Descaso do presidente Jair Bolsonaro contribuiu com desastre ambiental no Pantanal, diz Jornal Le Monde

‘Pantanal, no Brasil, paraíso da biodiversidade destruído pelas chamas’ é o título da reportagem publicada pelo site do jornal francês Le Monde nesta terça-feira (29/01/2020).
‘Pantanal, no Brasil, paraíso da biodiversidade destruído pelas chamas’ é o título da reportagem publicada pelo site do jornal francês Le Monde.

‘Pantanal, no Brasil, paraíso da biodiversidade destruído pelas chamas’ é o título da reportagem do correspondente Bruno Meyerfeld, publicada pelo site do jornal francês Le Monde nesta terça-feira (29/01/2020).

“A zona úmida, que abriga uma fauna e uma flora excepcionais, é uma mera sombra do que já foi”, constata o jornal francês, citando os mais de 16 mil focos de incêndio recenseados na região desde o início de 2020. O repórter relata a destruição que vê diante de si. Um jacaré carbonizado, depois, um crânio de búfalo. Mais adiante, a sinistra carcaça de uma cobra, “congelada” em meio à desesperada fuga das chamas.

Em fim da estação seca, o Pantanal tem ares de cemitério, segundo Le Monde. “Assolada por gigantescos incêndios desde julho, essa área de biodiversidade excepcional, que abriga cerca de 650 espécies de aves, 98 de répteis e 159 de mamíferos, já perdeu, segundo especialistas, de 20% a 25% de sua área, ou seja, de 3 a 4 milhões de hectares viraram fumaça”, explica o jornal. “O equivalente à área da Bélgica ou Suíça”.

Paraíso vira inferno

O repórter faz um paralelo com um exemplo francês. Ele lembra que, há poucos meses, viajar pela Transpantaneira, de 150km, que vai de Poconé a Porto Jofre, de paisagem preservada, com lagos e pântanos, lembrava a bela região natural de Camargue, no sul da França. O trajeto era repleto de animais como onças, antas, tamanduá-bandeira e sucuris e araras com plumagem azul meia-noite. “Um paraíso do ecoturismo”, diz o jornalista.

Em setembro, tudo mudou. “O Pantanal não passa de uma sombra de si mesmo”, onde “matas carbonizadas, cor de carvão, sucedem-se a rios e lagos secos, riscados como um velho pergaminho”. A seca chegou potencializada por milhares de incêndios. “Desde o início do ano, foram registrados 16.000 na região, contra apenas 6.000 no mesmo período de 2019”, lembra o jornal.

Além dos animais, os homens também sofrem, começando pelos bombeiros da região. “Um caos total”, diz um chefe da equipe local, relatando a falta de helicópteros, cisternas e homens. Apagar as chamas, “só se for cuspindo”, diz o bombeiro, com raiva.

Fatores da destruição incluem governo Bolsonaro
Um guia local explica à reportagem que o governo priorizou salvar o agrobusiness do que o turismo e os animais. As ONGs apontam o dedo para os grandes fazendeiros. “Esse desastre é resultado de ação humana”, segundo um ambientalista.

A tragédia é resultado de vários fatores, e um deles, dizem os especialistas, é Jair Bolsonaro. O governo federal, acusa o biólogo Alcides Faria, entrevistado por Le Monde, “não fez nada para evitar os incêndios, além de acabar com operações de vigilância de agências ambientais, que intimidam os fazendeiros”.

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Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).