Newton Falcão: um homem à frente do seu tempo | Por Socorro Pitombo

Newton da Costa Falcão, prefeito de Feira de Santana de 1971 a 1973.Newton da Costa Falcão, prefeito de Feira de Santana de 1971 a 1973.


Um grande coração, homem de fé, empresário audacioso, pecuarista desbravador, político sério, um exemplo a ser imitado. Assim era Newton da Costa Falcão. Se vivo estivesse, neste 22 de novembro estaria completando 100 anos. A data será lembrada com a celebração de uma missa em ação de graças na igreja Santo Antônio dos Capuchinhos, às 8h30min de domingo (22).

Devido a pandemia, as homenagens serão restritas, além da missa, um vídeo está agendado para as 19h, com depoimentos de familiares, seguido de live com parentes e amigos. Vários outdoors serão colocados nas ruas centrais da cidade, com mensagens alusivas à data.

Prefeito de Feira de Santana entre 1971 e 1972, uma rápida, é certo, porém marcante passagem pela vida pública. Um político que mirava longe, dirigia seu olhar para o futuro grandioso da Princesa do Sertão. À frente da Prefeitura Municipal soube honrar o voto que o povo lhe conferira. Apesar das limitações políticas e financeiras a que foi submetido, o que realizou em apenas dois anos foi surpreendente.

Começou recompondo as finanças municipais e defendendo a ordem nas contas públicas. Valorizou os servidores do município, estendendo, a todos, o benefício do salário-mínimo, regularizando a sua situação junto ao INSS e qualificando os quadros da Prefeitura.

Newton Falcão também modernizou a gestão municipal e, com os olhos no futuro, criou o Centro Eletrônico de Processamento de Dados. Era o início da informatização dos serviços municipais.  As realizações estenderam-se também na área da saúde, educação, urbanização. Enfim, não restou em Feira, na cidade ou no campo, setor ou área que não tivesse merecido a sua atenção especial.

Filho de João Marinho Falcão, dele herdou o senso de responsabilidade, dignidade e ética profissional, predicados que exercitou por toda vida. Como cidadão, não se conteve nos limites do idealismo, do comodismo de um observador indiferente. Não mesmo. Tanto é assim que participou, ativamente, do cotidiano da sua cidade e trabalhou pela melhoria das condições de vida da sua gente. Como afirmou o primo e amigo, Joselito Amorim, “Newton defendia e amava a sua Feira – a nossa Feira- como ninguém”.

 Ainda jovem, incluiu-se entre os fundadores do Fluminense Futebol Clube e do Feira Tênis Clube. Dirigiu o Rotary Clube Feira de Santana e promoveu a criação do Rotary Clube Feira Leste. Presidiu a Associação Comercial de Feira de Santana e somou na implantação da Câmara de Dirigentes lojistas. Lutou pela consolidação da Santa Casa de Misericórdia e contribuiu, decisivamente, para a instalação da Diocese de Feira de Santana e para realização de inúmeros serviços cristãos e comunitários.

No convívio em família, constituiu sempre um referencial de amor, generosidade e respeito. Nos negócios, na vida social, nas lides políticas, ainda que não se afastasse facilmente dos seus pontos de vista, respeitava as ideias dos que lhe fizessem oposição.

 Na visão de Osvaldo Torres, era um servidor. Segundo ele, Tuca, como era conhecido entre os mais chegados, “nunca negou um favor, uma palavra, um conselho, um aval. Naquele jeito grandalhão e cheio de autoridade escondia um coração de criança grande, sensível e paternal”.

Por tudo isso, Newton Falcão merece todas as homenagens, que lhe são prestadas nesse dia tão especial em que se comemora o seu centenário de nascimento.

*Socorro Pitombo, jornalista.

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