Em carta apelo ao STF, ex-ministro Geddel Vieira Lima diz que enfrenta “imensidão de dificuldades”; Político condenado tem R$ 6 milhões investido e aposentadoria de R$ 13 mil

Geddel Vieira Lima diz que enfrenta imensa dificuldade com R$ 6 milhões investido e aposentadoria de R$ 13,5 mil. Ex-ministro quer parcelar a multa aplicada pelo Supremo Tribunal Federal no Caso Lava Jato.
Geddel Vieira Lima diz que enfrenta imensa dificuldade com R$ 6 milhões investido e aposentadoria de R$ 13,5 mil. Ex-ministro quer parcelar a multa aplicada pelo Supremo Tribunal Federal no Caso Lava Jato.

Reportagem de Thiago Bronzatto, publicada na Revista Veja Online no dia 7 de novembro de 2020 (sexta-feira), revela que para Geddel Vieira Lima a vida não está nada fácil. O ex-ministro foi condenado a 14 anos e 10 meses de prisão depois que a polícia encontrou R$ 51 milhões escondidos em malas guardadas num apartamento em Salvador, o político, além da pena, foi multado em 1,6 milhão de reais. Com boa parte dos bens bloqueados, ele tem tentado parcelar o valor em 20 vezes para poder cumprir a sua pena em casa. Para convencer o Supremo Tribunal Federal (STF) a aceitar a sua proposta, Geddel escreveu uma carta de próprio punho no mês passado, relatando a “imensidão das dificuldades” que tem enfrentado.

O ex-ministro diz que os seus rendimentos têm sido utilizados para bancar despesas familiares como escola de seus três filhos, condomínio, água, luz, telefone, alimentação, transporte, saúde, honorários de advogados, entre outras. Por essa razão, ele não poderia abrir mão dos recursos que restaram em sua conta: uma aplicação em previdência privada de R$ 6 milhões e uma aposentadoria mensal de R$ 13 mil. Esse dinheiro, segundo Geddel, é crucial para preservar as “condições de enfrentamento de emergências” que “nessa difícil quadra da vida” da sua família “possa surgir”.

A decisão caberá ao ministro Edson Fachin, responsável pelo caso no Supremo. “Confiamos no senso de justiça e acreditamos que será encontrada a melhor solução para quitar a multa”, afirma o advogado Roberto Podval, que defende o ex-parlamentar.

Geddel ficou preso preventivamente por três anos. Até que durante a pandemia, em julho passado, ele conseguiu uma decisão liminar do ministro Dias Toffoli, do STF, para sair da cadeia e ficar isolado em casa. O ex-deputado de 61 anos de idade, portador de comorbidades, é considerado grupo de risco da Covid-19.

Em sua residência, em Salvador, Geddel anda com uma tornozeleira eletrônica. Ele está autorizado a malhar na academia do seu edifício e brincar no playground com os seus filhos. Numa noite, o ex-ministro levou um susto. O equipamento disparou e não parava de fazer barulho. Para não correr o risco de acharem que ele estava tentando fugir, ligou para a central de monitoramento para avisar que havia um problema no seu aparelho. Um servidor da secretaria de administração penitenciária da Bahia chegou a ir até o local para verificar a situação. De fato, era apenas uma falha técnica.

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