Capítulo I do Caso BRT: A crise na mobilidade da população de Feira de Santana resultante do desplanejamento e da ineficiência na fiscalização

Exemplo sintomático da ineficiência do planejamento da mobilidade populacional de Feira de Santana, passarela em frente ao Shopping Cidade das Compras (Centro Comercial Popular) obstruiu calçada e obriga que pessoas transitem pelo meio da rua.Exemplo sintomático da ineficiência do planejamento da mobilidade populacional de Feira de Santana, passarela em frente ao Shopping Cidade das Compras (Centro Comercial Popular) obstruiu calçada e obriga que pessoas transitem pelo meio da rua.


A crise do transporte público de Feira de Santana possui múltiplas dimensões que, reunidas, resultam em um sistema de custo elevado, ineficiente, desconfortável para a população e de pouca atração comercial para quem explora a concessão do uso de ônibus urbanos no transporte de massa do município.

No cerne do problema residem duas questões mal resolvidas ao longo de 20 anos das gestões subordinadas à liderança do ex-prefeito José Ronaldo (DEM) em Feira de Santana. A primeira, é decorrente do desplanejamento e ineficiência na fiscalização do município, enquanto a segunda, é resultado de decisões políticas que objetivam ganhos eleitorais, acomodando interesses antagônicos, que não resultam na pacificação social e na eficiência da mobilidade da população.

Observando a crise que afeta o transporte público de Feira de Santana, verifica-se que a problemática vai além das falhas na gestão e fiscalização do sistema. Porque, de um a perspectiva mais ampla, ocorre a falta de antevisão sobre uma efetiva Política de Mobilidade da População que contemple a requalificação das calçadas, construção de um sistema de ciclovias e organização do sistema viário em circuitos capazes de conceber eficiência ao trânsito das pessoas, seja a pé, por meio de bicicletas, ônibus, ou veículos particulares.

Em síntese, faltou aos governos liderados pelo Democratas de Feira de Santana — quais sejam: gestão de José Ronaldo (DEM), de 2001 a 2008 e de 2013 a 6 de abril de 2018; Tarcízio Pimenta (DEM e PDT), de 2009 a 2012; e Colbert Martins Filho (MDB), de 7 de abril de 2018 à 31 de dezembro de 2020 — competência para elaborar um projeto de mobilidade que fosse implementado ao longo de duas décadas. Neste quesito, a única sentença possível é a que afirma que foram 20 anos da mais completa inapetência na gestão municipal do Sistema de Mobilidade da População.

É a partir destes argumentos que o Jornal Grande Bahia (JGB), através do editor Carlos Augusto, jornalista e mestre em Ciência Sociais, vai demonstrar as falhas na Política de Mobilidade Populacional de Feira de Santana e desenvolver o argumento que afirma que o Sistema BRT (Bus Rapid Transit, Sistema de Ônibus Rápido), adotado, em março de 2014, pela gestão do então prefeito José Ronaldo não será capaz de corrigir o problema da mobilidade, que é repleto de falhas no planejamento e execução e cuja operação do transporte público vai representar custo adicional, observando que possui ineficiência das rotas implantadas, que resulta em número reduzido de passageiros transportados.

Observa-se que o tema tem sido objeto de crítica do JGB ao longo destes 13 anos. Desta forma foi publicada reportagem em 1º de março de 2013, ‘Equipe de José Ronaldo comanda município por 12 anos e resultado pode ser percebido na ineficiência do transporte público de Feira de Santana’; em 7 de agosto de 2014, ‘Editorial: Destruição socioambiental marca gestões do prefeito José Ronaldo em Feira de Santana’; em 3 de setembro de 2014, ‘Cientista Social ingressa com representação no MPF contra projeto do BRT de Feira de Santana, por grave violação constitucional e falta de adequados estudos científicos’; em 22 de dezembro de 2014, ‘A interminável crise no transporte público municipal de Feira de Santana’ e em 30 de janeiro de 2017, ‘Editorial: Crise e conflito no sistema de transporte público de Feira de Santana’.

Em 10 de abril de 2007, a comunidade era alertada pelo JGB sobre o resultado da degradação da vida na urbe com ocupação de praças públicas e calçadas por barracas. A reportagem ‘Feira de Santana: Praças da República e Presidente Médici são ocupadas por barracas; Falta de fiscalização degrada vida na cidade’, pontua o deprimente processo de corrupção da estrutura urbana e a falência dos órgãos de controle do uso e ocupação do solo.

Infere-se que a regulação do uso do solo é fator primordial para o desenvolvimento de meio urbano equilibrado e que essa obrigação do governo municipal possui impacto na eficiência e velocidade da mobilidade. Mas, tragicamente, estes aspectos foram sobejamente negligenciados ao longo de 20 anos de desgoverno municipal, fato que contou com a regular concupiscência dos negligentes Ministérios Públicos Federal e Estadual. Se assim não o fosse, a estrutura urbana de Feira de Santana não teria atingindo o elevado grau de degradação ambiental na qual se encontra.

2º Capítulo

No Capítulo II do Caso BRT será relembrada as falhas na implantação do Sistema Único de Transporte Público de Feira de Santana (SIT).

*Carlos Augusto, jornalista e cientista social.

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).