas.

Os segmentos com os maiores saldos positivos no número de trabalhadores, nessa comparação, foram informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (mais 26 mil pessoas ocupadas, ou +6,6%) e comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (mais 24 mil ou +2,6%).

Os dois grupos tiveram, no mês passado, o maior número de trabalhadores desde maio, quando se iniciou a PNAD COVID19 (427 mil e 957 mil, respectivamente). O mesmo aconteceu com a construção (438 mil pessoas ocupadas em novembro) e a administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (1,110 milhão).

Frente a maio, os maiores saldos positivos de trabalhadores ficaram com o comércio (mais 193 mil, ou +25,2%) e a construção (+87 mil, ou +24,7%).

Taxa de desocupação vai a 19,8% em novembro, na Bahia, a maior  desde maio no estado e a terceira mais elevada do país

O aumento do número de pessoas ocupadas na Bahia em novembro ainda não foi suficiente para fazer a taxa de desocupação recuar no estado.

Com a busca por trabalho mostrando tendência de alta mais uma vez, a taxa de desocupação (percentual de pessoas procurando emprego em relação às que estavam na força de trabalho) ficou em 19,8%, variando para cima em relação a outubro (quando tinha sido de 19,5%).

Foi a taxa de desocupação mais alta para o estado desde maio. Ainda assim, a Bahia caiu uma posição no ranking nacional desse indicador, de segundo lugar em outubro para terceiro em novembro, abaixo de Maranhão (21,7%) e Amapá (20,9%).

O número de pessoas desocupadas, ou seja, que procuraram trabalho e não encontraram, ficou em 1,276 milhão de pessoas, acima de outubro, quando havia 1,234 milhão de pessoas nessa situação (+3,4% ou mais 41 mil desocupados em um mês). Frente a maio, quando havia 851 mil pessoas desocupadas, a busca por trabalho na Bahia cresceu 49,8%, com mais 424 mil pessoas nessa situação em novembro.

O contínuo aumento no número de desocupados tem relação, mais uma vez, com a redução no número de pessoas que não estavam trabalhando, queriam trabalhar, mas nem chegaram a procurar emprego por causa da pandemia ou por não haver oportunidades onde viviam.

Esse grupo se reduziu pelo quarto mês consecutivo e chegou a 1,603 milhão de pessoas em novembro, na Bahia. Frente a outubro, quando havia 1,743 milhão de pessoas nessa situação, houve uma queda de 8,0% (-140 mil pessoas). Frente a maio, a retração foi de 21,5% (menos 438 mil).

Ainda assim, o contingente se manteve como segundo maior do país, abaixo apenas de São Paulo, onde 2,163 milhões de pessoas queriam trabalhar em novembro, mas nem chegaram a procurar por causas relacionadas à pandemia.

Em novembro, 1/4 dos trabalhadores na Bahia ganhou menos do que costumava e pouco mais de 1/2 dos domicílios recebeu auxílio

Em novembro, 1 em cada 4 pessoas ocupadas na Bahia ainda informaram ter ganhado menos do que costumavam: 1,298 milhão de trabalhadores ou 25,6% do total, maior percentual entre os estados.

Esse grupo, porém, diminuiu ao longo dos últimos seis meses: era de 2,127 milhões de pessoas em maio, ou 42,4% dos trabalhadores.

O rendimento médio mensal efetivamente recebido na Bahia, em novembro, foi de R$ 1.568, 7,3% menor que o habitualmente recebido no mês (R$ 1.691).

O número de domicílios em que ao menos uma pessoa recebeu algum auxílio emergencial também mostrou trajetória de queda no estado e chegou, em novembro, a 2,630 milhões.

Ainda assim, representava mais da metade das residências baianas (54,4%) e estava discretamente acima do verificado em maio, quando 2,615 milhões de domicílios eram de alguma forma atendidos pelo auxílio.

