Maioria dos alunos na América Latina e Caribe estão sob risco de perder ano letivo de 2020 por causa da Covid-19, diz Unicef

Fundo das Nações Unidas para a Infância revela que 137 milhões de crianças e adolescentes na região ainda não voltaram às aulas; pandemia acentuou diferenças entre ricos e pobres; muitas crianças sem acesso à internet não puderam assistir às aulas remotas.
Fundo das Nações Unidas para a Infância revela que 137 milhões de crianças e adolescentes na região ainda não voltaram às aulas; pandemia acentuou diferenças entre ricos e pobres; muitas crianças sem acesso à internet não puderam assistir às aulas remotas.

A grande maioria dos alunos latino-americanos e caribenhos está fora das salas de aula desde o início da pandemia da Covid-19, em março de 2020.

Ao todo, são 137 milhões de crianças e adolescentes que correm o risco de perder o ano em 2020. Os dados constam de um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Com as escolas fechadas, um número recorde de alunos está passando mais tempo na frente de computadores.

Previsão

A agência estima que a perda média de dias de escolarização na região seja quatro vezes mais alta que a de alunos no resto do mundo.

Em toda a região, 11 milhões de pessoas foram contaminadas com o coronavírus.

Apesar da reabertura gradativa das escolas em várias partes do globo, a grande maioria dos colégios na América Latina e no Caribe segue fechada e sem previsão de retorno.

O relatório revela também as diferenças entre famílias ricas e pobres e como a falta de acesso a computadores e outros produtos de tecnologia impediram que muitos alunos assistissem às aulas remotamente.

Os dados do Unicef mostram também que a porcentagem de meninos e meninas que estão fora de qualquer processo formal de educação na região disparou de 4% a 18% nos últimos meses.

Na França, uma professora se conecta com seus alunos remotamente durante a pandemia de Covid-19.

Desafios

Segundo as projeções, a Covid-19 poderia deixar fora da escola até 3 milhões de alunos na América Latina e no Caribe. O diretor regional interino do Unicef para a região, Bernt Assen, afirma que milhões de estudantes mais vulneráveis podem jamais voltar a escola por causa da pandemia.

Ele disse ainda que para os que não têm computadores, acesso à internet e outros recursos o aprendizado a distância se transformou em desafios de proporções enormes.

Alguns dos 42 milhões de estudantes na região foram ensinados remotamente com a ajuda do rádio, da TV, da internet e outras plataformas com o apoio do Unicef.

Incentivos

A agência da ONU informou que os mais afetados neste processo foram os alunos migrantes, indígenas e que vivem com deficiência. O Unicef ressalta que crianças e adolescentes migrantes são os que mais correm risco de abandonar os estudos.

A agência da ONU citou que as famílias precisam de incentivos econômicos como o pagamento de matrículas, de almoço e de transporte escolar.

Sem ajuda, muitos pais terão que sacrificar a educação dos filhos. Um outro problema nesses tempos de Covid-19 é que uma em cada seis escolas na região precisa de fornecimento de água.

A agência pediu a todos os governos que acelerem os preparativos para a reabertura dos centros escolares incluindo a criação de instalações de água, saneamento e higiene

*Com informações da ONU News.

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