Discurso de Bolsonaro na ONU nega evidência da diversidade religiosa no Brasil | Por Sérgio Jones

Extremista Jair Bolsonaro apresentou discurso fraudulento, durante Assembleia da ONU, em 16 de setembro de 2020.
Extremista Jair Bolsonaro apresentou discurso fraudulento, durante Assembleia da ONU, em 16 de setembro de 2020.

De acordo com o pesquisador de Igreja, sociedade e direitos civil o teólogo Ronilso Pacheco, ele deixou transparecer, durante entrevista concedida ao Instituto Humanistas Unisinos, Como bastante questionável o discurso na ONU, proferido recentemente pelo arremedo de presidente Jair Bolsonaro.

Classificou o mesmo como carregado com forte viés de fundamentalismo religioso, que por extensão promove a manutenção do preconceito histórico contra as religiões de matriz africana, atravessadas pelo racismo estrutural existente no Brasil.

Bolsonaro ao afirmar que o Estado brasileiro é por definição laico e logo em seguida fazer a ressalva de que o país é cristão e conservador. Tal declaração, soa para o estudioso teólogo do tema, como uma forma de discurso que objetiva simplesmente suprimir as religiões mais vulnerabilizadas no contexto religioso do país.

O que considera uma tomada de postura perniciosa e nociva para a própria pluralidade social, não apenas do ponto de vista das crenças, mas nos seus mais diversos contextos concernentes ao assunto.

Para Pacheco não é apenas a convicção religiosa do presidente ou de integrantes do governo que é cristã. Mais do que a convicção religiosa trata-se de uma construção de um projeto político que passa pela perspectiva religiosa imposta, de maneira generalizada, para a sociedade, para as políticas públicas, para o reconhecimento de grupos e minorias sociais.

O que significa considerar essa tomada de postura como responsável por promover e acarretar um impacto muito maior do que o religioso.

Pois nega a evidência e o reconhecimento da presença da diversidade religiosa. Que não reconhece as violências sofridas pelas religiões de matriz africanas.

Como também a existência de uma grave ameaça às liberdades individuais, quando as propostas do governo são feitas sob o crivo de perspectivas cristãs fundamentalistas e conservadoras.

*Sérgio Jones, jornalista ([email protected]).

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