Outros indicadores exclusivos da PNAD COVID19 mostram que, em novembro, na Bahia, 194 mil pessoas ainda estavam afastadas de seus trabalhos devido ao distanciamento social, 83,3% menos que em maio, quando eram 1,165 milhão nessa situação. Além disso, no mês passado, 284 mil trabalhadores atuavam em home office, 1,4% a mais que em maio, quando eram 280 mil.

Em novembro, 1,087 milhão de estudantes na Bahia não tiveram atividades escolares, maior contingente do país; 93,7% deles estavam na rede pública

Em novembro, na última rodada da PNAD COVID19 e oito meses após a suspensão das aulas presenciais, 3 em cada 10 estudantes na Bahia não tiveram nenhuma atividade escolar disponibilizada (30,9%). Isso representava 1,087 milhão de pessoas: o maior número absoluto de estudantes sem aulas presenciais e sem atividades escolares do país, e o segundo maior percentual entre os estados, menor apenas que o do Pará (31,0%).

Pouco mais de 9 em cada 10 estudantes sem aulas presenciais nem atividades escolares na Bahia estavam na rede pública de ensino: 1,019 milhão ou 93,7%. Cerca de 6 em cada 10 (64,9% ou 706 mil) viviam em domicílios com rendimento mensal per capita menor que 1/2 salário mínimo. E 8 em cada 10 (84,4% ou 917 mil) eram pretos ou pardos.

Entre outubro e novembro, tanto o percentual quanto o número de estudantes baianos que não tiveram nenhuma atividade escolar disponibilizada praticamente não se alterou, mostrando, na verdade, uma discreta tendência de alta: de 29,6% (1,044 milhão) para 30,9% (1,087 milhão).

Em relação a julho, quando o tema começou a ser investigado pela PNAD COVID19, houve uma leve melhora. Naquele mês, 35,6% dos estudantes baianos não tiveram atividades escolares, o que significava 1,224 milhão de pessoas, 137 mil a mais do que em novembro.

No Brasil como um todo, 11,7% das pessoas que frequentavam escola não tiveram atividades disponibilizadas em novembro (5,276 milhões de estudantes). Em Mato Grosso do Sul (2,8%), Santa Catarina (3,0%) e no Paraná (3,0%) estavam os menores percentuais.

De julho a novembro isolamento rigoroso caiu quase pela metade na BA (-45,3%), e 2,3 milhões flexibilizaram ou abandonaram distanciamento social

Em novembro, 2,307 milhões de pessoas informaram estar rigorosamente isoladas na Bahia (15,4% da população), enquanto outras 6,206 milhões disseram ter ficado em casa e só saído por necessidade básica (41,6%).

Somando esses dois grupos, havia, na última rodada da PNAD COVID19, 8,512 milhões de pessoas no estado mantendo algum grau de isolamento social (57,0% da população, ou quase 6 em cada 10).

Esse grupo era bastante representativo na comparação com os demais estados e com o Brasil como um todo. A Bahia tinha o segundo maior percentual de isolamento social do país (57,0%), abaixo apenas do Piauí (57,8% da população em algum grau de isolamento). No Brasil 48,6% estavam nessa condição.

Entretanto, assim como ocorreu no país como um todo, a adesão ao isolamento na Bahia também caiu progressivamente. Frente a outubro, o número de pessoas de alguma forma isoladas (rigorosamente ou só saindo por necessidade) caiu 3,6% (menos 314 mil). Na comparação com julho, quando essa questão começou a ser investigada, a queda foi de 21,4%, o que representou menos 2,3 milhões de pessoas em algum grau de isolamento no estado, em quatro meses.

O recuo foi bastante concentrado entre os que estavam em isolamento rigoroso. Esse grupo caiu quase pela metade, entre julho (4,217 milhões) e novembro (2,307 milhões), o que representou menos 1,911 milhão de pessoas rigorosamente isoladas no período (-45,3%).

