O papel das redes sociais na política | Por Luiz Holanda 

Redes sociais são estruturas formadas dentro ou fora da internet, por pessoas e organizações que se conectam a partir de interesses ou valores comuns. Muitos confundem com mídias sociais, porém as mídias são apenas mais uma forma de criar redes sociais, inclusive na internetRedes sociais são estruturas formadas dentro ou fora da internet, por pessoas e organizações que se conectam a partir de interesses ou valores comuns. Muitos confundem com mídias sociais, porém as mídias são apenas mais uma forma de criar redes sociais, inclusive na internet


O aparato burocrático usado pelo Estado para administrar a coisa pública e o surgimento de partidos de massas de caráter democrático, fizeram surgir novos atores da democracia representativa, notadamente depois do colapso da União Soviética e dos seus aliados no Leste Europeu. O surgimento das redes sociais frustrou as políticas da socialdemocracia e social-liberal, bem como a importância dos meios tradicionais de comunicação e dos partidos políticos.

A eleição de Trump demonstrou isso. Usando com habilidade as redes sociais para se comunicar com o eleitor, Trump difundiu com sucesso suas teorias sobre o nacionalismo na economia e ultraconservadorismo nos costumes. Também defendeu o pleno emprego e a deportação dos imigrantes ilegais, além de ampliar o muro entre os Estados Unidos e o México para impedir novas imigrações.

A partir daí fez escola. Não se deve subestimar a influência que isso vem tendo na política do Ocidente, inclusive no Brasil com a eleição de Bolsonaro. As redes sociais tiveram um enorme avanço na comunicação com o eleitor. Utilizando a estratégia conhecida pelos teóricos americanos de “going públic (“indo a público”, Bolsonaro manteve uma comunicação direta com o eleitor através de sua rede contato sociais, enviando mensagens exclusivas ou por intermédio das transmissões ao vivo (“lives”) no Facebook e Instagram.

Isso permitiu-lhe uma maior interatividade com apoiadores e eleitores, ao ponto de assustar a classe política, alienada na maneira de se relacionar com os seus eleitores. Percebendo isso, Bolsonaro conseguiu se tornar o candidato mais popular nas eleições de 2018.

Tanto ele como Trump provavelmente não seriam sequer candidatos sem as redes sociais. Estas adquiriram tal protagonismo que conseguiu mudar o modo como fazer política eleitoral. Foi um verdadeiro tsunami, que varreu boa parte do Congresso nacional e o modo de atuar no parlamento brasileiro.

Nestas últimas eleições municipais muita gente teve de apagar de suas redes sociais as postagens em que pediam votos para seus candidatos. Bolsonaro, por exemplo, apagou sua manifestação de preferência por Russomano, em São Paulo, e por Crivella, no Rio de Janeiro.

Realmente, esperava-se que o uso das redes sociais assumisse um papel decisivo no pleito. Após impacto considerável nas eleições presidenciais, as redes não conseguiram mudar a vontade do eleitor. Os resultados demonstram que os brasileiros não levaram muito em conta as redes sociais para a decisão do voto. A opinião política das pessoas não sofreu grandes modificações.

Isso mostra que nem sempre a utilização das redes pode influenciar o cenário político com base nos algoritmos das plataformas digitais. Mesmo assim, não se deve negar que o debate político ocorrido nas redes sociais pode ser desprezado. As opiniões vão vocalizar e se ampliar nas redes sociais, independentemente do seu conteúdo.

Mas é preciso cuidado. O fato de você ter acesso a uma tecnologia não significa que você é um influenciador. As redes sócias fazem parte de uma tecnologia democrática, mas é preciso saber usá-la. Vamos ver agora o que vai acontecer com a sua utilização para influenciar o eleitor no segundo turno das eleições municipais. Todos vão usar as redes sociais. Só não se sabe é se o eleitor vai ser influenciado por elas.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

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About the Author

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: [email protected]