Alexander Lukashenko toma posse para sexto mandato de presidente de Belarus em cerimônia secreta; População protesta

Conhecido como "último ditador da Europa", Alexander Lukashenko enfrenta onda de protestos que pedem saída do governo de Belarus. Cerimônia não foi divulgada previamente. "Parece uma reunião da máfia para coroar um novo chefão", diz opositor.
Conhecido como "último ditador da Europa", Alexander Lukashenko enfrenta onda de protestos que pedem saída do governo de Belarus. Cerimônia não foi divulgada previamente. "Parece uma reunião da máfia para coroar um novo chefão", diz opositor.

O líder de Belarus, Alexander Lukashenko, prestou juramento nesta quarta-feira (23/09/2020) para seu sexto mandato presidencial em uma cerimônia secreta, enquanto o país segue tomado por protestos que pedem a saída do autocrata, conhecido como “o último ditador da Europa” e que está há 26 anos no poder.

“Alexander Lukashenko prestou juramento no idioma bielorrusso, depois assinou o documento, e a presidente da Comissão Eleitoral entregou o certificado de presidente da República de Belarus”, afirmou a agência bielorrussa Belta.

A cerimônia não havia sido anunciada previamente. Apenas algumas centenas de parlamentares e aliados de Lukashenko compareceram. A cerimônia também não foi transmitida ao vivo e aparentemente não contou com a presença de autoridades ou representantes estrangeiros, como é comum nesses casos.

Meios de comunicação independentes e as plataformas da oposição já haviam mencionado a possibilidade dessa posse secreta, depois que um comboio presidencial foi observado percorrendo a capital, Minsk, em alta velocidade. A principal avenida da cidade foi fechada ao público, e um grande dispositivo policial foi mobilizado. Os veículos percorreram ruas desertas até o local da cerimônia, o Palácio da Independência, em Minsk.

Segundo dados oficiais, Lukashenko foi reeleito com 80,1% dos votos nas eleições de 9 de agosto. O resultado, porém, não foi reconhecido pela oposição ou pelo Ocidente, que acusaram o governo de fraude e intimidação durante o pleito. O anúncio dos resultados provocou uma onda de protestos pela saída do autocrata, que respondeu com repressão e até mesmo sequestro de líderes da oposição – vários foram forçados a se exilar, como a candidata Svetlana Tikhanovskaya, que reivindica a vitória nas eleições e está na Lituânia. Nos primeiros dias de protestos,a polícia prendeu cerca de 7 mil pessoas.

“Onde estão os cidadãos felizes?”

Tikhanovskaya, que recebeu oficialmente apenas 10% dos votos, divulgou um apelo em vídeo dizendo que a posse significava que o mandato de Lukashenko estava oficialmente encerrado.

“Essa ‘posse’ é uma farsa, claro. O que realmente aconteceu hoje é que Lukashenko agora está aposentado”, disse ela por vídeo. “Eu, Svetlana Tikhanovskaya, sou a única líder eleita pelo povo bielorrusso e nossa tarefa agora é construir um novo Belarus juntos.”

Pavel Latushko, ex-ministro da Cultura que é um dos sete líderes de um conselho de coordenação destinado a supervisionar a transição de poder, disse que o sigilo em volta da posse prova que Lukashenko não tem legitimidade.

“Onde estão os cidadãos felizes? Onde estão os diplomatas? Para ser sincero, parece mais uma reunião da máfia para coroar um novo chefão”, disse. Latushko também fugiu de Belarus, junto com outros membros do conselho.

A vizinha Lituânia, país-membro da União Europeia, declarou na quarta-feira que não considera mais Lukashenko o presidente de Belarus.

“Que farsa. Eleições forjadas. Posse forjada. […] Sua ilegitimidade é um fato com todas as consequências que isso acarreta”, tuitou o ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Linas Linkevicius. O ministro eslovaco das Relações Exteriores, Ivan Korčok, escreveu que Lukashenko “não tem legitimidade para liderar seu país”. Outros ministros das Relações Exteriores da UE divulgaram declarações semelhantes.

Alemanha aponta falta de “legitimidade democrática”

A Alemanha, por sua vez, declarou que não reconhece Lukashenko como presidente de Belarus, afirmando que o líder carece de  “legitimidade democrática”.

“Os requisitos mínimos para eleições democráticas não foram cumpridos de forma alguma. Não foram nem justas nem livres. Portanto, não se pode reconhecer o resultado desta votação”, disse o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert.

“Mesmo depois da cerimônia de hoje, Lukashenko não pode evocar a legitimidade democrática, que teria sido a condição para ele ser reconhecido como um presidente legítimo”, prosseguiu. Seibert acrescentou que “o fato de que esta cerimônia foi preparada secretamente e realizada longe dos olhos do público é muito revelador”.

De acordo com a agência Belta, Lukashenko expressou “orgulho” no discurso de posse. “Não escolhemos apenas um presidente, defendemos nossos valores, a vida em paz, a soberania e a independência”, disse.

Milhares vão às ruas para protestar contra posse de líder bielorrusso

Forças de segurança bielorrussas detiveram manifestantes e dispararam jatos de água para dispersar manifestantes, que foram aos milhares às ruas da capital Minsk para protestar contra a apressada posse do veterano presidente Alexander Lukashenko nesta quarta-feira (23/09/2020).

Ignorando as exigências pelo fim de seu governo, que já dura 26 anos, Lukashenko foi empossado para cumprir um sexto mandato após uma eleição considerada fraudulenta pela oposição e por governos de vários países.

A cerimônia normalmente seria anunciada e divulgada como uma importante ocasião de Estado, mas foi conduzida sem avisos após Lukashenko reivindicar uma vitória por esmagadora maioria na eleição do último dia 9 de agosto.

A oposição na ex-república soviética, que promove mais de seis semanas de protestos populares pedindo a renúncia do presidente, denunciou a posse como ilegítima.

“Sua posse secreta é uma tentativa de tomar o poder”, diz Sviatlana Tsikhanouskaya, principal adversária de Lukashenko que deixou o país exilada após as eleições.

Estados Unidos e União Europeia estão elaborando sanções contra autoridades envolvidas no processo eleitoral e na repressão aos manifestantes conduzida pelas forças de segurança.

*Com informações do DW e Andrei Makhovsky, da Agência Reuters.

Redação do Jornal Grande Bahia
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