Força-Tarefa Postalis deflagra Operação Combustão; MPF e PF investigam corrupção no fundo de previdência

MPF e PF deflagram Operação Combustão.

A Força-Tarefa Postalis, em conjunto com a Polícia Federal, deflagrou a Operação Combustão. Foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Brasília, Recife (PE) e Maceió (AL). Os policiais estiveram em endereços ligados a Mílton de Oliveira Lyra Filho e a empresas utilizadas pelo investigado para lavagem de dinheiro e ocultação de provas – entre elas a Fênix Consultoria e a Meu Storage Locação de Imóveis. Mílton já era alvo de outras investigações na FT. É apontado como líder de organização criminosa voltada a crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, tráfico de influência e lavagem de capitais. Somente nesse caso, estima-se que a Orcrim recebeu mais de R$ 87 milhões, em prejuízo do Postalis.

A operação, deflagrada na quinta-feira (15/10/2020), foi motivada após os procuradores terem acesso a informações que revelaram a prática reiterada de abertura e encerramento de empresas ligadas a Mílton. O objetivo era ocultar e dissimular a natureza, localização e movimentação de valores ilegais recebidos pelos envolvidos. Os recursos eram movimentados de sua origem ilícita, remetidos para o exterior – utilizando para isso a Fênix, que possui off shore na Flórida – e posteriormente enviados aos beneficiários finais.

As investigações revelaram que Mílton Lyra construiu, ao longo dos anos, ampla rede de vínculos, diretos e indiretos, com pessoas jurídicas, funcionários, sócios e outros parceiros, a fim de obter vantagens por meio de crimes como aqueles contra o Sistema Financeiro Nacional e tráfico de influência. Os procuradores também apontam que a organização criminosa atua influenciando em decisões de agentes públicos.

Apesar das medidas restritivas impostas ao investigado em outros processos nos quais Mílton já figura – tais como a impossibilidade de viajar para o exterior, ou o bloqueio de valores em contas bancárias – Mílton criou novos meios para a continuidade dos crimes, a partir do mecanismo de uso de várias pessoas jurídicas, ligadas a diferentes pessoas físicas. Além disso, o MPF tomou conhecimento de que o investigado possivelmente passou a utilizar um storage para guardar documentos que desejava ocultar das autoridades policiais. A conduta foi adotada na época da deflagração da Operação Rizoma, em 2018.

A Operação Combustão apreendeu laptops, celulares, cartões de memória, documentos e até obras de arte. A partir dessas apreensões, os procuradores esperam elucidar os novos fatos descobertos, bem como reunir provas sobre os desvios de valores. Nesse contexto, a medida também pode servir para a recuperação dos danos causados pela organização criminosa.

O nome combustão faz referência à Fênix Consultoria e ao fato de Mílton ter se reinventado para continuar praticando ilícitos, mesmo após o avanço de investigações contra ele. Segundo a mitologia grega, a Fênix entrava em processo de autocombustão quando morria, para então, renascer das suas próprias cinzas.

A FT Postalis chegou a pedir a prisão de Mílton Lyra, mas a Justiça indeferiu o requerimento.

O caso tramita na 12ª Vara de Justiça federal, sob o número 1025824-60.2020.4.01.3400 .

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9371 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).