Instituto Hercule Florence em parceria com a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin lançam mapa interativo

Cartaz anuncia lançamento do Mapa Interativo da Expedição Langsdorff.
Cartaz anuncia lançamento do Mapa Interativo da Expedição Langsdorff.

Uma parceria entre o Instituto Hercule Florence (IHF) e a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) resultou na criação de um mapa interativo que permite aos internautas uma viagem virtual pelos caminhos da Expedição Langsdorff, missão científica que percorreu o interior do Brasil, do Rio de Janeiro até o Amazonas, entre 1825 a 1828, realizando um monumental levantamento de dados geográficos e etnográficos do país. O trajeto, que compreende a segunda etapa da missão, foi elaborado a partir dos registros que o artista e inventor Hercule Florence incluiu em seu livro documental e autobiográfico L’ami des Arts livré à lui-même, na seção “Voyage Fluvial du Tiété à l’Amazonie”, a última versão do diário que ele escreveu sobre sua participação na Expedição como desenhista.

O Atlas foi concebido para ser um instrumento inovador de divulgação de uma das coleções mais importantes da BBM – os relatos e imagens produzidos por viajantes, brasileiros e estrangeiros, que percorreram o país entre o século XVI e início do século XX. No site que abriga o Atlas, o usuário poderá acessar esses conteúdos de diversas maneiras: acompanhando a rota percorrida por um viajante específico; comparando informações sobre um local determinado produzidas por dois ou mais viajantes; filtrando as informações por assuntos e temas do seu interesse. A plataforma também está aberta a contribuições de outras instituições e de pesquisadores. Essa prática colaborativa foi inaugurada pela parceria entre a BBM e o IHF, que possibilitou incluir no Atlas a viagem de Hercule Florence.

A Expedição Langsdorff

Patrocinada pelo Império Russo e encabeçada pelo barão Georg Heinrich von Langsdorff, médico alemão naturalizado russo e cônsul da Rússia no Império do Brasil, a Expedição Langsdorff foi realizada em duas etapas: uma terrestre (1821-1825) e outra fluvial (1825-1828), que percorreu mais de 13 mil quilômetros pelos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Grão-Pará, a maior parte navegando pelos rios Tietê, Paraná, Paraguai, Tapajós e seus afluentes.

Hercule Florence, contratado com apenas vinte anos de idade como segundo desenhista da Expedição, na segunda etapa da viagem, documentou em seus diários e desenhos as impressões sobre a paisagem, os índios, a fauna e a flora dos locais por onde passou.

Em 1828, antes do término da Expedição, o Barão Langsdorff foi infectado por malária e começou a apresentar indícios de loucura. Ao final da viagem, foram enviados para o Império Russo animais empalhados, amostras de plantas nativas, documentos e ilustrações que estão atualmente na Academia de Ciências de São Petersburgo.

Após um longo processo de pesquisa, o mapa interativo do IHF foi desenvolvido pelo historiador e biólogo João Carlos Cândido Santos e pela historiadora do Instituto, Moema de Bacelar Alves. Além dos registros da Voyage Fluvial de Florence, foram pesquisados outras fontes e documentos, como relatos de viajantes, mapas, bases de dados cartográficas, relatórios institucionais e depoimentos de habitantes locais. Cada local sinalizado no trajeto foi averiguado buscando obter o maior grau de confiabilidade possível, sendo georreferenciados em uma base cartográfica a partir do programa Google Earth. Para determinados locais, estão disponíveis, de forma interativa, os respectivos trechos do diário de viagem de Florence, complementadas por imagens produzidas por ele.

Sobre Hercule Florence

Nascido em Nice, França, em 1804, e cidadão de Mônaco, Hercule Florence foi desenhista e pintor de formação autodidata. Jovem inquieto e curioso, leitor de Robinson Crusoé e apaixonado por viagens, em 1824 desembarcou no Rio de Janeiro, sendo contratado com apenas vinte anos de idade como segundo desenhista da Expedição Langsdorff (1825 a 1828).

No Brasil, a referência fundamental para o estudo da trajetória e do legado de Florence é o livro do historiador Boris Kossoy, Hercule Florence: A Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil (Edusp/2006). Florence tem sido também cada vez mais reconhecido internacionalmente como um dos pioneiros do processo fotográfico, com citações em importantes publicações internacionais sobre história da fotografia, como A World History of Photography, de Naomi Rosenblum; Les Multiples Inventions de la Photographie, org. Jean-Pierre Bady, com artigo de Boris Kossoy; Seizing the light: A History of Photography, de Robert Hirsch; e The Thames & Hudson Dictionary of Photography, editado por Nathalie Herschdorfer (2015). Sua obra foi tema, ainda, de uma mostra no Nouveau Musée National de Monaco, entre março e setembro de 2017.

Sobre o Instituto Hercule Florence

O Instituto Hercule Florence (IHF) foi fundado em São Paulo em 2007 e certificado como Organização Social de Interesse Público (OSCIP) em 2009. Seus objetivos são a coleta, organização, conservação e divulgação da bibliografia e de documentos sobre o século XIX brasileiro, reunindo um acervo próprio composto por biblioteca e arquivos especializados. O centro de seus interesses consiste no estudo dos diversos viajantes do século XIX e suas narrativas, bem como na produção científica e cultural da Expedição Langsdorff (1825-1828), e na vida e obra do artista e inventor franco-monegasco Hercule Florence (1804-1879), dispondo de uma bibliografia atualizada sobre o autor: bit.ly/HF-Bibliografia. Entre suas realizações estão o lançamento do fac-símile do livro L’Ami des Arts livré à lui-même, de Hercule Florence, e a exposição O olhar de Hercule Florence sobre os índios brasileiros.

Sobre a BBM

Aberta ao público em 2013, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) é um órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo (USP). Foi criada em janeiro de 2005 para abrigar e integrar a coleção brasiliana reunida ao longo de mais de oitenta anos pelo bibliófilo José Mindlin e sua esposa Guita. O acervo reúne material sobre o Brasil ou que, tendo sido escrito e/ou publicado por brasileiros, seja importante para a compreensão da história e cultura do país. O conjunto é constituído por obras de literatura, história, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários, periódicos, mapas, livros científicos e didáticos, iconografia e livros de artistas. São cerca de 32 mil títulos que correspondem a 60 mil volumes aproximadamente.

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