Pobreza extrema aumenta pela primeira vez em 20 anos, diz Banco Mundial

Crianças fazem fila para uma refeição diária em área carente do Equador
Crianças fazem fila para uma refeição diária em área carente do Equador.

O Banco Mundial divulgou nesta quarta-feira (07/10/2020) que, em 2020, a extrema pobreza global deverá aumentar pela primeira vez em mais de duas décadas. Extrema pobreza significa viver com menos de US$ 1,90 por dia.

Além disso, até 2021, a Covid-19 e a recessão global podem fazer com que até 150 milhões de pessoas caiam na pobreza extrema. Isso representa cerca de 1,4% da população mundial.

Uma em cada cinco crianças vive em pobreza extrema, com menos de US$ 1,90 por dia, e quase metade das crianças do mundo vive em pobreza “moderada”, com menos de US$ 3,10 por dia.

Erradicação

Os dados são do novo estudo Pobreza e Prosperidade Compartilhada. O lançamento marca o início de uma série de ações voltadas para o Dia Mundial para Erradicação da Pobreza, a ser celebrado em 17 de outubro.

Segundo o estudo, a Covid-19 não é a única responsável pelo agravamento da situação: o relatório aponta os conflitos e as mudanças climáticas como fatores importantes.

Antes da pandemia, justamente por causa dos conflitos globais e das mudanças no clima, o progresso na redução da pobreza global já estava mais lento. Entre 1990 e 2015, por exemplo, a pobreza global caiu cerca de um ponto percentual por ano. Esse ritmo diminuiu para menos de meio ponto percentual por ano entre 2015 e 2017.

Ainda assim, se não fosse pela Covid-19, a taxa de pobreza provavelmente teria caído para 7,9% em 2020. Com a pandemia, esse percentual ficará entre 9,1% e 9,4% da população global, semelhante ao registrado em 2017.

Brasil

Dentre os novos pobres do mundo, 82% vivem em países considerados de renda média, como o Brasil.

O relatório também mostra que, diferentemente de anos anteriores, o nível de prosperidade compartilhada diminuirá. Isso quer dizer que a renda média dos 40% mais pobres do mundo ficará menor.

Anteriormente, entre 2012 e 2017, havia ocorrido crescimento de 2,3% na prosperidade compartilhada. Sem ações políticas para promover uma retomada econômica inclusiva, a pandemia pode desencadear ciclos de maior desigualdade de renda e menor mobilidade social entre os vulneráveis.

Segundo o novo estudo do Banco Mundial, os países precisarão se preparar para uma economia diferente pós-Covid19, permitindo que o capital, a mão-de-obra, as habilidades e a inovação alcancem novos negócios e setores.

Recuperacão

O Banco Mundial definiu como meta diminuir para 3%, até 2030, o percentual de extrema pobreza no mundo. Sem ação política rápida e significativa, essa taxa pode ser de aproximadamente 7% daqui a 10 anos.

Para ajudar os países a enfrentar a Covid-19 e impulsionar a recuperação econômica, a instituição anunciou em abril deste ano um pacote financeiro de até US$ 160 bilhões, a serem liberados ao longo de 15 meses. Desse total, cerca de US$ 4,5 bilhões estão sendo destinados à América Latina e ao Caribe.

Redação do Jornal Grande Bahia
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