Papa Francisco restitui à humanidade a sua consciência, diz Al-Tayyeb grão imame de Al-Azhar

Papa Francisco e Ahmad Al-Tayyeb. O grão imame de Al-Azhar comentou em tuíte a encíclica “Fratelli tutti” publicada pelo Pontífice no dia da festa de São Francisco de Assis.
Papa Francisco e Ahmad Al-Tayyeb. O grão imame de Al-Azhar comentou em tuíte a encíclica “Fratelli tutti” publicada pelo Pontífice no dia da festa de São Francisco de Assis.

É uma mensagem que “restitui à humanidade a sua consciência”. Este é um comentário especial entre os muitos que nestas horas estão sendo colocados nas redes após a publicação da encíclica do Papa Francisco “Fratelli tutti”. O texto foi publicado no tuíter pelo grão imame de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, que junto com o Pontífice assinou o “Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da convivência comum”, em Abu Dhabi em fevereiro de 2019. A terceira encíclica de Francisco é inspirada nessa declaração comum, e o próprio Al-Tayyeb é citado várias vezes no texto.

“A mensagem de meu irmão Papa Francisco, ‘Fratelli tutti’ – escreve o Grande Imame em um tuíter publicado na tarde de 4 de outubro de 2020 – é uma extensão do documento sobre a fraternidade humana, e revela uma realidade global cujas posições e decisões são instáveis e são as pessoas vulneráveis e marginalizadas que pagam o preço…. É uma mensagem dirigida às pessoas de boa vontade e consciência viva e que devolve à humanidade a sua consciência”.

O juiz Mohamed Mahmoud Abdel Salam, Secretário Geral do Alto Comitê para a Fraternidade Humana, participou da apresentação da encíclica que foi realizada na Nova Sala do Sínodo dos Bispos.

Papa revela inspiração em líder muçulmano para redigir encíclica

O papa Francisco disse que se inspirou em um dos principais clérigos muçulmanos do mundo, o imã Ahmad Al-Tayyeb, ao escrever sua nova encíclica, a “Fratelli Tutti” (“Todos Irmãos” em italiano).

Al-Tayyeb é o grande imã da Mesquita de Al-Azhar e reitor da universidade de mesmo nome, situadas no Cairo, capital do Egito.

Francisco já se encontrou com o líder sunita em diversas ocasiões e assinou com ele, em 2019, um documento sobre a fraternidade humana, um dos temas de sua nova encíclica.

“Se na redação da Laudato si’ [sua segunda encíclica] tive uma fonte de inspiração no meu irmão Bartolomeu, o patriarca ortodoxo que propunha com grande vigor o cuidado da criação, agora senti-me especialmente estimulado pelo grande imã Ahmad Al-Tayyeb, com quem me encontrei, em Abu Dhabi, para lembrar que Deus ‘criou todos os seres humanos iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade, e os chamou a conviver entre si como irmãos'”, escreve o Papa logo no início da “Fratelli Tutti”.

A encíclica cita Al-Tayyeb em quatro passagens que falam sobre o “enfraquecimento dos valores espirituais”, o relacionamento entre Ocidente e Oriente, o comprometimento com a tolerância e a incompatibilidade entre religiões e guerra.

“Naquele encontro fraterno [em Abu Dhabi], que recordo jubilosamente, com o grande imã Ahmad Al-Tayyeb declaramos – firmemente – que as religiões nunca incitam à guerra e não solicitam sentimentos de ódio, hostilidade, extremismo nem convidam à violência ou ao derramamento de sangue. Estas calamidades são fruto de desvio dos ensinamentos religiosos, do uso político das religiões e também das interpretações de grupos de homens de religião que abusaram da influência do sentimento religioso sobre os corações dos homens”, escreve o Pontífice.

Em outra passagem, Francisco lembra que ele e Al-Tayyeb pediram aos “artífices da política internacional e da economia mundial para se comprometer seriamente na difusão da tolerância, da convivência e da paz; para intervir, o mais breve possível, a fim de se impedir o derramamento de sangue inocente”.

Como grande imã de Al-Azhar, o clérigo é tido como autoridade máxima no islamismo sunita, que é majoritário entre os muçulmanos.

*Com informações do Vaticano News e ANSA.

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9168 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).