Joe Biden se aproxima da vitória para presidente dos EUA e Donald Trump diz que eleição está sendo “roubada”

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Resultado parcial das Eleições 2020 para presidente dos EUA, divulgado nesta sexta-feira (06/11/2020).
Resultado parcial das Eleições 2020 para presidente dos EUA, divulgado nesta sexta-feira (06/11/2020).

Com as chances de reeleição desaparecendo à medida que mais votos são contados, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou um ataque sem precedentes ao processo democrático do país de dentro da Casa Branca nesta quinta-feira (05/11/2020), alegando falsamente que a eleição está sendo “roubada”.

Sem oferecer provas, Trump criticou os trabalhadores eleitorais e alegou fraude nos Estados-chave onde os resultados estão levando o democrata Joe Biden para a vitória.

“Este é um caso em que eles estão tentando roubar uma eleição”, disse Trump.

Várias redes de notícias cortaram o pronunciamento do presidente, que falou por cerca de 15 minutos na sala de reuniões da Casa Branca, antes de sair sem responder a perguntas.

Biden, um ex-vice-presidente do país, continuava a diminuir a diferença para Trump nos Estados-chave da Geórgia e da Pensilvânia, enquanto mantinha vantagem pequena em Nevada e Arizona, se aproximando dos 270 votos necessários no Colégio Eleitoral para conquistar a Presidência.

Em três dos quatro Estados as margens entre os dois candidatos se estreitaram desde quarta-feira, à medida que os resultados dos centros de contagem eram atualizados, após uma eleição exaustiva e profundamente dividida.

Na Pensilvânia, a vantagem de Trump encolheu de 319.000 votos na quarta-feira à tarde para 74.000 no dia seguinte, enquanto sua margem na Geórgia caiu de 68.000 para menos de 4.000. Esperava-se que esses números continuassem a favorecer Biden, com muitos dos votos pendentes sendo oriundos de áreas que normalmente votam nos democratas, incluindo as cidades de Filadélfia e Atlanta.

Biden, por sua vez, viu sua liderança no Arizona cair de 93.000 para 56.500; ele estava à frente em Nevada por apenas 11.000 votos.

A maior parte das redes de televisão dos EUA apontava uma liderança de 253 a 214 para Biden sobre Trump nos votos do Colégio Eleitoral nesta quinta-feira. Biden também lidera Trump por mais de 3,7 milhões de votos populares, embora esse número não tenha poder de decisão no resultado final. Em 2016, Trump perdeu o voto popular para a então candidata democrata, Hillary Clinton, por cerca de 3 milhões, mas venceu a batalha nos Estados cruciais, conquistando a Casa Branca em uma vitória surpreendente.

Biden se tornará o próximo presidente se vencer a Pensilvânia ou ganhar dois do trio Geórgia, Nevada e Arizona. O caminho para Trump parecia mais difícil — ele precisa se agarrar à Pensilvânia e à Geórgia, além de ultrapassar Biden em Nevada ou Arizona.

Enquanto segue a apuração, as tensões aumentavam em alguns lugares, no segundo dia de manifestações, algumas vezes de grupos opostos, sobre a integridade da eleição.

Em um breve pronunciamento a partir de sua cidade de Wilmington, no Delaware, na tarde de quinta-feira, Biden novamente pediu paciência e para que todos os votos sejam contados.

“Não temos dúvidas de que quando a apuração acabar, a senadora Harris e eu seremos declarados os vencedores”, disse Biden, se referindo à sua companheira de chapa, a senadora norte-americana Kamala Harris. “Então eu peço que todos fiquem frios, que todos se mantenham calmos. O processo está funcionando, a contagem está sendo totalizada. E saberemos muito em breve”.

A campanha de Trump abriu vários processos em Estados cruciais e pediu a recontagem dos votos no Wisconsin, embora alguns especialistas jurídicos digam que as ações dificilmente irão afetar o resultado da eleição.

A eleição ficará marcada como uma das mais disputas mais incomuns na história moderna dos Estados Unidos, realizada durante a pandemia que matou mais de 234 mil norte-americanos e deixou milhões de outros sem emprego. Os temores sobre o vírus causaram um aumento expressivo nas votações por correspondência, e a trabalhosa apuração dessas cédulas colabora para os atrasos nos resultados.

Trump perde ações legais sobre apuração em Michigan e Geórgia; promete contestação em Nevada

A equipe de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, perdeu ações judiciais nos Estados-chave da Geórgia e de Michigan nesta quinta-feira, mas prometeu ingressar com uma nova contestação contra o que descreveu serem irregularidades em Nevada.

No caso da Geórgia, a equipe de Trump alegou que 53 cédulas atrasadas foram misturadas com cédulas dentro do prazo. Em Michigan, procurava interromper a apuração e obter maior acesso ao processo de contagem de votos.

Juízes estaduais rejeitaram os dois processos nesta quinta-feira.

O juiz James Bass, do tribunal superior da Geórgia, disse que “não havia provas” de que as cédulas em questão eram inválidas.

A juíza do Michigan Cynthia Stephens afirmou em sua decisão: “Não tenho base para concluir que há uma probabilidade substancial de sucesso quanto ao mérito.”

Aliados de Trump alegaram ainda que houve irregularidades na votação no populoso Condado de Clark, em Nevada, que inclui Las Vegas.

Uma porta-voz da campanha de Trump não respondeu aos pedidos de comentários sobre as decisões de Michigan e da Geórgia.

Os votos ainda estão sendo contados nos três Estados, que estão entre os poucos Estados-chave que podem decidir a Presidência.

Em uma entrevista coletiva em Las Vegas nesta quinta-feira, o ex-procurador-geral de Nevada Adam Laxalt e outros representantes da equipe de Trump não deram provas para apoiar suas alegações de irregularidades e não responderam às perguntas dos repórteres.

O candidato democrata Joe Biden tem uma pequena vantagem em Nevada, enquanto Trump uma pequena liderança na Geórgia e Biden tem uma projeção de vitória em Michigan.

Bob Bauer, um conselheiro sênior da campanha de Biden, chamou os vários processos judiciais de Trump de uma distração “sem mérito”, e disse que a estratégia foi projetada para minar a integridade do processo eleitoral.

“Não tem outro propósito além de confundir o público a respeito do que está acontecendo e apoiar suas alegações infundadas de irregularidade”, disse Bauer em conversa com repórteres.

Especialistas jurídicos-eleitorais disseram que a estratégia legal de Trump não deve ter um impacto decisivo no resultado da eleição.

Trump disse repetidamente que espera que a Suprema Corte dos EUA, que tem uma maioria conservadora de 6-3 incluindo três juízes que ele nomeou, tenha um papel fundamental.

Mas é improvável que o tribunal tenha a palavra final de forma decisiva, e qualquer contestação teria que seguir seu caminho através do processo judicial normal, dizem especialistas legais.

Com informações de Steve Holland, Trevor Hunnicutt, Jeff Mason, Lawrence Hurley, Julia Harte, Sarah N. Lynch, Daphne Psaledakis, Andy Sullivan, Susan Heavey e Doina Chiacu em Washington, Mimi Dwyer em Phoenix, Tim Reid em Los Angeles, Tom Hals no Delaware e Kanishka Singh, Jan Wolfe e Karen Freifeld da Agência Reuters.

Sobre Carlos Augusto 9652 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).