Contração da atividade econômica da região se aprofunda devido à pandemia; CEPAL prevê queda de -9,1% em 2020

A CEPAL atualizou as projeções de crescimento para os países da América Latina e do Caribe. Enfatiza que tanto os choques externos como os internos tornaram-se mais fortes do que o previsto no último mês de abril, o que levou a uma revisão para a baixa dos números.
A CEPAL atualizou as projeções de crescimento para os países da América Latina e do Caribe. Enfatiza que tanto os choques externos como os internos tornaram-se mais fortes do que o previsto no último mês de abril, o que levou a uma revisão para a baixa dos números.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) atualizou em 15 de julho de 2020 (quarta-feira) as projeções de crescimento para os países da América Latina e do Caribe. Enfatiza que tanto os choques externos como os internos tornaram-se mais fortes do que o previsto no último mês de abril, o que levou a uma revisão para a baixa dos números.

A atividade econômica no mundo está caindo mais do que o previsto há alguns meses, como consequência da crise causada pelo coronavírus (COVID-19) e, com isso, aumentam os impactos externos negativos na América Latina e no Caribe por meio do canal comercial, de termos de troca, de turismo e de remessas. Além disso, a região se encontra hoje no epicentro da pandemia e, enquanto alguns governos começaram a reduzir as medidas de contenção, outros tiveram que continuar ou até intensificá-las, devido ao aumento persistente dos casos diários da doença.

Isso é indicado no Relatório especial COVID-19 N⁰ 5 da CEPAL, intitulado: Enfrentar os efeitos cada vez maiores da COVID-19 para uma retomada com igualdade: novas projeções, que foi apresentado nesta quarta-feira, 15 de julho pela Secretária-Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, em uma coletiva de imprensa virtual realizada de Santiago, Chile.

Segundo o relatório, dado que tanto o choque externo como o interno se intensificaram, a região apresentará uma queda do produto interno bruto (PIB) de -9,1% em 2020, com diminuições de -9,4% na América do Sul, -8,4% na América Central e México e -7,9% no Caribe excluindo a Guiana, cujo forte crescimento leva o total sub-regional a uma menor contração (de -5,4%).

O documento aborda que a queda na atividade econômica é de tal magnitude que levará a que, até o final de 2020, o nível do PIB per capita da América Latina e do Caribe seja similar ao observado em 2010, ou seja, haverá um retrocesso de 10 anos nos níveis de renda por habitante.

 “Agora é esperado um aumento também maior do desemprego, o que por sua vez, provocará uma deterioração importante nos níveis de pobreza e desigualdade”, afirmou Alicia Bárcena em sua apresentação.

Espera-se que a taxa de desemprego regional seja em torno de 13,5% no final de 2020, o que representa uma revisão para maior (2 pontos percentuais) da estimativa apresentada em abril e um aumento de 5,4 pontos percentuais em relação ao valor registrado em 2019 (8,1%). Com a nova estimativa, o número de desempregados chegaria a 44,1 milhões de pessoas, o que representa um aumento de quase 18 milhões com relação ao nível de 2019 (26,1 milhões de desempregados). Esses números são significativamente maiores do que os observados durante a crise financeira mundial, quando a taxa de desemprego aumentou de 6,7% em 2008 para 7,3% em 2009 (0,6 ponto percentual), indica o relatório.

Por outro lado, a queda de -9,1% do PIB e o aumento do desemprego teriam um efeito negativo direto sobre a renda familiar e sua possibilidade de contar com recursos suficientes para atender às necessidades básicas.

Nesse contexto, a CEPAL projeta que o número de pessoas em situação de pobreza aumentará 45,4 milhões em 2020, com o qual o total de pessoas nessa condição passaria de 185,5 milhões em 2019 para 230,9 milhões em 2020, número que representa 37,3% da população latino-americana. Dentro desse grupo, o número de pessoas em situação de extrema pobreza aumentaria em 28,5 milhões, passando de 67,7 milhões de pessoas em 2019 para 96,2 milhões de pessoas em 2020, número que equivale a 15,5% do total da população.

A CEPAL também projeta uma maior desigualdade na distribuição de renda em todos os países da região: o índice de Gini aumentaria entre 1% e 8% nos 17 países analisados, e os piores resultados são esperados nas maiores economias da região.

Segundo o relatório, os países da região anunciaram grandes pacotes de medidas fiscais para enfrentar a emergência sanitária e mitigar seus efeitos sociais e econômicos. Além disso, a magnitude da atual crise levou as autoridades monetárias a incluir ferramentas convencionais e não convencionais em suas ações. As ações dos bancos centrais da região foram encaminhadas não somente para atenuar os efeitos da crise e estabelecer as bases para uma possível retomada, mas também a preservação da estabilidade macro-financeira das economias.

“Embora os países da região tenham anunciado medidas muito importantes, à medida que o confinamento se estende são necessários esforços adicionais para satisfazer as necessidades básicas e sustentar o consumo das famílias. A CEPAL tem apresentado várias propostas, incluindo a implementação de uma renda básica de emergência como instrumento de proteção social, um bônus contra a fome – equivalente a 70% de uma linha regional de extrema pobreza (US$ 67 de 2010) e cujo custo total é estimado em US$27,1 bilhões (0,52% do PIB regional), e várias iniciativas para apoiar empresas e trabalhadores em risco. Para a implementação de qualquer uma dessas linhas de ação, é necessário fortalecer o papel das instituições financeiras internacionais de forma que possam apoiar melhor os países”, enfatizou Alicia Bárcena.

 “Os esforços nacionais devem ser apoiados pela cooperação internacional para ampliar o espaço de política por meio de maior financiamento em condições favoráveis e alívio da dívida. Além disso, avançar na igualdade é fundamental para o controle eficaz da pandemia e para uma recuperação econômica sustentável na América Latina e no Caribe”, afirmou Bárcena.

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Proposta de enfrentamento dos efeitos da Covid-19 para uma reativação da economia com igualdade

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Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).