Na ONU, extremista Jair Bolsonaro ataca ONGs e critica cobiça estrangeira pela Amazônia; Psicopatia do presidente não tem limites

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Extremista Jair Bolsonaro incentiva crimes ambientais no Brasil, mas nega fato durante discurso remoto na ONU.
Extremista Jair Bolsonaro incentiva crimes ambientais no Brasil, mas nega fato durante discurso remoto na ONU.

Sem provas, presidente volta a culpar organizações por crimes ambientais, em discurso na Cúpula da Biodiversidade. Ele ainda defende soberania brasileira sobre a Floresta Amazônica, alvo de “cobiça internacional”.

O presidente Jair Bolsonaro voltou a acusar organizações não governamentais de cometerem crimes ambientais, sem apresentar provas, e a dizer que a Amazônia é alvo de cobiça estrangeira, em discurso na Cúpula da Biodiversidade das Nações Unidas nesta quarta-feira (30/09/2020).

“Rechaço de forma veemente a cobiça internacional sobre a nossa Amazônia. E vamos defendê-la de ações e narrativas que agridam a interesses nacionais”, disse o presidente no pronunciamento previamente gravado e exibido durante a cúpula.

Ele ainda afirmou que não pode aceitar que “informações falsas e irresponsáveis sirvam de pretexto para a imposição de regras internacionais injustas, que desconsiderem as importantes conquistas ambientais que alcançamos em benefício do Brasil e do mundo”.

Bolsonaro tem sido alvo de duras críticas internacionais pelas políticas ambientais de seu governo, que já o indispuseram com países europeus e hoje ameaçam a ratificação do acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

Enquanto isso, o governo tem rechaçado e rebatido com dados controversos as notícias sobre o desmatamento e as queimadas na Amazônia e no Pantanal, que aumentaram drasticamente sob a gestão de Bolsonaro e inflaram as pressões internacionais.

O presidente e seus aliados alegam que as críticas vêm de países com interesse comercial sobre a Amazônia ou que visam desestabilizar o governo. Diante disso, eles vêm insistindo que o Brasil é soberano sobre os recursos naturais de seu território.

No pronunciamento desta quarta-feira, não foi diferente: Bolsonaro voltou a evocar o discurso da soberania. “Ao longo dos anos, como parlamentar, e agora como presidente da República, sempre deixei claro que uma das prioridades do Estado brasileiro deveria ser a proteção e a gestão soberana de nossos recursos naturais”, declarou.

Segundo ele, “a Convenção sobre Diversidade Biológica consagra o direito soberano dos Estados de explorar seus recursos naturais, em conformidade com suas políticas ambientais”. “É exatamente isso o que pretendemos fazer com a enorme riqueza que existe no território brasileiro”, disse.

A Convenção sobre Diversidade Biológica é um tratado internacional firmado na Cúpula da Terra das Nações Unidas realizada no Brasil em 1992. Tem três objetivos: a conservação da diversidade biológica; o uso sustentável da natureza; e a repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes da ciência genética.

“É preciso que todos os países cumpram com suas responsabilidades, arquem com a parte que lhes cabe e se unam contra os males como a biopirataria, a sabotagem ambiental e o bioterrorismo. Meu governo mantém firme o compromisso com o desenvolvimento sustentável e com a gestão soberana dos recursos brasileiros”, completou.

Ataque a ONGs

Em relação às ONGs, o presidente afirmou que elas são responsáveis por crimes ambientais no Brasil e no exterior, mais uma vez sem apresentar ou mencionar provas de suas acusações. A fala ocorreu num trecho do discurso em que ele destacava as ações do governo para combater o desmatamento e as queimadas na Amazônia e no Pantanal.

“Na Amazônia, lançamos a Operação Verde Brasil 2, que logrou reverter, até agora, a tendência de aumento da área desmatada observada nos anos anteriores. Vamos dar continuidade a essa operação para intensificar ainda mais o combate a esses problemas que favorecem as organizações que, associadas a algumas ONGs, comandam os crimes ambientais no Brasil e no exterior.”

Bolsonaro ainda insistiu na importância de combinar sustentabilidade e desenvolvimento, defendendo assim a exploração racional e sustentável dos recursos presentes no território brasileiro, “em prol de nossa sociedade”.

“Temos a obrigação de preservar nossos biomas e, ao mesmo tempo, precisamos enfrentar adversidades sociais complexas, como o desemprego e a pobreza, além de buscar garantir a segurança alimentar do nosso povo”, afirmou.

Discurso anterior na ONU

Esse foi o segundo discurso de Bolsonaro a líderes mundiais em menos de dez dias. Na semana passada, o presidente já havia falado durante a abertura da Assembleia Geral da ONU, que ocorre de forma virtual devido à pandemia de covid-19.

Na ocasião, ele afirmou que o Brasil é alvo de uma campanha mundial de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal e defendeu sua gestão da crise do coronavírus.

Bolsonaro também usou o discurso de 22 de setembro para atacar a imprensa, apelou ao combate ao que chamou de “cristofobia” e elogiou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na mediação de conflitos no Oriente Médio.

Extremismo | Os ataques de Bolsonaro contra a imprensa: “Encher sua boca de porrada”

Ao ser questionado em 23 de agosto por um repórter sobre depósitos de Fabrício Queiroz e sua mulher que teriam sido feitos na conta da primeira-dama, Bolsonaro respondeu: “Vontade de encher tua boca com porrada, tá? Seu safado”. A ameaça gerou uma série de críticas e notas de repúdio.

*Com informações do DW.

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