PCO nega apoio aos candidatos à prefeito de Feira de Santana no segundo turno das Eleições 2020 e prega voto nulo

Resultado do primeiro turno das Eleições 2020 para prefeito de Feira de Santana.
Resultado do primeiro turno das Eleições 2020 para prefeito de Feira de Santana.

Em nota enviada nesta quarta-feira (26/11/2020) ao Jornal Grande Bahia (JGB), o Partido da Causa Operária (PCO) de Feira de Santana negou apoiar os candidatos que disputam o segundo turno das Eleições 2020 e orientou a base do partido que votem nulo. A decisão foi tomada durante 31º Conferência Nacional do PCO e referenda pela executiva municipal.

Ultimo colocado no pleito, o candidato à prefeito Orlando Andrade (PCO) obteve 195 votos e a contagem ainda está sob análise da Justiça Eleitoral.

Disputam o segundo turno das Eleições 2020 para prefeito de Feira de Santana o deputado federal José Cerqueira Neto (Zé Neto, PT) e o prefeito Colbert Martins Filho (MDB).

Nota do PCO Feira de Santana pelo ‘Voto Nulo no 2º turno’

O Partido da Causa Operária lançou o trabalhador dos Correios, Orlando Andrade como candidato a prefeito de Feira de Santana, bem como candidatos à Câmara de vereadores. O eixo fundamental da nossa campanha foi a luta pelo Fora Bolsonaro, Lula presidente.

Neste segundo turno, em Feira de Santana, como no restante do país o PCO não apoiará nenhum dos candidatos.  A 31º Conferência Nacional do PCO realizada nos dias 21 e 22 de novembro, com a participação de dezenas de militantes do partido de norte a sul do país em São Paulo, aprovou a campanha pelo VOTO NULO no segundo turno das eleições.

Com respeito as candidaturas que foram ao 2º turno em Feira de Santana, salientamos que Colbert Martins, não merece nenhum voto , pois é inimigo dos trabalhadores, representante da direita que governa a cidade a mais de 20 anos, que agride os trabalhadores do comércio informal da cidade, que corta parte dos salários dos professores municipais em plena pandemia, além de defender os interesses dos responsáveis pela miséria social do povo de Feira.

Por sua vez, o candidato do PT, José Neto, apesar de ser um candidato da esquerda da cidade, está aliado com setores conservadores, tendo como vice na sua chapa eleitoral, o empresário Roque Santos, do Partido Progressista, partido esse ligado ao que existe de mais reacionário no país, é o partido do ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, ou seja um partido herdeiro da antiga Arena, da ditadura militar. Além disso, o PP é um partido fisiológico do “centrão” no Congresso Nacional, e hoje compõe a base do governo de extrema direita de Bolsonaro.

Essa aliança entre o PT (e outros partidos de esquerda) com partidos burgueses não é uma exclusividade do pleito eleitoral em Feira de Santana. No nosso estado, o governador Rui Costa, estabeleceu um co-governo com setores reacionários egressos do carlismo, como o vice governador João Leão, também do PP. Não por acaso, o governador Rui Costa ataca duramente os servidores públicos, realizou uma Reforma da Previdência estadual que não deve nada a implementada por Bolsonaro. Além disso, a PM baiana é um das mais violentas do país.

Defendemos a unidade dos trabalhadores e dos partidos de esquerda, mas é fundamental saber em torno de qual política. Estaremos juntos com o PT e demais partidos de esquerda e organizações populares na defesa das reivindicações dos trabalhadores e do povo oprimido, pelo Fora Bolsonaro e pelo restabelecimento dos direitos políticos do ex-presidente Lula.

Entretanto, o PCO não comunga com a política conhecida de frente ampla, que significa na prática subordinar os trabalhadores à política da burguesia, fortalecendo o centro da direita golpista, formada pelos mesmos partidos que deram o golpe de Estado de 2016.

Tampouco concordamos com a política do “mal menor”, que leva os trabalhadores apoiar no terreno eleitoral uma política contrária aos seus interesses.

Assim, inclusive setores que se apresentam como “radicais” como o PSOL estão apoiando e mesmo integrando frente ampla com carrascos dos trabalhadores. Como exemplo mais gritante, podemos destacar a cidade do Rio de janeiro, onde o PSOL, bem como os demais partidos da esquerda reformista como PT e PCdoB apoiam Eduardo Paes, do DEM.

Em Feira de Santana, o PSOL procura se apresentar como “ independente”, mas cumpre a função extremamente negativa de colocar à esquerda a reboque da direita, referendando a política de frente ampla com a direita golpista,  apoiando a candidatura de Zé Neto, o candidato do governador Rui Costa, que tem como vice, um membro do PP, um partido bolsonarista. Assim, com o pretexto de “combate” à direita, o PT, PCdoB com precioso auxilio do PSOL implementam uma frente ampla  com a direita em Feira de Santana.

Um exemplo cabal do significado político de um governo de aliança de classes, foi dado pelo vice-governador João Leão no material de campanha de Zé Neto “Essa parceria é a melhor que tem pois junta a experiência política de Zé Neto, que tem a força do povo, com Roque Santos que tem à força do comércio e do empresariado de Feira de Santana”

Neste sentido, o PCO como um partido operário, que procura representar as reivindicações das classes oprimidas de Feira de Santana não pode apoiar uma candidatura, que embora de esquerda, representa uma política de defesa do empresariado, que explora os trabalhadores.

Em virtude do conteúdo de classe tanto das alianças quanto da política estabelecida pela candidatura de Zé Neto, que se apresenta como representante da mesma política hostil aos trabalhadores do governador Rui Costa, o Partido da Causa Operária fará campanha pelo VOTO NULO no 2º turno das eleições municipais em Feira de Santana.

Feira de Santana, 23 de novembro de 2020

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9018 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).