Reportagem do Correio sobre pandemia da Covid-19 em Feira de Santana é falha

Matéria do Correio é falha ao abordar pandemia da Covid-19 em Feira de Santana.
Matéria do Correio é falha ao abordar pandemia da Covid-19 em Feira de Santana.

Reportagem de Thais Borges, publicada neste sábado (18/07/2020) no jornal online Correio, com título ‘Portal da Covid-19: entenda como Feira de Santana se tornou um distribuidor do vírus no estado’ e subtítulo ‘Por ser entroncamento rodoviário e pelo comércio forte, cidade passou a ser um dos focos de preocupação’, apresenta graves falhas de análises, quando levado em consideração os dados de estatísticos sobre a doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2 no município.

Estatística

Dados divulgados pela Vigilância Epidemiológica de Feira de Santana (VIEP) informam registro neste sábado (18/07/2020) do total de 5.807 casos da Covid-19, destes, 2.401 estão ativos e 68 são novos casos. Do total de casos, 3.305 apresentaram recuperação, 66 estão hospitalizados e 101 foram a óbito, sendo que, destes, 2 óbitos foram informados no sábado (18), como ocorridos na sexta-feira (17).

Dados da Secretaria da Saúde da Bahia (SESAB) divulgados no sábado (18) colocam o município de Feira de Santana com o 2º maio número de casos da Covid-19.

O 1º lugar de casos da Covid-19 na Bahia é ocupado por Salvador, com 46.315 pessoas infectadas, enquanto Itabuna está na 3º posição, com 3.938.

Em 2019, o Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE) estimou a população de Feira de Santana em 614.872 pessoas, enquanto Salvador teria 2.872.347 e Itabuna 213.223 pessoas.

Os dados da SESAB, para Feira de Santana, compreendendo as variáveis número de infectados, taxa de prevalência, mortes e letalidade indicam um quadro de controle da pandemia no município, com 5.627 infectados; 915.15 de taxa de prevalência; 72 mortes e 1,28% de taxa de letalidade. Comparativamente, Salvador possui 46.315 infectados; 1612.44 de taxa de prevalência; 1.528 mortes e 3,30% de taxa de letalidade.

Com uma população 2,9 vezes menor do que a de Feira de Santana, Itabuna apresentou 3.938 infectados; 1846.89 de taxa de prevalência; 89 mortes e 2,26% de taxa de letalidade.

Comparação

Comparativamente com Salvador e Itabuna, os dados estatísticos para Covid-19 em Feira de Santana apresentam resultados mais controlados sobre a evolução da pandemia.

No comparativo, com população 4,7 vezes menor do que Salvador, Feira de Santana apresenta 9 vezes menos casos de infectados, metade da taxa de prevalência, 20 vezes menos mortes e taxa de letalidade menor em cerca de 2,7 vezes.

Em síntese, pode-se afirmar categoricamente que se existe um centro irradiador da Covid-19 para os demais municípios da Bahia este seria Salvador.

População externa

Não obstante, o fato do Feira de Santana ser um dos maiores entroncamentos rodoviários do Nordeste e de ser o principal entreposto de alimentos do interior do estado da Bahia, requer das autoridades maior controle de pessoas de fora que visitam a cidade, com checagem de temperatura e aplicação de testes rápidos.

Conclusão

Conforme dados científicos, outro aspecto que é preciso destacar é de que o coronavírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, possui elevada transmissibilidade e baixa letalidade, quando levado em consideração o universo de infectados.

Por tanto, é crível que os dados sobre o número de infectados pela Covid-19 em Feira de Santana apresentem crescimento, todavia, esses dados indicam certa estabilidade sob o número total de casos de infectados. Acrescente-se a isto o fato de que o isolamento social dos feirenses ficou na média do país, com cerca de 50% de adesão.

120.238 casos da Covid-19 foram registrados na Bahia, neste sábado (18/07/2020).
120.238 casos da Covid-19 foram registrados na Bahia, neste sábado (18/07/2020).
Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9140 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).