China é primeira grande economia a se recuperar da crise do coronavírus

Xí Jìnpíng, presidente da China, lidera retomada econômica. Após impacto da pandemia, economia da China cresce 4,9% no terceiro trimestre de 2020. Consumo interno é motor importante, com exército de consumidores voltando às lojas e às viagens. Exército de consumidores chineses voltou às ruas.
Xí Jìnpíng, presidente da China, lidera retomada econômica. Após impacto da pandemia, economia da China cresce 4,9% no terceiro trimestre de 2020. Consumo interno é motor importante, com exército de consumidores voltando às lojas e às viagens. Exército de consumidores chineses voltou às ruas.

A economia da China se fortaleceu no terceiro semestre de 2020, recuperando-se fortemente das paralisações impostas pela covid-19, segundo dados do Departamento Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês), divulgados nesta segunda-feira (19/10/2020).

O incremento de 4,9% do produto interno bruto (PIB) registrado no período de julho a setembro, em relação aos mesmos meses do ano passado, superou os 3,2% de crescimento do trimestre anterior, ficando próximo dos níveis pré-pandemia. Ao todo, nos primeiros nove meses de 2020 a segunda maior economia do mundo cresceu 0,7% em relação ao ano anterior.

Sobretudo o consumo interno ganhou força no terceiro trimestre, à medida que a população vai abandonando os temores que a pandemia gerou.

O NBS alerta, no entanto, que a expansão total ficou aquém das previsões, e “o contexto internacional ainda é complicado”. As autoridades enfatizam, ainda, a incerteza decorrente de o coronavírus continuar devastando outros mercados-chave do mundo. Em setembro, o desemprego urbano no país se agravou, chegando a 5,4%.

Cidade onde a covid-19 surgiu volta à normalidade

Após o governo basicamente fechar todas as grandes cidades para combater o alastramento da doença respiratória, a economia chinesa acusou uma contração sem precedentes nos primeiros três meses do ano. Com as taxas de contágio colocadas sob controle, porém, os últimos seis meses viram uma recuperação significativa.

Na avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI), a China poderá ser a única economia nacional a se expandir no ano corrente, com um acréscimo de 1,9% (as projeções do Banco Central chinês são de 2%).

Consumo é chave para recuperação

Superando os prognósticos, as vendas a varejo cresceram 3,3% em setembro – um possível indicador de que o exército de consumidores chineses está retornando às lojas e restaurantes, e voltou a viajar. A produção industrial igualmente cresceu além das expectativas em setembro: 6,9% na comparação anual. Os investimentos no setor imobiliário ficaram 12% acima dos níveis do ano anterior.

Para Larry Hu, economista-chefe para a China da firma financeira Macquarie Capital, em Hong Kong, “a coisa mais importante de todas para a economia chinesa nos próximos meses é se o consumo de serviços conseguirá recuperar suas perdas”.

Segundo o chefe do departamento de pesquisa para a Grande China do OCBC Bank, Tommy Xie, as vendas de automóveis são um importante motor do crescimento do consumo, “mas vai levar algum tempo para se avaliar quão sustentável é essa demanda doméstica”. E lembra que o faturamento do turismo doméstico no início de outubro ainda está 30% abaixo do mesmo período em 2019.

A liderança comunista em Pequim tem louvado sua própria gestão da pandemia, também para compensar o fato de ser o país de origem do vírus mortal. “A China construiu sua rápida recuperação por meio de lockdowns rigorosos, testes em massa, rastreamento da população e incentivos fiscais”, resume Lu Ting, presidente da companhia de holding japonesa Nomura.

Outros fatores, como o crescimento das exportações e o aumento da demanda após graves inundações, também estimularam as atividades econômicas em setembro. Contudo o país “não está absolutamente livre do risco de uma segunda onda de covid-19; a demanda acumulada provavelmente perderá algum vapor […] e as tensões crescentes com os Estados Unidos poderão afetar as exportações e investimento em manufatura da China”, ressalva Lu.

*Com informações do DW.

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