Operação Juno Moneta: Apoiador do impeachment da presidente Dilma Rousseff, MBL é alvo de buscas por lavagem de dinheiro

Operação da polícia contra o MBL prende Luciano Ayan, que apoiou o golpe e hoje é critico de Bolsonaro.O ex-ativista bolsonarista Carlos Augusto de Moraes Afonso, que se apresenta na rede como Luciano Ayan, foi preso nesta manhã, em São Paulo. Ele é suspeito de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

A sede do Movimento Brasil Livre (MBL) em São Paulo foi alvo de buscas por parte da Polícia Civil e a Receita Federal na manhã desta sexta-feira (10/07/2020). Além disso, dois empresários ligados ao grupo, que fez fama nos movimentos pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), foram presos.

Segundo o Ministério Público, a família Ferreira dos Santos, criadora do MBL, deve cerca de R$ 400 milhões em impostos federais. Os investigadores apuram os crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, razões que levaram às prisões de Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso (conhecido como Luciano Ayan).

No total, foram cumpridos seis mandados de buscas e apreensão e dois de prisão na capital paulista e em Bragança Paulista, município localizado no interior de São Paulo.

Os promotores informaram que Alessander Mônaco Ferreira fez grandes movimentações financeiras, incompatíveis com a sua renda e patrimônio, de doações feitas tanto ao MBL quanto ao Movimento Renovação Liberal (MRL). Ele também participou da criação de duas empresas de fachada.

Por sua vez, Carlos Augusto de Moraes Afonso é investigado por ameaças contra os críticos do MBL e de suas finanças, além da disseminação de fake news atribuída ao movimento. Ele também fez movimentações incompatíveis, segundo a apuração, e criou quatro firmas fantasmas.

Confusão jurídica

Existe, de acordo com o MPSP, uma “confusão jurídica” entre os negócios do MBL e empresas controladas pela família Ferreira dos Santos, apontada como “criadora” do movimento. Segundo as investigações, a família adquiriu ou criou diversas empresas, atualmente sem atividades, que acumulam dívidas fiscais de R$ 400 milhões. Um dos presos, Alessander Monaco Ferreira, é acusado de ter criado duas empresas de fachada.

O outro preso, Carlos Augusto de Moraes Afonso, que teria o apelido de Luciano Ayan, é apontado na investigação como sócio de ao menos quatro empresas de fachada e teria movimentado dinheiro com origem incompatível com seus negócios. Ele também é apontado como disseminador de fake news e acusado de fazer a ameças a pessoas que questionam as finanças do MBL.

Posição do MBL

Em nota, o MBL informou que os dois homens detidos não integram o grupo.

O MBL apareceu para o Brasil a partir das manifestações que ganharam as ruas em junho de 2013, passando a ser um grupo atuante e crítico ao governo da então presidente Dilma Rousseff. O movimento apareceu com destaque também durante os atos pelo impeachment da petista, em 2016, elegendo vários quadros do grupo para cargos políticos no mesmo ano.

Nota do MPSP

Em nota divulgada neta sexta-feira (10) sobre a Operação Juno Moneta, o Ministério Público de São Paulo MPSP) informou que nos Autos de Procedimentos Cautelares Criminais, na data de hoje foram cumpridos mandados de busca e apreensões e duas prisões temporárias de 5 dias em relação a pessoas e empresas ligadas ao MBL (Movimento Brasil Livre)  e MRL (Movimento Renovação Liberal) pelo Ministério Público de São Paulo (GEDEC), pela Receita Federal e pela Polícia Civil de São Paulo em seis endereços correspondentes às empresas envolvidas na investigação sobre prática de crimes de lavagem de dinheiro. As prisões temporárias foram realizadas em relação a Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso (alcunha: Luciano Ayan), os quais, segundo a investigação, mantêm estreitas ligações com os movimentos.

As evidências já obtidas indicam que estes envolvidos, entre outros, construíram efetiva blindagem patrimonial composta por um número significativo de pessoas jurídicas, tornando o fluxo de recursos extremamente difícil de ser rastreado, inclusive utilizando-se de criptoativos e interpostas pessoas.

No curso dos trabalhos conjuntos ficaram evidenciadas:

Movimento Brasil Livre

• Confusão jurídica empresarial entre as empresas MBL e MRL;
• Recebimento de doações de forma suspeita (cifras ocultas). Recebimento de doações através da plataforma Google Pagamentos – que desconta 30% do valor, ao invés de doações diretas na conta do MBL/MRL;
• Constituição e utilização de diversas empresas em incontáveis outras irregularidades, especialmente fiscais. A família Ferreira dos Santos, criadora do MBL, adquiriu/criou duas dezenas de empresas – que hoje se encontram todas inoperantes e, somente em relação ao Fisco Federal, devem tributos, já inscritos em dívida ativa da União, cujos montantes atingem cerca de R$ 400 milhões.

Alessander Monaco Ferreira

• Movimentação financeira extraordinária e incompatível;
• Criação/Sociedade em 2 empresas de fachada;
• Ligado aos “Movimentos”, realiza doações altamente suspeitas através da plataforma Google;
• Viajou mais de 50 vezes para Brasília, entre julho/2016 a agosto/2018 – todas (conf. Consta) para o Ministério da Educação – com objetivos não especificados;
• Apesar de tudo, solicitou emprego e foi contratado pelo governo do Estado de SP para trabalhar na CADA – Comissão de Avaliação de Documentos e Acesso da Imprensa Oficial do Estado – e justamente um cargo que tem função de gerenciar tarefas de eliminação de documentos públicos, de informações relativas ao recolhimento de documentos de guarda permanente, produzidos pela Administração Pública;

Carlos Augusto de Moraes Afonso (Luciano Ayan)

• Ameaça aqueles que questionam as finanças do MBL;
• Dissemina fake news;
• Criação/Sócio de ao menos 4 empresas de fachada;
• Uso de contas de passagem, indícios de movimentação financeira incompatível perante o fisco federal.

Foram apreendidas diversas mídias digitais, entre celulares, computadores, HDs e pen- drives; documentos impressos, dinheiro e foram encontradas e não apreendidas drogas (maconha) interpretadas para uso pessoal.

Não é possível fornecer mais detalhes e mais informações nesse momento por estar a investigação ainda em curso.

*Com informações da Sputnik Brasil.

Operação da polícia contra o MBL prende Luciano Ayan, que apoiou o golpe e hoje é critico de Bolsonaro.

O ex-ativista bolsonarista Carlos Augusto de Moraes Afonso, que se apresenta na rede como Luciano Ayan, foi preso nesta manhã, em São Paulo. Ele é suspeito de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

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