Segundo turno das Eleições 2020 frustra esquerda em três capitais, mas demonstra acúmulo de forças política

Em pleito marcado pela rejeição ao bolsonarismo, partidos de esquerda também colecionaram resultados negativos em SP, Porto Alegre e Vitória. Pela primeira vez desde a redemocratização, PT fica sem prefeitos em capitais. Guilherme Boulos (PSOL) ganhou projeção política em São Paulo.
Em pleito marcado pela rejeição ao bolsonarismo, partidos de esquerda também colecionaram resultados negativos em SP, Porto Alegre e Vitória. Pela primeira vez desde a redemocratização, PT fica sem prefeitos em capitais. Guilherme Boulos (PSOL) ganhou projeção política em São Paulo.

Se o primeiro turno marcou a rejeição pelo eleitorado de candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro, a segunda rodada de eleições neste domingo (29/11/2020) mostrou que uma fatia considerável do eleitorado também não quis chancelar a volta da esquerda em uma série de disputas pelo país.

Duas das principais candidaturas que mais despertaram entusiasmo entre militantes do campo da esquerda, Guilherme Boulos (PSOL), em São Paulo, e Manuela D’Ávila (PCdoB), em Porto Alegre, foram derrotadas por candidaturas que se apresentaram como centro-direita ou direita não bolsonarista.

Já o PT, que já havia registrado resultados negativos no primeiro turno, com a perda de 75 prefeituras em relação ao pleito de 2016, foi derrotado neste domingo em 11 das suas 15 disputas no segundo turno.

Pela primeira vez desde a redemocratização, em 1985, o partido não elegeu nenhum prefeito em capitais do país. Neste domingo, o partido esperava eleger o ex-prefeito João Coser, em Vitória, e a deputada federal Marília Arraes, no Recife. Mas Coser acabou sendo derrotado pelo bolsonarista Delegado Pazolini (Republicanos). Arraes, por sua vez, perdeu para João Campos, do PDT, que apesar de também ser do campo da esquerda, explorou o antipetismo na reta final da campanha.

Apesar dos resultados negativos, o PT se saiu um pouco melhor no grupo das 96 cidades mais populosas do país. Em 2016, o partido havia eleito apenas um prefeito nesse grupo, em Rio Branco, no Acre. Desta vez, o partido pelo menos elegeu quatro prefeitos nesse grupo: Juiz de Fora (MG), Contagem (MG), Diadema (SP) e Mauá (SP).

No entanto, tais vitórias ainda estão longe dos anos dourados da sigla. Em 2004, o PT chegou a governar nove capitais. Também administrou três vezes São Paulo. No pleito, de 2020, o partido amargou apenas 8,6% dos votos com a candidatura de Jilmar Tatto na maior cidade do país.

Já o PSOL, apesar da derrota em São Paulo, garantiu a eleição de Edmilson Rodrigues em Belém (PA), conquistando pela segunda vez em sua história uma capital para o partido. Em 2012, a sigla havia vencido o pleito em Macapá (AP).

Já no campo da centro-esquerda, o PDT e o PSB se saíram melhor, garantindo quatro capitais neste domingo. Ligado ao clã dos Gomes, José Sarto derrotou o bolsonarista Capitão Wagner (Pros) em Fortaleza. O PDT ainda venceu em Aracaju com Edvaldo Nogueira. O PSB, por sua vez, derrotou o PT no Recife e venceu com JHC em Maceió, contra o MDB.

*Com informações do DW.

Sobre Carlos Augusto 9512 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).