Editorial: Sem ódio e medo religioso, eleitor concedeu 8 vitórias ao PT em Feira de Santana e tem a opção pela mudança no comando da Prefeitura

Eleitor de Feira de Santana escolheu no primeiro turno das Eleições 2020 que quer a mudança de poder no governo municipal e pode confirmar a opção no segundo turno.
Eleitor de Feira de Santana escolheu no primeiro turno das Eleições 2020 que quer a mudança de poder no governo municipal e pode confirmar a opção no segundo turno.

O discurso do ódio e do medo religioso foram intensificados a enésima potência durante o segundo turno das Eleições 2020 de Feira de Santana, cuja disputa se encerra neste domingo (29/11/2020), quando os eleitores podem escolher pela mudança de poder ao votar em José Cerqueira Neto (Zé Neto, PT), ou a continuidade política dos últimos 20 anos, representada na tentativa de eleição do prefeito Colbert Martins Filho (MDB), liderado do ex-prefeito José Ronaldo (DEM).

As forças conservadoras lideradas pela campanha de Colbert Filho optaram por vis ataques contra o opositor Zé Neto. Os resultados imediatos foram as seguidas derrotas na Justiça Eleitoral, inclusive com a retirada da veiculação programas eleitorais do candidato dos veículos de radiodifusão.

Expedientes que, em tese, violam a Lei Eleitoral foram denunciados por fontes de Jornal Grande Bahia (JGB) durante a campanha em Feira de Santana. Neste sentido, relatam as fontes, políticos apoiadores da candidatura de Colbert Martins cometeram abuso de poder econômico e político, promovendo reuniões em empresas e repartições; ocorreu a intensificação da distribuição de cestas básicas em reuniões em que estava presente o prefeito; foi feito uso da religião como instrumento de luta política, com viés alienador; e publicações, das últimas semanas ocorridas no Diário Oficial tentaram conciliar setores descontentes com a administração municipal.

A tática do medo, do incerto, ódio a esquerda, o patético apelo religioso de base sectária e os abusos de poder econômico e político não levaram em consideração que o eleitor de Feira de Santana tem concedido seguidas vitórias aos candidatos à presidente da República e governador da Bahia do Partido dos Trabalhadores (PT) e que, portanto, esses argumentos não surtiram efeito considerável sobre a liberdade que o eleitor tem, assegurada pelo sigilo do voto, no momento em que pode decidir quem será o próximo governante do município em que habita.

Trajetória de vitórias do trabalhismo

Neste sentido, o Partido dos Trabalhadores obteve vitórias em Feira de Santana nas eleições para presidente de 2002, optando por Luiz Inácio Lula da Silva; em 2006, votaram mais uma vez em Lula para presidente e em Jaques Wagner para governador; reelegendo Wagner, em 2010 e elegendo Dilma Rousseff presidente; e em 2014, ela foi reeleita e Rui Costa foi eleito governador.

Nas Eleições de 2018, Rui Costa (PT) foi reeleito governador, obtendo a acachapante vitória com 5.096.062 (75,50%) dos votos válidos. Em segundo lugar ficou o ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo (DEM), com 1.502.266 (22,26%) dos votos válidos.

Em Feira de Santana o resultado das Eleições de 2018 foram um pouco diversos para governador, com José Ronaldo obtendo 147.930 votos (51,25%), contra 133.761 votos (46,34%) de Rui Costa. Mas, observa-se que nesta eleição o ex-prefeito teve uma perda de 64.478 mil votos, quando comparado com o resultado das Eleições Municipais de 2016, oportunidade em que obteve 212.408 (71,12%) votos, sendo reeleito prefeito.

Novos paradigmas

Observa-se, também, que uma relação de confiança em políticos do Partido dos Trabalhadores, para presidente da República e governador do estado, foi estabelecida junto ao eleitorado de Feira de Santana.

Identificar como transmitir esses elementos de confiança para uma campanha municipal foi fundamental. É neste ponto que entra o deputado estadual e ex-secretário de Comunicação Robinson Almeida (PT).

Ele exerceu um papel de liderança na campanha de Zé Neto ao unir pontos antagônicos de poder, ajustar a linguagem publicitária e estabelecer alianças estratégicas com setores conservadores, concedendo mais tempo livre para o candidato à prefeito dialogar diretamente com o eleitor.

A opção pelo slogan ‘Governo da Mudança’ capturou o sentimento populacional de conceder o poder a um novo grupo político e a vitória ocorreu no primeiro turno das Eleições de 2020 em Feira de Santana, quando Zé Neto obteve 119.862 votos (41,55%), enquanto Colbert Martins ficou com 110.146 votos (38,18%).

A vitória no primeiro turno em Feira de Santana foi carregada de simbolismos. Era a 8ª vitória do PT em Feira de Santana, a primeira derrota municipal do grupo liderado pelo demista José Ronaldo em 20 anos de poder e a primeira vez que ocorria segundo turno na disputa para prefeito, desde 2000.

Opção pela independência 

Neste domingo (29), o eleitor de Feira de Santana deve ponderar sem medo, preconceito ou ódio religioso em quem vai votar para prefeito, se na mudança representada por Zé Neto (PT), ou na continuidade administrativa representada por Colbert Martins (MDB).

O sufrágio é o grito de independência política do cidadão e ele deve fazê-lo na plenitude das liberdades que séculos de luta lhes concederam.

A soberania do povo, na decisão sobre a vida material, é disso que se trata a escolha do próximo governante de Feira de Santana.

*Carlos Augusto, jornalista e cientista social, diretor do Jornal Grande Bahia (JGB).

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9307 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).