Jornalista Glenn Greenwald deixa de atuar no site The Intercept e alega censura em artigo sobre Joe Biden candidato à presidência dos EUA

Com a censura imposta pelo The Intercept USA, o jornalista Glenn Greenwald decidiu publicar matérias na plataforma Substack.Com a censura imposta pelo The Intercept USA, o jornalista Glenn Greenwald decidiu publicar matérias na plataforma Substack.


O jornalista ganhador do Prêmio Pulitzer Glenn Greenwald (53 anos), anunciou nesta quinta-feira (29/10/2020) a saída do cargo de editor e colaborador do The Intercept dos Estados Unidos da América (EUA), após o site se recusar a publicar artigo escrito por ele com críticas a Joe Biden, candidato democrata à presidência os EUA.

Glenn Greenwald é reconhecido por ter sido um dos primeiros jornalistas a reportar os documentos vazados por Edward Snowden sobre a Agência de Segurança Nacional americana (NSA), em 2013, informou que está deixando o site, que fundou no ano seguinte com Laura Poitras e Jeremy Scahill.

“Os editores do ‘Intercept’, violando meu direito contratual de liberdade editorial, censuraram um artigo que escrevi esta semana, recusando-se a publicá-lo a não ser que eu removesse todos os trechos com críticas ao candidato democrata à presidência, Joe Biden”, relatou Greenwald em seu blog.

Segundo Greenwald, o artigo se referia a depoimentos e e-mails revelados recentemente e que envolvem a conduta de Hunter Biden, filho do candidato democrata, acusado de ter monetizado o acesso a seu pai.

Para aqueles que vivem no Brasil, este episódio ilustra “o vírus que infectou quase todos os veículos de comunicação e instituições acadêmicas de centro-esquerda”, declarou o jornalista. “As mesmas tendências à repressão, censura e homegeneidade ideológica que atingem a imprensa nacional em geral chegaram ao veículo que fundei, como colofão, com a censura a um de meus artigos”, criticou Greenwald.

Os e-mails que envolviam Hunter Biden foram publicados em um artigo do “New York Post” cuja divulgação no Twitter foi restringida pela rede social. Os diretores da plataforma alegaram que o artigo violava várias de suas regras. O Facebook também bloqueou os links para o texto.

Os principais veículos de comunicação foram criticados por conservadores por suas reportagens escassas sobre esses e-mails, entregues ao New York Post por Rudy Giuliani, advogado de Trump. Para Greenwald, o jornalismo de hoje está “em crise, paralisado” pelo que vê como domínio de uma corrente de pensamento que enfraquece a liberdade de expressão e o direito de resposta.

A equipe editorial do Intercept afirmou que a edição do artigo tinha a intenção de garantir que o mesmo fosse “justo e preciso”, por considerar o texto tentava “reciclar as afirmações questionáveis da equipe de campanha de Trump e transformá-las em jornalismo. Foi Glenn que perdeu suas raízes jornalísticas.”

O Intercept foi criado por Greenwald e pelo grupo First Look Media, do multimilionário franco-americano Pierre Omidyar, fundador do eBay.

Sobre o site de notícias

The Intercept é uma publicação, na forma de jornal on-line independente. Foi lançada em fevereiro 2014 pela First Look Media. A organização de notícias foi criada e financiada por Pierre Omidyar, fundador da eBay, e os seus editores são Laura Poitras, cineasta, documentarista e escritora e Jeremy Scahill, jornalista investigativo norte-americano, especialista em assuntos de segurança nacional e autor do livro Blackwater: The Rise of the World’s Most Powerful Mercenary Army. A versão brasileira passou a ser veiculada em 2 de agosto de 2016.

*Com informações do Yahoo Notícias e AFP.

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Artigo do jornalista Glenn Greenwald sobre Joe e Hunter Biden censurado pela The Intercept USA

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