Temendo impostos com Joe Biden, estadunidenses ricos se apressam em mudar planos de herança

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Joe Biden, candidato à presidente dos EUA pelo Partido Democrata.

Estadunidenses ricos estão correndo para mudar seus planejamentos sucessórios antes do fim de 2020, temendo que o candidato democrata Joe Biden ganhe as eleições presidenciais dos Estados Unidos e aumente os tributos, dizem consultores financeiros de grupos de alta renda.

A maior preocupação é que a Casa Branca e o Congresso possam ser varridos por uma “onda azul” de vitórias democratas que darão a Biden o poder de propor e aprovar um amplo conjunto de reformas tributárias.

Pessoas de alto patrimônio estão especialmente nervosas com a possibilidade de uma isenção permitindo que indivíduos deixem até 11,58 milhões dólares para herdeiros, sem impostos sobre propriedades ou doações, possa ser reduzida antes de seu vencimento original, em 2025.

Os democratas querem elevar os impostos sobre a renda à “norma histórica”, de acordo com a plataforma econômica do partido. Isso poderia significar reduzir a isenção para 5,49 milhões de dólares, o valor em vigor antes de o presidente republicano, Donald Trump, assinar um amplo projeto de tributos que incluiu benefícios para corporações e norte-americanos endinheirados em 2017, disseram conselheiros.

Não está claro como será a eleição ou que reforma tributária, se alguma, seria aprovada. As alterações no código tributário também podem ser complexas e demoradas. Mas, à medida que Biden avançou nas pesquisas eleitorais, os ricos estão correndo para criar fundos e revisar os existentes antes do fim do ano para evitar consequências fiscais em 2021, disseram conselheiros.

“A pergunta de 11,58 milhões de dólares é: ‘O que vai acontecer com a isenção do imposto sobre doações e bens?’”, disse Toni Ann Kruse, uma advogada imobiliária de Nova York que aconselha pessoas com alto patrimônio. “Não sabemos quem vai ganhar a eleição ou controlar a Câmara ou o Senado –e todos esses fatores influenciam o que pode acontecer.”

Biden também “retornaria o imposto de renda aos níveis de 2009” para financiar licenças familiares e médicas, de acordo com seu site.

Seu plano também inclui o aumento de impostos sobre ganhos de capital de longo prazo, que é o lucro obtido com a venda de ativos que se valorizaram. Os contribuintes com renda acima de 1 milhão de dólares pagariam um imposto de renda de 39,6% sobre o lucro, em vez do regime atual que implica um teto de taxação de 20% para indivíduos com renda de 441,45 mil dólares ou mais.

Em um comunicado, o porta-voz da campanha de Biden, Andrew Bates, reiterou a intenção do candidato de mudar a legislação tributária de forma a beneficiar as pessoas com menor patrimônio.

“Joe Biden está concorrendo para reconstruir a espinha dorsal desta nação –a classe média norte-americana–, garantindo que nossa economia recompense o trabalho e não apenas a riqueza”, disse ele.

O aumento nos pedidos de mudanças em planejamentos sucessórios se intensificou em junho, quando Biden ultrapassou Trump nas pesquisas, disseram assessores. Várias empresas disseram que estão sobrecarregadas com solicitações desde então e esperam que os negócios aumentem mais no fim do ano.

*Com informações de Suzanne Barlyn e Trevor Hunnicutt, da Agência Reuters.

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