Por outro lado, em novembro, na Bahia, 6,099 milhões haviam flexibilizado o isolamento (40,9% da população) e 305 mil não faziam nenhuma restrição ao contato (2,0%), somando 6,404 milhões (43,0% da população).

Esse grupo cresceu 5,4% frente a outubro (mais 329 mil pessoas) e 58,0% na comparação com julho (mais 2,351 milhões, dos quais 2,211 milhões são pessoas que flexibilizaram o isolamento).

Até novembro, 13,3% da população baiana (1,992 milhão) tinham sido testados para Covid-19; 1 em cada 5 testes deu positivo (425 mil)

Até novembro, 13,3% da população baiana haviam feito algum tipo de teste para detectar a Covid-19, o que representou 1,992 milhão de pessoas.

Esse número cresceu mês a mês, ao longo do período de investigação da PNAD COVID9, chegando a novembro com mais 186 mil pessoas testadas (+10,3%) frente a outubro e um pouco mais que o dobro de pessoas testadas frente a julho (mais 1,081 milhão ou + 118,6%).

O percentual de testados na Bahia até novembro (13,3%) ficou próximo ao verificado no país como um todo (13,5% ou 28,592 milhões de pessoas), mas foi apenas o 13o entre as 27 unidades da Federação, empatado, no arredondamento, com Tocantins e Rio Grande do Norte.

O Distrito Federal (25,6%) encerrou a pesquisa com a maior proporção de testados, seguido por Goiás (20,7%) e Piauí (20,6%). Por outro lado, Acre (8,8%), Pernambuco(9,3%) e Alagoas (10,3%) tiveram os menores percentuais.

Na Bahia, dos cerca de 2,0 milhões que informaram ter sido testados até novembro, 425 mil (21,4%) tiveram resultado positivo, o que representou 2,8% de toda a população. Esse percentual foi o 21o entre os estados.

Roraima (7,9%), Amapá (7,5%) e Distrito Federal (6,1%) encerraram a pesquisa com os maiores percentuais da população com teste positivo. Minas Gerais (1,8%), Pernambuco (1,9%) e Rio Grande do Sul (2,3%) tiveram os menores.

No Brasil como um todo, 3,1% da população haviam testado positivo para a Covid-19 até novembro, o que representou 6,498 milhões de pessoas, 22,7% das que informaram ter realizado algum teste.

Entre maio e novembro, população com ao menos um sintoma de gripe caiu a menos da metade na Bahia (-56,9%), chegando a 630 mil pessoas

Em novembro, na Bahia, 630 mil pessoas, ou 4,2% da população, apresentaram pelo menos 1 dos 12 sintomas associados à síndrome gripal investigados pela PNAD COVID19.

Esse número mostrou tendência de queda mês a mês, no estado. Recuou 16,4% frente a outubro (menos 123 mil pessoas com sintoma) e caiu a menos da metade do que havia em maio (-56,9% ou menos 831 mil pessoas).

Ainda assim, em novembro, a Bahia tinha o 6o maior percentual de população com a menos um sintoma de gripe. Amapá (6,3%), Rio Grande do Sul (5,2%) e Paraíba (4,9%) lideravam.

Em termos absolutos, a Bahia encerrou a pesquisa com o terceiro maior número de pessoas com sintoma de gripe, atrás de São Paulo (1,8 milhão de pessoas, 3,8% da população) e Minas Gerais (1,0 milhão de pessoas ou 4,8% da população).

No Brasil como um todo, em novembro, 7,956 milhões de pessoas apresentaram ao menos um sintoma de gripe, o que representou 3,8% da população.

Na Bahia, das 630 mil pessoas com ao menos um sintoma em novembro, 148 mil (23,5%) procuraram atendimento médico em estabelecimento de saúde. No Brasil como um todo, 28,8% dos que apresentaram ao menos um sintoma (ou 2,293 milhões de pessoas) procuraram atendimento.

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