É muito mais provável que Jair Bolsonaro perca as eleições de 2022 do que ganhe, diz publicitário João Santana em entrevista ao programa Roda Viva

João Santana, publicitário jornalista, músico, escritor.Publicitário João Santana é entrevistado do programa Roda Viva com mediação de Vera Magalhães.


O programa Roda Viva desta segunda-feira (26/10/2020) recebeu o jornalista, músico, escritor e publicitário João Santana. Essa é a primeira entrevista concedida desde que foi preso, em 2016, pela Polícia Federal (PF), decorrente das investigações da força-tarefa do Caso Lava Jato em Curitiba.

Com apresentação de Vera Magalhães, o Roda Viva vai ao ar toda segunda-feira, às 22h, na TV Cultura. Participaram da bancada de entrevistadores Fábio Zanini, repórter especial do jornal Folha de S. Paulo; Malu Gaspar, jornalista da revista Piauí; Guilherme Amado, jornalista da revista Época; Débora Bergamasco, repórter do SBT Brasil; e Fernando Rodrigues, diretor de redação do Poder360.

Imagem do extremista Jair Bolsonaro

João Santana falou sobre a imagem de Jair Bolsonaro diante da população brasileira e se existe possibilidade de uma reeleição em 2022.

“Ao contrário do que se diz hoje, é muito mais provável que Bolsonaro perca as eleições [de 2022] do que ganhe, é muito mais provável. Primeiro porque ele não foi esse fenômeno eleitoral, a eleição que foi atípica ”, avaliou.

Para Santana, o presidente teve uma “lua de mel frígida” após as eleições de 2018 e que o resultado das urnas não acompanhou sua popularidade até se estabilizar com a chegada da pandemia do novo coronavírus.

“A Lava Jato foi o melhor esquema de marketing político já montado no Brasil”, diz João Santana

João Santana avaliou o impacto da do Caso Lava Jato no cenário político brasileiro.

“A Lava Jato foi o melhor esquema político de marketing já montado no Brasil. Se tivesse um prêmio de marketing político eleitoral, a Lava Jato teria levado o tricampeonato: 2015, 2016 e 2017. […] Querendo ou não, ela alimentou a máquina de ódio”, comentou.

João Santana fala sobre relação com ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff após prisão no Caso Lava Jato; Sensação de abandono, diz

João Santana revelou que não conversou com ex-presidentes Dilma Rousseff e Lula após prisão.

“[Tipo de solidariedade] nenhum, absoluto. Eu mesmo me recolhi e não houve nenhum movimento em direção deles, nunca mais falei. […] você colocou uma contradição do que eu falei: o aviso e depois o abandono, que eu usei o termo afetivo. De fato aconteceu este esgarçamento dessa coisa afetiva, até me surpreendeu nesse sentido… Se eles conheciam meus filhos, pelo menos podiam dizer: “Como está seu pai? Como está sua mãe?'”, disse.

“Caixa 2 foi sempre a alma do sistema eleitoral brasileiro”, diz João Santana

Publicitário afirmou que a prática do caixa dois é a “alma do sistema eleitoral brasileiro”.

“O caixa dois não foi uma unha encravada no sistema político brasileiro. O caixa dois foi sempre a alma do sistema eleitoral brasileiro, era uma coisa geral, especifica, poucos foram punidos”, disse.

Perfil de João Santana

Com uma trajetória que passa pelas redações de grandes jornais e revistas, pela música e a literatura, João acabou se consagrando no marketing político, ao acumular um recorde de vitórias em campanhas eleitorais. Elegeu oito presidentes, incluindo Lula, em 2006, apesar do Mensalão, e Dilma em 2010 e 2014. No exterior, comandou campanhas vencedoras em quatro países, incluindo a eleição de Hugo Chávez em 2012, e Nicolás Maduro em 2013, na Venezuela. As outras foram em Angola, República Dominicana e El Salvador. Também ajudou a eleger governadores, prefeitos, deputados e senadores, no Brasil e na Argentina.

Detido pela Operação Lava Jato, em fevereiro de 2016, foi solto em agosto, após o pagamento de fiança e a assinatura de acordo com a Justiça. Admitiu o uso de caixa 2 e teve sua colaboração premiada homologada pelo STF, em 2017.

No jornalismo, passou por redações como o Jornal do Brasil, O Globo e Veja, além da IstoÉ, onde ganhou um Prêmio Esso pela reportagem Eriberto: Testemunha Chave, sobre o motorista que, com seu depoimento, abriu o caminho para o impeachment do ex-presidente Fernando Collor.

Na juventude, João Santana participou como letrista e instrumentista do grupo Bendegó, que fez sucesso nos anos 70.

*Com informações da TV Cultura.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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