Governo Trump retira formalmente Estados Unidos do Acordo de Paris

Retirada oficial dos EUA do pacto global para conter as mudanças climáticas, anunciada inicialmente pelo presidente Donald Trump em 2017, isola ainda mais o país no cenário internacional. Biden prometeu recolocar EUA no acordo.Retirada oficial dos EUA do pacto global para conter as mudanças climáticas, anunciada inicialmente pelo presidente Donald Trump em 2017, isola ainda mais o país no cenário internacional. Biden prometeu recolocar EUA no acordo.


Os Estados Unidos se retiraram nesta quarta-feira (04/11/2020) formalmente do Acordo de Paris, se tornando o primeiro país do mundo a abandonar o pacto climático internacional firmado há cinco anos para controlar as emissões que causam o aquecimento global.

O presidente americano, Donald Trump, anunciou há mais de três anos a intenção de deixar o acordo e notificou a ONU sobre o início do processo de retirada há exatamente um ano.

A efetivação da saída de um dos países mais poluentes do mundo ocorre em um momento de incerteza sobre quem ocupará a Casa Branca a partir de janeiro. O candidato democrata, Joe Biden, prometeu que, se ganhar as eleições, recolocará os EUA no pacto.

Nem a Casa Branca nem o Departamento de Estado americano se pronunciaram sobre a saída formal do país, mas o prazo para o rompimento do acordo já estava previsto para a meia-noite de quarta-feira. A retirada foi anunciada por Trump no dia 1º de junho de 2017, meses depois de chegar ao poder.

O presidente prometeu que deixaria o acordo – assinado por cerca 189 países – com o argumento de que o pacto colocaria a economia e os trabalhadores americanos em “permanente desvantagem”.

No entanto, o artigo 28 do Acordo de Paris indica que qualquer país que tivesse ratificado o acordo, como é o caso dos EUA, somente poderia solicitar a saída três anos depois de sua entrada em vigor, ou seja, no dia 4 de novembro de 2019. Uma vez feito o pedido formal, era necessário esperar outro ano para que a saída fosse efetivada.

A saída dos Estados Unidos do acordo isola ainda mais o país no cenário internacional, mas não tem impacto imediato sobre os esforços para conter o aquecimento global. O Acordo do Paris visa controlar o aumento das temperaturas mundiais, mantendo as abaixo de 2°C e de preferência as limitando as 1,5°C em comparação com os níveis pré-industriais.

Cientistas afirmam que um aumento superior a 2°C pode ter um impacto devastador em grandes partes do mundo, elevando o nível do mar, provocando tempestades tropicais mais intensas e agravando fenômenos naturais como secas e inundações.

Pelo acordo, os países se comprometeram a definir metas próprias para reduzir os gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono. O único requisito obrigatório estabelece que as nações relatam com precisão seus esforços para alcançar essa meta.

Saída de vários acordos

Os Estados Unidos são o segundo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, atrás apenas da China. Por isso, a contribuição do país é vista como um passo importante para conter o aquecimento global.

Embora o governo Trump tenha evitado propor medidas para tal, estados, cidades e empresas americanas assumiram esse papel e prometeram seguir em frente com seus próprios esforços.

Desde que chegou ao poder, Trump retirou os EUA de diversos pactos e fóruns multilaterais, entre eles o acordo nuclear com o Irã, o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Em julho, Trump iniciou o processo para retirar o país da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas esta medida não será efetivada antes de julho de 2021. Biden prometeu anular o processo caso vença as eleições.

O candidato democrata também afirmou que, se chegar à Casa Branca, pressionará outros países a assumirem compromissos mais ambiciosos na luta contra o aquecimento global.

*Com informações do DW.

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