Goiás: Operação Vendilhões analisa movimentação financeira de R$ 1,7 bilhão de entidades religiosas; Segundo investigação, padre celebridade comprou casa de luxo na Bahia

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Reportagem de Alfredo Mergulhão, publicada nesta sexta-feira (21/08/2020) na Revista Época, revela que o Padre Robson de Oliveira é investigado pelo MPGO por suspeita de desviar R$ 60 milhões doados por fiéis à Igreja Católica. Segundo investigação, pároco da Basílica do Divino Pai Eterno, em Goiás, é apontado pelo MP como líder de uma organização criminosa.
Reportagem de Alfredo Mergulhão, publicada nesta sexta-feira (21/08/2020) na Revista Época, revela que o Padre Robson de Oliveira é investigado pelo MPGO por suspeita de desviar R$ 60 milhões doados por fiéis à Igreja Católica. Segundo investigação, pároco da Basílica do Divino Pai Eterno, em Goiás, é apontado pelo MP como líder de uma organização criminosa.

Possíveis crimes de apropriação indébita, lavagem de capitais, organização criminosa, sonegação fiscal e falsidade ideológica praticadas pelos dirigentes das três associações ligadas à Igreja Católica em Trindade, que recebiam doações em dinheiro de fiéis, estão sendo investigados pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na Operação Vendilhões. Foram bloqueados judicialmente R$ 60 milhões em bens imóveis e valores em contas bancárias dos envolvidos.

De acordo com o promotor de Justiça Sebastião Marcos Martins, que coordenou a ação, deflagrada na manhã desta sexta-feira (21/8), está sendo analisada uma movimentação financeira equivalente a R$ 1,7 bilhão. Segundo ele informou durante entrevista coletiva realizada na tarde desta sexta-feira (21/9), a fraude não atinge o montante na sua íntegra, mas, a partir da documentação apreendida, será possível definir o valor que foi desviado. Teriam sido beneficiados com o desvio o padre Robson de Oliveira Pereira, que preside a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe) – CNPJ nº 06.279.215/0001-70 –; Associação Filhos do Pai Eterno e Perpétuo Socorro – CNPJ nº 11.300.117/0001-07 –, e Associação Pai Eterno e Perpétuo Socorro – CNPJ nº 11.430.844/0001-99 –, e uma rede de empresas e pessoas que foi criada para a realização das possíveis fraudes.

A investigação que resultou na Operação Vendilhões teve início em 2019, a partir da condenação de um grupo criminoso que praticou extorsão contra padre Robson. Na ocasião, cinco pessoas exigiram mais de R$ 2 milhões para que não fossem divulgadas imagens e mensagens eletrônicas com informações pessoais, amorosas e profissionais que prejudicassem a imagem do religioso (leia no Saiba Mais). O processo foi enviado ao Gaeco para apurar a origem do dinheiro utilizado para pagamento de parte do valor ao grupo criminoso.

Teia financeira

Na análise da movimentação financeira das Afipes, o Gaeco descobriu, segundo Sebastião Marcos Martins, uma grande teia de movimentações financeiras, envolvendo a compra e venda de imóveis – casas, apartamentos e fazendas – em Goiás e outros Estados, além de transferências de valores entre contas bancárias. De acordo com o promotor de Justiça, as três associações recebiam dinheiro separadamente, proveniente de doações de fiéis, e transferiam os valores com a utilização de contas bancárias de terceiros.  As associações passaram a ser administradas como verdadeiras empresas, explicou.

Na operação, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão na sede das associações, empresas e residências em Goiânia e Trindade, expedidos pelo Juízo da Vara de Feitos Relativos a Organizações Criminosas e Lavagem de Capitais, em decisão da juíza Placidina Pires. Foi encontrado dinheiro nos locais das buscas e apreensões, cujo valor ainda está sendo contabilizado. Participaram da operação 20 promotores de Justiça, 52 servidores do MP-GO, 4 delegados, 8 agentes da Polícia Civil e 61 policiais militares.

Doações de fiéis

Durante a entrevista coletiva, o procurador-geral da Justiça de Goiás, Aylton Flávio Vechi, afirmou que a investigação buscou apurar o proveito eminentemente econômico da fé e da devoção de milhares de pessoas, respaldado nas doações para a construção da nova Basílica de Trindade e no atendimento aos fiéis. Segundo ele, faz-se necessário garantir a reparação dos danos que podem ter sido causados pela conduta.

O secretário de Segurança Pública, Rodnei Miranda disse, na entrevista, que o volume de recursos em investigação pressupõe algum tipo de ilegalidade cometida pelos dirigentes das Afipes. Também estavam presentes o coordenador do Centro Integrado de Inteligência do MP-GO e do Gaeco, Rodney da Silva; os promotores de Justiça Gabriella de Queiroz Clementino, José Humberto Nunes Nogueira, Juan Borges de Abreu, Marcelo Crepaldi Dias Barreira e Sandro Henrique Silva Halfeld Barros, e o delegado da Polícia Civil Alexandre Lourenço.

*Com informações do Membros do Ministério Público de Goiás (MPGO) e Revista Época.

Busca e apreensão foram realizadas pela polícia em endereços ligados ao padre Robson de Oliveira Pereira. Segundo investigação o imóvel na Praia de Guarajuba, na Bahia, foi adquirido em 2014 por R$ 2 milhões e o valor foi pago à vista. A aquisição foi feita pela Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), criada e presidida pelo padre Robson. A compra foi efetuada de uma empresa chamada Sistema Alpha de Comunicação, que também é investigada.
Busca e apreensão foram realizadas pela polícia em endereços ligados ao padre Robson de Oliveira Pereira. Segundo investigação o imóvel na Praia de Guarajuba, na Bahia, foi adquirido em 2014 por R$ 2 milhões e o valor foi pago à vista. A aquisição foi feita pela Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), criada e presidida pelo padre Robson. A compra foi efetuada de uma empresa chamada Sistema Alpha de Comunicação, que também é investigada.
Membros do Ministério Público de Goiás (MPGO) comentam sobre Operação Vendilhões. Acostumado a rodar o Brasil e levar multidões para suas missas, o padre Robson de Oliveira Pereira, de 46 anos, é apontado como líder de uma organização criminosa que desviou R$ 60 milhões doados pelos fiéis. Os recursos provenientes de doações foram utilizados inclusive para a compra de uma casa na Praia de Guarajuba, na Bahia, conforme aponta o Ministério Público de Goiás (MP).
Membros do Ministério Público de Goiás (MPGO) comentam sobre Operação Vendilhões. Acostumado a rodar o Brasil e levar multidões para suas missas, o padre Robson de Oliveira Pereira, de 46 anos, é apontado como líder de uma organização criminosa que desviou R$ 60 milhões doados pelos fiéis. Os recursos provenientes de doações foram utilizados inclusive para a compra de uma casa na Praia de Guarajuba, na Bahia, conforme aponta o Ministério Público de Goiás (MP).
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