Governador Wilson Witzel se diz vítima de linchamento moral e reclama que não teve chance de se defender; Presidente do STF dá 24 horas para STJ e PGR se manifestarem sobre afastamento

Wilson Witzel foi afastado do cargo de governador do Rio de Janeiro por ordem do STJ.
Wilson Witzel foi afastado do cargo de governador do Rio de Janeiro por ordem do STJ.

O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou nesta segunda-feira (31/08/2020) ser vítima de um processo de “linchamento moral”, e disse que ainda não teve oportunidade de apresentar sua defesa contra a acusação de corrupção que resultou em seu afastamento do cargo.

Em entrevista à CNN Brasil em tom mais ameno do que o usado em pronunciamento feito na sexta-feira logo após ser afastado, Witzel questionou o que considerou uma investigação “açodada”, e afirmou que as acusações contra si têm como base apenas a delação de uma pessoa envolvida em esquema de corrupção na área de saúde.

“Estou sendo vítima de um processo de linchamento moral”, disse o governador. “É muito triste você não ter a oportunidade de se defender.”

Questionado na entrevista, Witzel afirmou que seria inaceitável uma ordem de prisão contra ele e argumentou que os valores apontados como propina que teriam sido recebidos por sua esposa são fruto do trabalho dela como advogada.

“Eu tenho a absoluta certeza que isso seria inaceitável, uma determinação de prisão diante de todas as medidas que já tomei até agora”, afirmou, questionando também a decisão de afastamento proferida pelo ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O ministro afastou Witzel do cargo na última sexta-feira por pelo menos 180 dias, em decisão que incluiu ainda operação contra desvios de recursos da área da saúde no Estado com 17 mandados de prisão e 82 de busca e apreensão contra políticos, agentes públicos e empresários.

Um dos presos foi o ex-secretário de Saúde Edmar Santos, que firmou acordo de colaboração premiada com a PGR. Santos foi solto pelo STJ à pedido da PGR.

Os pedidos de prisão também envolveram o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, que teve a prisão temporária decretada por 5 dias, prorrogáveis por mais cinco, de acordo com o STJ, e outras seis pessoas.

Segundo a denúncia do Ministério Público contra Witzel, o governador utilizou-se do cargo para estruturar uma organização criminosa que movimentou mais de 554 mil reais em propinas pagas por empresários da saúde ao escritório de advocacia de sua esposa. Apenas um empresário teria pago 280 mil reais, segundo o MPF.

Witzel e a primeira-dama foram denunciados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e o MPF pediu que, se condenados, paguem indenização de 1,1 milhão de reais, além da perda do cargo público do governador.

A Corte Especial do STJ vai analisar o afastamento de Witzel na próxima quarta-feira.

Witzel também é alvo de processo de impeachment em tramitação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que teve como base justamente as suspeitas levantadas contra o governador envolvendo a área de saúde.

Ministro Dias Toffoli dá 24 horas para STJ e PGR se manifestarem sobre afastamento de Witzel

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, deu prazo de 24 horas para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) se manifestem sobre o pedido do governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, para retornar ao cargo. Após receber as informações, o ministro deverá decidir a questão. No sábado (29), a defesa de Witzel apresentou recurso para derrubar a decisão que determinou a medida.

Na sexta-feira (28), Witzel foi afastado do cargo por 180 dias em decisão do ministro Benedito Gonçalves, do STJ. O afastamento foi determinado no âmbito da Operação Tris in Idem, um desdobramento da Operação Placebo, que investiga atos de corrupção em contratos públicos do governo do Rio de Janeiro.

A investigação aponta que a organização criminosa instalada no governo estadual a partir da eleição de Witzel se divide em três grupos que, sob a liderança de empresários, pagavam vantagens indevidas a agentes públicos. Os grupos teriam loteado as principais secretarias para beneficiar determinadas empresas.

Após ser afastado, Witzel negou o envolvimento em atos de corrupção e afirmou que seu afastamento não se justifica.

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