Mercado São Miguel é reinaugurado no Centro Histórico de Salvador

Fachada do Mercado São Miguel.
Fachada do Mercado São Miguel.

Mais uma pérola do Centro Histórico de Salvador está de cara nova, mas sem perder o caráter cultural e comercial situado no coração da Baixa dos Sapateiros desde 1965. Depois do incêndio sofrido em 2017 e reconstrução de toda a estrutura realizada pela Prefeitura, o Mercado de São Miguel está de volta ao público mais bonito, moderno e com todos os protocolos de segurança sanitária, a partir desta quinta-feira (05/11/2020).

A abertura das atividades contou as presenças do prefeito ACM Neto, dos titulares das secretarias municipais de Ordem Pública (SEMOP), Marcus Passos, e de Infraestrutura e Obras Públicas (SEINFRA), Luciano Sandes; e da presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, além da imprensa. O equipamento funciona inicialmente de segunda a sábado, das 10 às 16 horas.

Ainda de acordo com as regras de combate à pandemia, a entrada no local é controlada e limitada a 172 clientes ao mesmo tempo. Será aferida, ainda, a temperatura dos visitantes e disponibilizado álcool em gel. O uso da máscara é obrigatório.

Na terça-feira (3), todos os permissionários do mercado foram testados para detecção de Covid-19, seguindo determinação dos protocolos das autoridades sanitárias. A administração do espaço é realizada pela SEMOP.

Transformação – Com projeto desenvolvido pela FMLF e execução pela Seinfra, através da Superintendência de Obras Públicas (SUCOP), o novo Mercado São Miguel tem uma área de 4.460 m², sendo 1.671 m² de espaço construído. O investimento total é de R$5,1 milhões e o projeto teve como objetivo conservear a tradição do centro de compras, levando em consideração as necessidades arquitetônicas atuais, como elementos de acessibilidade e paisagismo.

No total, são 40 boxes para comercialização de itens diversos, 28 bancadas de hortifruti e seis restaurantes. Além disso, a estrutura possui elementos de acessibilidade, ambiente para roda de capoeira, estacionamento com vagas para até 30 veículos e um santuário dedicado ao culto do santo, que recebeu a bênção do frei Edilson Santos, da Igreja do Convento de São Francisco.

O prefeito salientou que a reconstrução do mercado faz parte do foco da Prefeitura em investir na requalificação e preservação do Centro Histórico de Salvador. Dentre as ações mais recentes estão os recém-entregues arcos da Ladeira da Conceição, a requalificação em andamento do Terminal da Barroquinha e a muralha do Frontispício da Cidade, a ser entregue em breve.

“No início da gestão, conversamos com as pessoas que ainda resistiam no Mercado São Miguel. Foi tomada a decisão, dentro desse contexto de valorização do Centro Histórico, de recuperação de nosso patrimônio cultural, de colocar a antiga estrutura no chão e reconstruir um mercado novo, entregue hoje. Ele deverá se tornar um novo ponto de visitação turística e esse investimento, assim como os demais, é uma forma de projetar o futuro de nossa cidade preservando a própria história”, declarou ACM Neto.

Agradecimento

Um dos mais antigos permissionários do Mercado São Miguel, Derivaldo de Santana, mais conhecido como seu Deco, de 82 anos, era só felicidade com a nova estrutura. Ele contou que chegou ao mercado com a mãe e nove irmãos, trabalhando com venda de comidas, ainda na década de 1960, e acompanhou todo o processo de auge, degradação e luta pela preservação do espaço.

“Essa reforma é um presente de Deus. Para o que nós já vivemos aqui, no meio do lixo, das doenças, de muita coisa indesejável, hoje podemos dizer que estamos no céu. É um orgulho para toda a comunidade. Muita gente não acreditava, mas recebemos essa promessa que agora está sendo cumprida. É uma maravilha!”, exclamou emocionado.

Outro que também aprovou a intervenção foi o comerciante e capoeirista José Alves, o Zé do Lenço, figura presente no São Miguel desde a década de 1970. Ele lembrou que o local sempre foi um ponto significativo para a população, principalmente dos bairros Saúde, Nazaré e Pelourinho.

“No entanto, chegou a um ponto que ficou em ruínas. Havia uma grande feira livre que se acabou, mas eu sempre permaneci aqui. Pintava o chão sujo e era querido por muitos gringos, que se encantavam com uma capoeira no meio do mercado. Aí chegou essa nova gestão e fez esse mercado novo, o único com espaço próprio para a capoeira, o maculelê e demais manifestações. Só temos a agradecer e, claro, zelar pelo patrimônio para não voltar a ficar degradado”, destacou.

História

Inaugurado em 1965, o Mercado São Miguel é um símbolo do comércio da Baixa dos Sapateiros, tendo seu auge entre os anos de 1970 e 1980. A diversidade dos produtos vendidos no local chamava a atenção do público: carnes, peixe e frutos do mar, galinha caipira viva, ingredientes da culinária baiana e até ouro para fazer joias.

Por lá circulavam pessoas de diversas classes sociais e personalidades famosas, como os sambistas Batatinha, Riachão e Bezerra da Silva, e os escritores Jorge Amado e Jeová de Carvalho. A capoeira surgiu bem no meio da feira, o que garantia uma atração a mais para clientes e visitantes.

Em meados dos anos de 1990, teve início o processo de degradação do equipamento. Em 2017, um incêndio tornou o local sem condições de funcionamento. Com isso, em março de 2019, foi iniciada a reconstrução do Mercado São Miguel pela Prefeitura.

Área externa do Mercado São Miguel.
Área externa do Mercado São Miguel.
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