Bolo de Mãe! | Por Ana Maria Mendes Sampaio

Hoje seria dia de bolo! E seria bolo de aniversário de mãe. Aquele bolo que não decepciona no recheio.
Hoje seria dia de bolo! E seria bolo de aniversário de mãe. Aquele bolo que não decepciona no recheio.

Não eram bolos de festas. Nem tão pouco de noiva, cheio de corações, bonequinhos e de puro açúcar.

Sabemos de que era feito: era de puro amor! Era daqueles em que o preparo se confundia com rituais cheios de lições de criatividade e inspiração.  Elementos fundamentais para uma vida mais doce!

Na mesa provençal, todos os detalhes estavam à vista, de forma bucólica e bela: a grande bacia esmaltada, colher de pau, batedor e prato fundo para as clara, açúcar, ovos branquinhos, farinha, fermento,  manteiga, pitada de sal, raspas de limão e a essência de baunilha, em meio a tantas outras essências de  dedicação, amor e afeto.

Era suave perceber como o bolo crescia ao seu olhar, em suas mãos, em seu coração! Não haviam complicações no fazer da massa, enquanto sua irmã Dora caprichava nas claras.

No decorrer do ritual, a harmonia e o silêncio se retratavam naquele momento cheio de concentração. Barulhos e inquietações não combinavam com aquele ritual de prazer e paz e, ainda por cima, poderiam desandar os ovos.

Mais um pouco, saia do forno toda a felicidade, mesmo que por instantes agredida por palito fino, no intuito de saber se a massa estava firme, porém leve!

Precisava sair perfeito, como todo o cenário que foi posto à mesa. Para decorar: promessas perdidas, lembranças distantes, memórias afetivas, saudades latentes. Saber a receita é fácil! Difícil era fazer igualzinho a Ela!

Hoje seria dia de bolo! E seria bolo de aniversário de mãe. Aquele bolo que não decepciona no recheio. Aquele bolo sem demora de ser cortado, mesmo com todas as recomendações de que quente dá dor de barriga. Aquele bolo que nunca solava, sempre crescente como o seu materno amor. Aquele bolo que rendia pedaços para os seus, para os vizinhos e ainda surpreendia quando, depois de dias, surgia algum pedaço guardado: sabe-se lá pra quem. Aquele bolo que após anos ainda incendeia a memória olfativa. Aquele bolo que hoje custaria menos do que o número de velas de seus anos, mas que é uma das lembranças mais belas da minha vida. Parabéns, minha mãe!

Em homenagem às mães que ritualizam suas receitas de amor.

*Ana Maria Mendes Sampaio, doutoranda e Mestra em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Pós-Graduada em Política do Planejamento Pedagógico: Currículo, Avaliação e Didática – UNEB – Universidade do Estado da Bahia. Licenciada em Pedagogia – UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana.

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8951345429657611

Ana Maria Mendes Sampaio, doutoranda e Mestra em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
Ana Maria Mendes Sampaio, doutoranda e Mestra em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
Sobre Juarez Duarte Bomfim 741 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]