Deputado Ricardo Barros recebeu R$ 5 milhões para intermediar venda de empresa, revela reportagem da CNN Brasil

Deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara.Deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara.

Reportagem de Leonardo Lellis, publicada nesta quarta-feira (16/09/2020) no site da CNN Brasil, revela que o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, é acusado de receber R$ 5 milhões de reais pela intermediação da venda de ativos da empresa São Bento Energia à Copel (estatal de energia do Paraná), quando o parlamentar era Secretário Estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul no do Paraná. De acordo com a delação premiada de dois executivos da empreiteira Galvão Engenharia, que detinha o controle da São Bento, os pagamentos foram feitos em espécie e por meio de doações eleitorais ao PP.

As suspeitas foram apontadas pelo Ministério Público do Paraná e basearam a decisão que autorizou uma operação em endereços vinculados ao deputado na cidade de Maringá (PR) nesta quarta-feira (16). A ação, batizada de operação Volt, também cumpriu mandado de busca e apreensão de documentos, eletrônicos, telefones celulares e eventuais valores em São Paulo.

“A investigação apura os crimes de lavagem de dinheiro e corrupção para facilitar negócio no ramo de energia eólica”, disse o MP na denúncia. De acordo com a decisão a que a CNN teve acesso, Eduardo Queiroz Galvão declarou que Ricardo Barros recebeu um total R$ 1,55 milhão em espécie por intermediar a alienação das quotas da São Bento Energia. A empreiteira vendeu 49,9% de sua participação na empresa à estatal paranaense em 2011. Em 2013, foram vendidos os 50,1% remanescentes.

Segundo a delação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal, este pagamento foi fracionado em quantias de R$ 150 mil, R$ 400 mil e R$ 200 mil entre outubro de 2013 e março de 2014.

Ainda de acordo com a delação premiada de Galvão e Jean Alberto Luscher Castro, Barros determinou o restante do pagamento do restante (R$ 3,53 milhões) por meio de doações eleitorais oficiais ao Partido Progressista no ano de 2014.

Segundo a decisão, os dois executivos apresentaram “diversos elementos” que corrobaram o que foi afirmado no acordo de delação, como registros de reuniões, comprovantes de passagem aérea, e-mails e comprovantes de doações eleitorais.

“Além disso, enfatizo que os ex-executivos do Grupo Galvão disseram que Ricardo Barros demonstrava influência e ascendência sobre agentes públicos da estatal”, afirmou a juíza Cristine Lopes, ao autorizar a operação.

“Assiste razão ao Ministério Público ao afirmar que os elementos probatórios angariados no transcorrer da investigação sustentam os depoimentos prestados pelos colaboradores, restando necessária a coleta de provas que demonstrem de forma mais aprofundada os destinos dos valores pagos a título de propina pela empresa GALVÃO ENGENHARIA S.A.; permitam a individualização pormenorizada das condutas dos investigados e a complementação do panorama fático relacionado a cada pagamento realizado.”

O deputado manifestou-se por meio de nota. “A delação da empresa Galvão Engenharia foi vazada à imprensa no dia 14 de agosto, dois dias depois de Barros ser anunciado líder do Governo na Câmara. Na época do vazamento, Ricardo Barros solicitou ao STF e não obteve acesso ao processo. Quanto aos depósitos citados pelo Ministério Público, estes têm origem lícita e não têm nenhuma relação com a investigação. Os valores repassados pela Galvão são de doações oficiais de campanha de 2014. Ricardo Barros, relator da lei de abuso de autoridade, repudia o ativismo político do judiciário, destacando que a operação feita hoje, relacionada a fatos de 2014, foi justamente no último dia das convenções partidárias”, disse.

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