Lucas Felipe resgata ancestralidade africana em bordados Yorubás na construção de máscaras de combate à Covid-19

Lucas Felipe aproveitou o período da pandemia para divulgar e firmar a cultura africana presente na sua vida e ter uma nova opção de renda.Lucas Felipe aproveitou o período da pandemia para divulgar e firmar a cultura africana presente na sua vida e ter uma nova opção de renda.

“Bordar é dar vida ao pano. Cada traço uma história e uma memória ancestral”, diz Lucas Felipe. Há pouco mais de 3 meses, o fotógrafo viu seus trabalhos estacionados e sem solução para obter uma outra renda em tempos de pandemia. Foi aí então que resolveu colocar em prática toda experiência que havia adquirido através de um curso de bordados Barafunda. Unindo o útil ao belo, ele desenvolveu e criou a primeira máscara com o enfeite dos bordados do Brasil e iniciou um processo de resgate de cultura ancestral africana unindo o cuidado e a proteção com as pessoas.

Coisa da antiga? Que nada, o artesão tem apenas 25 anos e observou que com o tempo o interesse crescente das pessoas que o procuravam, a curiosidade por estilos, cores e texturas diferentes dentro do fiar deste tipo de bordado. “Fiz do meu passatempo meu novo instrumento de trabalho, e nele eu construo e englobo tudo que mais amo, a religião, a cultura e a criatividade”, afirma.

Ao profissionalizar e criar a Pilão Bordados, o hobby acabou se tornando empresa. “Além das telas do computador e as lentes das câmeras precisava fazer algo com as próprias mãos”, conta. No caminho, o empreendedor percebeu que havia muitos pontos diferentes dentro da técnica e rotineiramente vai se reinventando e dando novas formas as peças.

A procura teve um “boom” no último mês, ganhando visibilidade na mídia e muitos seguidores. Isso retrata a busca por manualidades, pela cultura afrodescendente e por todo universo de informação que o bordado oferece. Dentro das religiões de matriz africanas só praticantes com bastante tempo de casa podem utilizar oficialmente a Barafunda, que em muitos lugares também é ensinada durante o período de recolhimento, mantendo a tradição antiga de fazer sua própria roupa atrelada a outras práticas do período de reclusão. A prática se instalou no Brasil não se sabe quando, e veio para dar forma aos panos velhos e antigos usados pelos escravos, sendo cultivado e ensinado escondido dos senhores e capatazes dentro das senzalas e chegando até aqui com a força e a facilidade extraordinária de criação e de reinvenção de um povo tão injustiçado durante gerações.

A Pilão Bordados aceita encomendas, máscaras e outros tipos de confecções estão à venda on-line através do Instagram @pilaobordados, do email [email protected] e do número 71 99346-5904  . Com tanta qualidade  assim não tem mais desculpa, é  para colocar a proteção em dia e sair por aí desfilando com cultura, beleza e ancestralidade numa peça só.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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