Dinheiro digital de bancos centrais pode elevar pressão para substituir moedas, diz FMI

Bancos Centrais planejam lançamento de criptomoedas.Bancos Centrais planejam lançamento de criptomoedas.


Dinheiro digital emitido por bancos centrais pode fazer com que moedas estrangeiras substituam efetivo doméstico, além de poder impulsionar fluxos ilícitos de capital se não houver salvaguardas apropriadas, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta segunda-feira (19/10/2020).

Bancos centrais ao redor do mundo começaram a estudar a emissão de suas próprias moedas digitais, conhecidas como CBDCs, depois que o Facebook anunciou no ano passado planos para o lançamento da libra.

Por trás dos estudos dos bancos centrais está o temor de perda de controle sobre sistemas de pagamentos se moedas emitidas por agentes privados forem aceitas amplamente.

O FMI afirma que as consequências políticas e econômicas das CBDCs e das emitidas por entes privados dependem da adoção, algo difícil de prever uma vez que as CBDCs ainda estão longe da realidade e o futuro da libra do Facebook é incerto.

As CBDCs e stablecoins podem aumentar pressão por uma “substituição monetária”, com moedas estrangeiras podendo vir a substituir as emitidas localmente, afirma o FMI.

Esta substituição tem potencial para corroer o controle sobre a liquidez doméstica, reduzindo a estabilidade da demanda de dinheiro e enfraquecendo o impacto da política monetária.

Sem salvaguardas devidas, CBDCs estrangeiras e stablecoins podem também impulsionar fluxos ilícitos e tornar mais difícil para autoridades locais o controle de movimentos de capital, acrescentou o FMI.

Apesar disso, os benefícios das CBDCs e stablecoins em transações entre países são “conceitualmente claros”, mas ainda difíceis de se quantificar, afirma o FMI, citando custos menores de transações. A emissão de CBDCs também podem ajudar moedas a se internacionalizarem ou conseguirem condição de moedas de reserva, acrescentou.

A China tem dito publicamente que quer ser o primeiro país a emitir uma moeda digital para reduzir sua dependência sobre o sistema de pagamentos global baseado no dólar.

*Com informações de Tom Wilson, da Agência Reuters.

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).