Ministro Paulo Guedes confirma que dois secretários da pasta pediram demissão; Salim Matar e Paulo Uebel deixam Governo Bolsonaro por não ter apoio em privatizações

Deputado Rodrigo Maria e ministro Paulo Guedes participam de entrevista coletiva.Deputado Rodrigo Maria e ministro Paulo Guedes participam de entrevista coletiva.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou há pouco que o secretário especial de Desestatização, Salim Matar, e o secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, pediram demissão nesta terça-feira (11/08/2020).

Segundo Guedes, o motivo da demissão seria a insatisfação de Mattar com o ritmo das privatizações de estatais.  “O que ele me disse é que é difícil privatizar”, disse. No caso de Uebel, o ministro disse que o secretário deixou o cargo pela falta de andamento da reforma administrativa.

“Hoje houve uma debandada”, afirmou. “O que ele [Mattar] me disse é que é muito difícil privatizar, que o establishment não deixa haver a privatização, que é muito difícil, muito emperrado, que tem que ter apoio mais definido, mas decisivo. O secretário Uebel, a mesma coisa. A reforma administrativa está parada, então ele reclama também que a reforma administrativa parou”, disse Guedes.

O ministro da Economia também disse que gostaria de privatizar quatro grandes empresas e citou a Eletrobras, PPSA [estatal de partilha do Pré-Sal], Correios e a Docas de Santos. “Eu, se pudesse, privatizava todas as estatais. Para privatizar todas, você tem que privatizar duas ou três, nós não conseguimos nem duas ou três. Isso é preocupante”, disse.

As declarações do ministro foram feitas durante entrevista coletiva após uma reunião com presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Guedes reafirmou que não apoia uma eventual tentativa de furar o teto de gastos do governo.

“Não haverá nenhum apoio do Ministério da Economia a fura-tetos. Se tiver ministro fura-teto, eu vou brigar com ministro fura-teto”, disse.

Os 8 nomes que deixaram o Ministério de Paulo Gudes

Desde o início do Governo Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, perdeu praticamente metade da equipe original.

Paulo Uebel

Insatisfeito com o atraso no envio da reforma administrativa, Paulo Uebel decidiu nesta terça-feira deixar a Secretaria de Desburocratização, Gestão e Governo Digital. A pauta, que mexe nas regras do funcionalismo, era a principal agenda da pasta, mas foi adiada inúmeras vezes a pedido do presidente Jair Bolsonaro, que teme o ônus político causado por uma proposta que afeta interesses de servidores públicos.

Salim Mattar

Desgastado há meses, Salim Mattar deixou a Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados sem conseguir cumprir a promessa de acelerar o processo de privatizações defendido por Paulo Guedes, que chegou a prometer se desfazer de todas as estatais. Em pouco mais de um ano no cargo, apenas algumas subsidiárias foram desestatizadas. Dono da Localiza, Mattar é empresário e se queixava frequentemente do que considerava amarras da burocracia do setor público.

Rubem Novaes

A saída de Rubem Novaes da presidência do Banco do Brasil ocorreu após queixas de Novaes sobre a pressão política em Brasília sobre o banco público. Liberal formado em Chicago, como Guedes, ele também se sentia frustrado pelo veto imposto por Bolsonaro à privatização da instituição financeira, que ele admitia ser um sonho. André Brandão, do HSBC, deve substituir Novaes.

Joaquim Levy

Ministro da Fazenda no governo Dilma Rousseff, Levy também é liberal de Chicago foi convidado por Guedes para presidir o BNDES. No entanto, só ficou no cargo até junho de 2019, após ser criticado publicamente por Bolsonaro, insatisfeito com a demora para abrir o que considerava ser a “caixa preta” do banco. Levy foi substituído por Gustavo Montezzano.

Mansueto Almeida

Nome forte das contas públicas e um dos criadores do teto de gastos, Mansueto deixou o comando do Tesouro Nacional neste ano. No governo desde a gestão de Michel Temer, o economista já havia sinalizado o desejo de ir para o setor privado, mas permaneceu na equipe por um ano e meio, sendo sucedido por Bruno Funchal.

Marcos Cintra

Integrante da equipe econômica desde o time de transição montado no Rio de Janeiro, Marcos Cintra deixou a chefia da Receita Federal após insistir na defesa de um imposto sobre transações financeiras, nos moldes da CPMF. Sua saída atrasou em quase um ano o início do debate sobre a reforma tributária do governo.

Marcos Troyjo

Deixou a Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais. O economista trocou o cargo pela presidência do New Development Bank, conhecido como o “banco dos Brics”.

Caio Megale

Diretor na secretaria especial de Fazenda, Caio Megale deixou o governo em julho deste ano. Disse a pessoas próximas que decidiu deixar o cargo por motivos pessoais. Ele morava num hotel em Brasília e queria voltar para próximo da família, em São Paulo.

*Com informações da Agência Reuters e Jornal O Globo.

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